Parece metrô, mas anda sobre pneus. Em Curitiba, um sistema de ônibus rápido foi planejado para funcionar com a agilidade de trilhos, mas utilizando a infraestrutura viária da cidade. O resultado foi um modelo de transporte coletivo que reorganizou a vida urbana da capital paranaense, combinando custo relativamente baixo, alta capacidade e integração com o planejamento da cidade.
O que é o BRT de Curitiba e por que ele é chamado de “metrô sobre pneus”?
O sistema de Bus Rapid Transit (BRT) de Curitiba começou a ser implantado na década de 1970, em um contexto de crescimento acelerado da cidade. Em vez de apostar em um metrô subterrâneo de alto custo, o planejamento urbano buscou uma alternativa mais barata, rápida de implantar e capaz de organizar a expansão urbana.
Esse modelo passou a ser apelidado de “metrô sobre pneus” por oferecer desempenho semelhante ao de trilhos, com alta capacidade e estações em nível. A concepção foi integrada ao plano diretor, usando o transporte como eixo estruturador do crescimento, sob forte influência do urbanista Jaime Lerner.

Como funciona o metrô sobre pneus de Curitiba?
Em vez de pontos de ônibus convencionais, Curitiba implantou as estações tubo, estruturas fechadas com plataformas em nível, onde o passageiro paga a tarifa antes do embarque. Quando o ônibus chega, as portas se alinham e o embarque simultâneo reduz o tempo de parada e aumenta a fluidez.
As estações se distribuem ao longo de canaletas exclusivas, por onde circulam ônibus articulados e biarticulados com capacidade superior a 250 passageiros. O sistema é complementado por linhas alimentadoras e interbairros, garantindo integração rápida entre regiões periféricas e os corredores troncais.
Quais são as principais diferenças entre o BRT de Curitiba e um metrô tradicional?
A diferença mais marcante entre o BRT curitibano e um metrô clássico está no custo de implantação. Corredores de ônibus aproveitam o leito viário e estações em superfície, enquanto o metrô exige túneis, trilhos e sistemas sofisticados de ventilação e segurança.
Há também maior flexibilidade operacional, pois os corredores podem ser prolongados ou reconfigurados com menos obras pesadas. Em termos de experiência, embarque em nível, pagamento antecipado e alta frequência aproximam o serviço da sensação de um metrô de superfície.
Com mais de 47 mil visualizações, o canal Clube Do Ônibus Oficial mostra todos os detalhes desse BRT de alto nível:
Como o BRT de Curitiba inspirou outros sistemas de transporte no mundo?
O modelo curitibano ganhou destaque internacional em conferências da ONU, estudos acadêmicos e debates sobre cidades sustentáveis. A combinação de canaletas exclusivas, estações em nível e veículos de grande porte passou a ser referência para metrópoles que buscavam soluções de alto desempenho com menor investimento.
A partir dessa visibilidade, diversas cidades adaptaram o conceito do “metrô sobre pneus” às suas realidades locais, integrando o BRT a metrôs, trens urbanos e ciclovias. Entre os elementos mais copiados estão:
- Estações com pagamento antecipado e embarque em nível.
- Faixas exclusivas para ônibus de alta capacidade.
- Integração com outros modais e redes cicloviárias.
- Prioridade semafórica e foco na redução do tempo de viagem.
Quais são os desafios atuais e caminhos de modernização do BRT curitibano?
Após mais de cinco décadas, o BRT de Curitiba enfrenta desafios como superlotação em horários de pico, necessidade de renovação da frota e atualização das estações tubo. A cidade discute soluções para manter o sistema competitivo frente ao aumento do uso de carros e aplicativos de transporte.
Entre as prioridades estão a adoção de ônibus menos poluentes, sistemas digitais em tempo real e integração com mobilidade ativa. Também se projeta o uso do BRT como plataforma para tecnologias de cidade inteligente, com monitoramento, dados abertos e maior conforto ao usuário.

