A Máquina RU 800 S é uma gigante da engenharia ferroviária capaz de trocar trilhos, dormentes e limpar o lastro em uma única passagem. Desenvolvida pela Plasser & Theurer, ela otimiza obras complexas e reduz drasticamente o tempo de interrupção nas vias, pesando quase 700 toneladas.
O que faz essa máquina ser tão eficiente nos trilhos?
Essa tecnologia austríaca realiza a renovação contínua e a limpeza de lastro simultaneamente, algo inédito até seu lançamento em 2006. Ela remove trilhos velhos, substitui dormentes de concreto e instala a via nova em um único passe de operação.
Com um comprimento base de 177 metros, o equipamento pode chegar a 800 metros se somados os vagões de suprimentos necessários. Sua estrutura robusta pesa impressionantes 692 toneladas quando vazia, exigindo uma logística precisa para entrar em ação.

Qual a capacidade de produção diária da RU 800 S?
A produtividade é alta: em um turno de 10 horas, o sistema consegue renovar entre 1.500 e 2.000 metros de via férrea. Isso garante rapidez em trechos longos, liberando a malha ferroviária para uso comercial muito mais cedo do que métodos antigos.
A operação ocorre com eficiência mesmo em espaços limitados, exigindo largura mínima de apenas 3,20 metros para limpeza de lastro. A equipe técnica é reduzida graças à automação, embora o número exato de operadores varie conforme a complexidade de cada obra, sendo por volta de 26.

Como ela se compara aos métodos tradicionais de obra?
A diferença de performance entre o método convencional e a mecanização avançada da RU 800 S muda totalmente o cronograma das ferrovias:
Quais inovações chegaram com a sucessora RUS 1000 S?
A evolução não parou, e a versão mais recente, chamada RUS 1000 S, entrega uma performance 25% superior. Lançada por volta de 2021, essa nova geração troca até 10 dormentes por minuto com precisão milimétrica.
Ela opera bem até em curvas fechadas com raio de 250 metros, superando limitações anteriores de traçado. Projetos na Alemanha e Países Baixos já utilizam essa tecnologia para permitir tráfego imediato a 60 km/h logo após a passagem da máquina.
No vídeo a seguir, o canal com mais de 4 mil inscritos, Trem itapeva RUMO, mostra um pouco desse monstro trabalhando:
Por que a logística é o maior desafio dessa operação?
Operar um gigante desses exige planejamento detalhado para evitar gargalos no suprimento de materiais e na montagem do canteiro:
- Setup inicial ligeiramente maior que o de máquinas convencionais.
- Ajustes hidráulicos para operar em plataformas baixas (76 cm).
- Necessidade de vagões adicionais para carregar suprimentos e lastro novo.
Apesar do tamanho, a máquina compensa essa complexidade com sua densidade de potência superior. O custo de aquisição e manutenção é elevado, mas o retorno vem na velocidade de entrega da via renovada e na menor necessidade de fechar a ferrovia para manutenção.

