Entre montanhas íngremes, ventos fortes e uma região conhecida por terremotos, a Chenab Bridge virou símbolo de como a engenharia consegue transformar um cenário quase impossível em rota de trem. Inaugurada em 2025, ela liga a Caxemira ao resto da Índia e ajuda a contar uma história cheia de números gigantes, soluções criativas e bastidores que muita gente nem imagina.
Por que a Chenab Bridge é considerada uma maravilha da engenharia moderna?
A Chenab Bridge é a ponte ferroviária em arco mais alta do mundo, com cerca de 359 metros acima do rio Chenab, superando a altura da Torre Eiffel. Ela integra o projeto ferroviário Udhampur-Srinagar-Baramulla Rail Link, com 272 km, conectando de forma estratégica a Caxemira ao restante da Índia.
Projetada para durar em média 120 anos, a estrutura suporta ventos de até 260 km/h, terremotos de magnitude 8 e até explosões. Os trilhos sem lastro permitem trens a cerca de 100 km/h, reduzindo em até 3 horas o trajeto entre Katra e Srinagar e transformando a rotina de moradores, turistas e militares.
Como foi possível construir a Chenab Bridge em um terreno tão desafiador?
O maior desafio inicial foi preparar o terreno em uma zona sísmica 5, com encostas de até 77 graus e solo de dolomita, uma rocha frágil. Em vez de impor cortes agressivos, os engenheiros reforçaram a base rochosa antes de erguer a estrutura metálica, trabalhando com grande controle geotécnico.
Foram usadas pré-furações com explosivos em malha fina, preenchimento de fraturas com injeções de cimento (grout) e blocos de ancoragem com cabos Dywidag tensionados. Sobre essas fundações de concreto, pilares de aço com cerca de 200 metros de altura formam o esqueleto que sustenta a ponte em um vale profundo.
Com mais de 9,4 mil visualizações, o canal JAES Company Português apresenta por que a Chenab Bridge é considerada uma maravilha moderna:
O que torna o arco parabólico da Chenab Bridge tão especial?
O coração da ponte é um arco parabólico de 467 metros de comprimento e vão principal de 385 metros, montado em segmentos como um enorme jogo de encaixe. Um guindaste de cabo com 915 metros de extensão, recorde mundial, ergueu peças de até 35 toneladas com alta precisão.
No total, cerca de 28 mil toneladas de aço foram instaladas em segmentos de 10 a 12 metros, unidos por aproximadamente 600 mil porcas e parafusos. A forma parabólica favorece o trabalho em compressão, aumentando a eficiência estrutural e a estabilidade em uma região sujeita a vibrações intensas.

Quais são os principais recursos de segurança sísmica e operacional?
Apesar de parecer estática, a ponte foi projetada para se movimentar de forma controlada, reduzindo impactos de terremotos e variações térmicas. O tabuleiro ferroviário “flutua” sobre rolamentos esféricos que filtram vibrações, enquanto a base acompanha os movimentos do solo.
Para detalhar essas soluções de forma mais clara, vale destacar alguns recursos que protegem a estrutura e mantêm a operação em condições adversas:
- Três juntas de dilatação em borracha que dividem o tabuleiro em quatro seções, permitindo expansão e contração térmica.
- Cerca de 120 sensores que monitoram vento, temperatura, umidade e vibrações em tempo real, com dados enviados a uma sala de controle com cerca de 150 servidores.
- Projeto com redundância estrutural que permite a passagem de trens a cerca de 30 km/h mesmo se um pilar sofrer danos.
Quais impactos a Chenab Bridge traz para a região da Caxemira?
A Chenab Bridge integra um conjunto de 943 pontes e 119 km de túneis do projeto USBRL, um megainvestimento em infraestrutura ferroviária. Essa rede reduz custos logísticos, facilita o deslocamento de tropas e abre novas oportunidades econômicas e turísticas em uma área antes dependente de estradas sinuosas.
Além de permitir a operação de trens elétricos como o Vande Bharat entre cerca de -10°C e 40°C, a ponte virou símbolo nacional, iluminada em datas como o Republic Day de 2026. Ela inspira novos projetos de túneis, viadutos e linhas férreas que desafiam montanhas e climas extremos em outras regiões do mundo.

