Enquanto o mundo se moderniza em ritmo frenético, uma família na caverna desafia o tempo vivendo no mesmo refúgio rochoso há mais de 300 anos. Localizada na província de Guizhou, na China, essa residência única não é um sinal de pobreza, mas sim um “império de paz” construído sobre dez gerações de história, combinando a segurança das montanhas com o conforto da vida contemporânea.
Como vive a família na caverna de Guizhou nos dias de hoje?
Diferente da imagem primitiva que o termo sugere, a vida dessa família na caverna é surpreendentemente moderna. A habitação, situada no antigo vilarejo de Yingshang (Zhijin), conta com eletricidade, eletrodomésticos como geladeira e forno, e até sinal de internet. A estrutura interna é feita de madeira, protegida pelo teto natural de rocha que mantém a temperatura agradável o ano todo, fresca no verão e quente no inverno.
O acesso também não é um problema: uma estrada pavimentada permite que o carro estacione na “porta” da caverna. O local, apelidado de “Casa nas Costas do Elefante” pela forma da montanha, possui um quintal integrado à rocha com nascente natural e peixes, criando um ecossistema autossuficiente que fascina visitantes e turistas.
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Por que eles escolheram viver isolados por 300 anos?
A história da família na caverna (clãs Liu e Wang) começou como uma fuga de bandidos e guerras locais há séculos. Para garantir a segurança, seus ancestrais construíram uma muralha de pedra defensiva na entrada, que permanece de pé até hoje. O que era um esconderijo tornou-se um lar amado, onde a tranquilidade e a conexão com a natureza superam qualquer desejo de mudança para as vilas modernas construídas pelo governo.
Para entender a magnitude e a beleza deste estilo de vida, o canal Qingyunji, com mais de 560 mil inscritos, visitou o local. No vídeo abaixo, você verá as imagens deslumbrantes deste “paraíso perdido” e o cotidiano sereno dos moradores:

O equilíbrio entre tradição e modernidade na caverna
A residência funciona hoje quase como um Bed & Breakfast informal. Os moradores, que trabalham fora durante o dia ganhando salários compatíveis com a região (acima de R$ 1.000 mensais), retornam à tarde para cuidar da horta e receber viajantes. A família na caverna oferece refeições e hospedagem, compartilhando sua cultura e a vista panorâmica do vale com quem busca uma experiência autêntica.

Um legado que resiste ao tempo
Embora outras comunidades em cavernas, como a famosa vila de Zhongdong, tenham sido realocadas pelas autoridades chinesas em 2020, esta família na caverna resiste. O apego emocional ao local é forte demais para ser rompido. Eles provam que “luxo” pode ser definido pela paz de espírito, ar puro e a liberdade de viver de acordo com as próprias tradições, longe do caos urbano.
Visitar Yingshang é testemunhar um modo de vida onde o homem e a montanha coexistem em harmonia perfeita. Para essa linhagem, a caverna não é um buraco na terra, mas um palácio natural que abrigou seus sonhos e memórias por mais tempo do que a maioria das nações modernas existe.

