Um escândalo corporativo expôs a face mais cruel da engenharia financeira internacional. A subsidiária brasileira da gigante sul-coreana Posco E&C, responsável por obras bilionárias como a da Companhia Siderúrgica do Pecém (CE), pediu autofalência declarando ter apenas R$ 109,00 em caixa, enquanto credores cobram dívidas milionárias na Justiça.
O “troco” que indignou a Justiça

O valor irrisório deixado na conta corrente foi interpretado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo como um deboche e indício claro de má-fé. A empresa movimentou bilhões de dólares durante a construção da siderúrgica, mas, ao encerrar as atividades, alegou insolvência total.
Credores, que incluem fornecedores e prestadores de serviço brasileiros, apontam que o dinheiro não desapareceu; ele foi transferido para fora. A Posco Brasil teria enviado os lucros para a matriz na Coreia do Sul, deixando para trás apenas a “casca” jurídica endividada.
Desconsideração da personalidade jurídica
Em uma decisão histórica e dura, a 1ª Vara de Falências de SP aplicou a “desconsideração da personalidade jurídica”.
-
O que isso significa: A Justiça rasgou o véu que separa a filial brasileira da matriz estrangeira.
-
A consequência: A cobrança agora vai direto para os cofres da Posco Engineering na Coreia do Sul.
-
A mensagem: Multinacionais não podem usar o Brasil para lucrar e depois abandonar as dívidas blindadas por fronteiras.
A desproporção entre o contrato e o saldo final revela a manobra contábil. Veja os números:
📉 A Matemática do Calote
- 💰 Valor da Obra (CSP): US$ 5,4 Bilhões (Faturamento estimado).
- ⚠️ Dívida Imediata: R$ 37 Milhões (Apenas um dos processos).
- 🐷 Saldo em Caixa: R$ 109,00 (Declarado na falência).
Obra faraônica e passivo trabalhista
A Posco liderou a construção de um dos maiores empreendimentos do Nordeste. Durante anos, a operação foi lucrativa. A suspeita é que a empresa preparou sua saída do país esvaziando o patrimônio sistematicamente (blindagem patrimonial), apostando que a burocracia internacional protegeria a matriz.
Além de fornecedores, existem passivos trabalhistas e tributários que, sem a intervenção da Justiça em atingir a matriz, jamais seriam pagos com os cem reais deixados no banco.
Para aprofundar seu conhecimento sobre os recentes desdobramentos no setor de infraestrutura e engenharia, selecionamos o conteúdo do canal UOL. No vídeo a seguir, o jornalista Carlos Madeiro detalha o caso da gigante coreana Posco Engenharia e Construção do Brasil, que surpreendeu credores e o mercado ao declarar autofalência:
Veredito contra a impunidade
O caso, que tramita na Comarca de São Gonçalo do Amarante (CE), cria um precedente vital. Ele sinaliza que a “blindagem patrimonial” não servirá de escudo para calotes em solo nacional. A “falência de R$ 100” tornou-se o maior erro estratégico da gigante asiática, que agora vê sua reputação e seus ativos globais sob risco judicial por conta da operação brasileira.

