A estratégia da Ducati no mercado global de motocicletas reflete uma jornada de engenharia e paixão que elevou a receita da empresa a recordes históricos. Sob a liderança de Claudio Domenicali, a montadora italiana consolidou seu domínio nas pistas e no exigente mercado premium.
Como a carreira de Domenicali evoluiu dentro da montadora?
A trajetória de Claudio Domenicali começou em 1991, quando ingressou na empresa para desenvolver sua tese de graduação em engenharia mecânica. Naquela época, a marca pertencia ao grupo Cagiva e passava por um período de transição estrutural, contando com uma equipe de desenvolvimento reduzida.
Logo após a graduação, ele foi contratado como projetista, iniciando uma ascensão orgânica impulsionada por seu profundo conhecimento técnico. Em 1999, assumiu a chefia da Ducati Corse, e em 2013 assumiu como CEO global, sucedendo Gabriele Del Torchio e provando que a vivência de fábrica é o motor ideal para gerir a corporação.

As corridas da divisão Corse dão lucro para a empresa?
Manter uma equipe de ponta no MotoGP exige um orçamento colossal, mas a divisão de corridas funciona como um centro de custo que se aproxima do break-even. O retorno vem através de parcerias históricas (como a união com a Shell desde 1999), direitos televisivos e leasing de equipamentos.
O sucesso esportivo é tão vital para o ecossistema da marca que, no cenário de 2026, rumores do mercado apontam que Domenicali poderia até ser cogitado para posições estratégicas na Liberty Media (atual controladora do MotoGP). Contudo, o executivo segue firme no comando da montadora de Bolonha, utilizando as vitórias para justificar o valor premium das motos de rua.
Para conhecer as estratégias por trás do sucesso global da Ducati, trouxemos a conversa de Marcello Ascani com Claudio Domenicali, CEO da marca. No registro, Domenicali compartilha como a empresa equilibra design sensorial e tecnologia de ponta para dominar as pistas de corrida e o coração dos entusiastas de motocicletas:
Como a produção enxuta inspirada na Porsche controla os custos?
A empresa é frequentemente citada como um caso de sucesso na aplicação de conceitos de Lean Manufacturing (produção enxuta) para volumes baixos e de alta complexidade. Essa inspiração no modelo da Porsche permite enfrentar a flutuação do preço de materiais nobres, como o titânio e a fibra de carbono.
Para que você compreenda a diferença de escala e estratégia no setor de mobilidade de luxo, preparamos uma comparação estrutural do modelo de produção:
| Característica Industrial | Setor de Motos Premium (Ducati) | Setor Automotivo de Massa |
| Volume Total da Marca | Cerca de 55.000 a 60.000 motos/ano | Altíssimo (Milhões de unidades) |
| Escala por Modelo | Nichos de 5.000 a 8.000 unidades | Diluição de custos por volume massivo |
| Carro-Chefe Atual | Multistrada V4 (Alta tecnologia) | Hatchbacks e SUVs populares |
Qual é o segredo por trás da satisfação extrema dos clientes?
Desde que a Audi (e o Grupo Volkswagen) adquiriu a montadora em 2012, a gestão adotou ferramentas rigorosas, utilizando o Net Promoter Score (NPS) como métrica principal. O objetivo é transformar cada comprador em um embaixador apaixonado, garantindo índices de lealdade históricos.
A tática de retenção envolve um esforço ativo para resolver problemas e reverter a insatisfação dos raros detratores. Segundo as diretrizes de qualidade do Grupo Volkswagen, essa abordagem é o que diferencia o atendimento no setor de luxo, conforme detalhado a seguir:
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Monitoramento Constante: Avaliação contínua do nível de recomendação da marca.
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Atenção ao Detrator: Contato direto da equipe para recuperar a confiança do cliente.
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Magia do Produto: Entrega de design sensual aliado à tecnologia de ponta.
Quais livros inspiram a liderança focada em resultados da companhia?
O CEO cultiva uma cultura corporativa que valoriza a comunicação eficiente, garantindo que as decisões fluam rapidamente na fábrica. Sua liderança humanizada, frequentemente debatida em fóruns como a Motor Valley na Itália, é inspirada em biografias e estudos de caso de corporações de excelência.
A busca constante por referências externas foi fundamental para a marca ultrapassar, pela primeira vez, a marca histórica de €1,089 bilhão em faturamento no ano de 2022. Para líderes que buscam inspiração nesse modelo de gestão, as recomendações literárias do executivo estão listadas a seguir:
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A Marca da Vitória (Shoe Dog): A história de resiliência do fundador da Nike.
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Feitas para Durar: Um estudo profundo sobre os princípios que mantêm empresas no topo.
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A Biografia de Steve Jobs: Lições sobre inovação, design e obsessão por qualidade.

