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Essa vila da Sibéria enfrenta -71°C e mostra como é viver no lugar mais frio habitado do mundo

Larissa Por Larissa
05/01/2026
Em Curiosidades, ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Em um canto remoto da Sibéria, existe uma vila onde o inverno não é só uma estação: é praticamente um personagem principal da rotina. Oymyakon, conhecida como a vila mais fria do mundo, virou sinônimo de extremos, resistência e muitas curiosidades que parecem saídas de outro planeta, mas fazem parte do dia a dia de cerca de 800 moradores.

Por que Oymyakon é considerada a vila mais fria do mundo?

Oymyakon fica na República Sakha, na Sibéria russa, em uma depressão montanhosa que prende o ar gelado como um enorme freezer natural. Ali, o termômetro já registrou cerca de -71°C em 1924, e não é raro o inverno bater abaixo de -50°C por semanas seguidas.

A vila está a quase 900 km de Yakutsk, em uma viagem de até 18 horas por estrada, o que reforça o isolamento. No auge do inverno, quase não se vê gente caminhando do lado de fora, porque a exposição prolongada pode levar ao congelamento em poucos minutos.

Essa vila da Sibéria enfrenta -71°C e mostra como é viver no lugar mais frio habitado do mundo
Oymyakon é o lugar habitado mais frio do planeta e resiste ao extremo

Como o corpo humano reage ao frio extremo em Oymyakon?

Abaixo de -50°C, cílios e pelos nasais congelam quase instantaneamente, formando minúsculos cristais de gelo. O ar extremamente seco irrita as vias respiratórias, provoca tosse forte e deixa a respiração com um som parecido ao farfalhar de grama seca.

O maior risco é o congelamento dos tecidos, quando cristais de gelo se formam dentro das células e podem causar necrose e amputações. Em Oymyakon, escolas só fecham quando a temperatura cai abaixo de -55°C, mostrando o nível de adaptação da população.

Como as casas de Oymyakon são construídas para suportar o frio?

Para suportar diferenças de mais de 100°C entre interior e exterior, as casas funcionam como fortalezas térmicas. As paredes podem ter até sete camadas de materiais, como madeira, lã de basalto, espuma e gesso, enquanto janelas triplas e sótãos com serragem ajudam a manter o calor.

Um sistema de aquecimento central a carvão mantém o interior em torno de 30°C mesmo com sensação glacial lá fora. Entradas sem aquecimento servem como “geladeiras naturais”, e banheiros externos formam colunas de gelo com resíduos que podem chegar a dois metros de altura.

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Com mais de 65 mil visualizações, o vídeo do canal OS Português mostra como é viver em Oymyakon, a vila mais fria do planeta:

O que se come e como os animais se adaptam em Oymyakon?

O solo permanece congelado por centenas de metros, formando o permafrost e impedindo o cultivo de frutas e vegetais. Por isso, a alimentação é baseada em carnes e peixes, muitas vezes consumidos congelados e crus, ricos em gordura e nutrientes.

Os animais locais também desenvolveram adaptações notáveis para sobreviver ao frio extremo. Algumas espécies se tornaram essenciais para fornecer alimento, transporte e proteção à comunidade:

  • Vacas iacutas: produzem leite com 7% a 8% de gordura, garantindo alta densidade calórica.
  • Cavalos iacutos: de porte baixo e corpo rechonchudo, suportam até -70°C a céu aberto.
  • Renas: usadas como transporte, fonte de carne e peles para roupas e cobertores.
  • Pesca sob o gelo: em rios com mais de 1 metro de gelo, fornece peixes consumidos crus e salgados.

Leia também: A cidade das 100 cachoeiras: destino pouco explorado oferece trilhas gratuitas e piscinas naturais cristalinas

Como a rotina e a tecnologia se adaptam ao “Polo do Frio”?

Em muitas casas, o banho é um ritual semanal: blocos de gelo são derretidos, aquecidos a cerca de 60°C e usados em banhos demorados. Crianças caminham até a escola com várias camadas de roupa, enquanto trechos de rios com água menos fria são mantidos abertos para o gado beber.

Carros a diesel precisam de aquecedores por horas, pneus murcham e celulares desligam rapidamente, exigindo garagens isoladas e aquecidas. Apesar dos desafios, rituais xamânicos, esculturas curiosas e um turismo em crescimento mostram como a cultura local se mantém viva no “Polo do Frio”.

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