Localizada ao sul do Japão, perto de Nagasaki, uma pequena massa de concreto desponta no mar como um cenário pós-industrial congelado no tempo. Trata-se de Hashima, mais conhecida como Gunkanjima, a “Ilha Navio de Guerra”, que durante décadas abrigou milhares de pessoas em prédios altos comprimidos lado a lado, sustentados pela mineração de carvão em plena modernização japonesa, e hoje é um mosaico de ruínas disputado entre interesses turísticos, memória histórica e debates internacionais.
O que tornou Hashima importante para a mineração de carvão no Japão?
A história de Hashima ganha impulso com a descoberta de jazidas de carvão em um momento em que o Japão buscava se industrializar rapidamente. Empresas privadas, como a Mitsubishi, enxergaram ali uma oportunidade estratégica para abastecer navios a vapor, usinas e fábricas, integrando a ilha a um amplo projeto de mineração submarina.
Como o espaço era mínimo, a ilha foi expandida artificialmente, aterrada com materiais da própria mina e cercada por um muro de concreto para conter o mar e os tufões. Em poucos anos, o promontório ganhou edifícios de vários andares e corredores estreitos, tornando a mineração de carvão em Hashima peça-chave na matriz energética baseada em combustíveis fósseis.

Como era o cotidiano de quem vivia na ilha de Hashima?
A vida diária em Gunkanjima combinava a sensação de “cidade completa” com uma rotina moldada por longos turnos nas galerias subterrâneas. Moradias, escola, templos, mercados e serviços de saúde formavam um microcosmo urbano cercado pelo mar, totalmente dependente da mineração para existir.
Crianças cresciam em corredores e pátios minúsculos, enquanto adultos se deslocavam em poucos minutos entre os blocos residenciais e as entradas da mina. O abastecimento de alimentos, água potável e produtos básicos vinha do continente, reforçando o caráter de enclave industrial rigidamente organizado em função do trabalho.
Quais eram as condições de moradia e serviços em Gunkanjima?
As condições de vida em Hashima refletiam a alta densidade populacional e o espaço físico extremamente reduzido. A ilha concentrava em poucos prédios tudo o que era necessário para o cotidiano, em meio a concreto, vento forte e ausência quase total de áreas verdes. Confira abaixo como eram as condições de moradia:
- Moradia: apartamentos pequenos, muitas vezes compartilhados por famílias inteiras.
- Serviços: escola, hospital, lojas e espaços de lazer comprimidos em blocos multifuncionais.
- Ambiente: alta densidade, pouco verde e constante exposição ao sal e ao vento do mar.
Com mais de 14,8 mil seguidores, o perfil Nicole Vincenti apresenta um passeio visual por Gunkanjima:
@i.belongtothesky Today we visited a place that had been on my list for a long time: Hashima, also known as Gunkanjima, the “warship island”, due to its resemblance to a ship (so much so that according to some reports during the Second World War it was torpedoed by the US Navy, probably deceived by the shape of the island which from the sea appeared quite similar to a battleship). At the end of the 19th century, the island was colonized by the Japanese due to the presence of an important mineral deposit, so the first houses were built for the workers who moved en masse to the island with their families. The island is 480 meters long and 150 meters wide and had the highest population density in recorded history anywhere in the world. At the end of the sixties, however, the demand for coal decreased and the mining site was closed, with the consequent abandonment of the island in just 3 months. . Oggi abbiamo visitato un posto che era sulla mia lista da tantissimo: Hashima, nota anche come Gunkanjima, l”isola della nave da guerra”, per la somiglianza a una nave appunto (tanto che secondo alcuni rapporti durante la seconda guerra mondiale fu silurata dalla marina militare statunitense, probabilmente ingannata dalla forma dell’isola che dal mare appariva del tutto simile a una corazzata). Alla fine dell’800 l’isola fu colonizzata dai giapponesi per la presenza di un importante giacimento minerario, vennero quindi costruite le prime abitazioni per i lavoratori che si trasferirono in massa sull’isola con le loro famiglie. L’isola è lunga 480 metri e larga 150 metri ed aveva la più alta densità di popolazione nella storia registrata in tutto il mondo. Alla fine degli anni sessanta tuttavia la domanda di carbone diminuì e lo stabilimento minerario venne chiuso, con conseguente abbandono dell’isola nel giro di soli 3 mesi. . #hashima #hashimaisland #gunkanjima #nagasaki #abandonedplaces #abandonedisland #offthebeatenpath #traveltojapan #explorejapan
Como o trabalho forçado marcou a história de Hashima?
Nas décadas de 1930 e 1940, a mineração de carvão em Hashima passou a envolver grupos trazidos à força de outras regiões da Ásia, principalmente coreanos e chineses. Depoimentos de ex-trabalhadores relatam jornadas longas, calor intenso, risco permanente de desabamentos e falta de segurança adequada.
O tema do trabalho forçado em Hashima ainda gera debates entre governos, pesquisadores e familiares de ex-operários, especialmente sobre a forma como a ilha é apresentada em materiais turísticos. Vídeos, códigos QR e painéis explicativos foram incorporados às visitas guiadas, mas números, responsabilidades e terminologia seguem em disputa.
Como Hashima se transformou em ruína, atração turística e símbolo de memória?
A partir dos anos 1960, a mudança da matriz energética japonesa, com a adoção do petróleo, reduziu a relevância da mina, levando ao encerramento das atividades em meados da década de 1970. A rápida saída dos moradores transformou Hashima em “cidade fantasma”, com estruturas de concreto deterioradas pela ação do vento salgado e dos tufões.
Com o tempo, o acesso passou a ser controlado e voltado ao turismo industrial, combinando explicações de engenharia e arquitetura com referências ao uso de trabalhadores estrangeiros. Hoje, Hashima é centro de debates sobre patrimônio industrial, responsabilidade histórica e formas de narrar um passado que reúne modernização, exploração de recursos e memórias de coerção.

