A extração de lítio, o “ouro branco” da era moderna, é o motor da transição energética, mas seu processo revela um paradoxo: a busca por uma energia mais limpa está deixando uma pegada hídrica profunda nos desertos mais áridos do planeta.
Como funciona a extração de lítio nos desertos de sal?
A maior parte do lítio mundial vem do “Triângulo do Lítio”, uma região que abrange desertos de sal na Bolívia, Chile e Argentina. O método mais comum consiste em bombear a salmoura rica em lítio, que fica sob as crostas de sal, para a superfície.

Essa salmoura é despejada em piscinas gigantes e rasas, onde o sol intenso do deserto evapora a água ao longo de 12 a 18 meses. À medida que a água desaparece, a concentração de lítio aumenta, e as piscinas adquirem cores vibrantes, do azul-turquesa ao amarelo, criando uma paisagem surreal e industrial.
Etapas do processo de evaporação:
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Perfuração do salar para acessar a salmoura subterrânea.
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Bombeamento da salmoura para as piscinas de evaporação.
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Evaporação solar por mais de um ano para concentrar o lítio.
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Processamento químico para purificar o carbonato de lítio.
Qual o custo ambiental por trás da energia limpa?
O principal custo é a água. A extração de lítio por evaporação consome milhões de litros de água em algumas das regiões mais secas do mundo, gerando conflitos com comunidades indígenas e agricultores locais que dependem dos mesmos aquíferos para sobreviver.
Além do consumo hídrico, há o risco de contaminação do solo e da água restante com os produtos químicos usados no processo de purificação. A expansão das minas ameaça ecossistemas frágeis que são únicos nesses desertos de altitude.
Principais impactos ambientais:
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Consumo massivo de água em ecossistemas áridos.
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Risco de contaminação de aquíferos subterrâneos.
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Alteração da paisagem e destruição de habitats.
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Conflitos sociais com comunidades locais.
Por que o lítio é tão vital para a transição energética?
O lítio é o elemento-chave das baterias de íon-lítio, a tecnologia que alimenta a revolução dos carros elétricos, smartphones e sistemas de armazenamento de energia. Sua leveza e alta capacidade de armazenar energia o tornam insubstituível com a tecnologia atual.
Para aprofundar seu conhecimento sobre o mineral que é considerado o “novo petróleo”, selecionamos o conteúdo do canal Elementar. No vídeo a seguir, os especialistas detalham visualmente a corrida pelo lítio no Brasil, explorando as reservas em Minas Gerais e como esse recurso estratégico pode transformar o país em um protagonista na era dos veículos elétricos:
A demanda global está explodindo, e o controle das reservas de lítio se tornou uma questão de segurança energética e geopolítica. Países e empresas correm para garantir o suprimento do “ouro branco”, essencial para cumprir as metas de descarbonização.
Existem alternativas mais sustentáveis no horizonte?
A indústria busca alternativas para mitigar o impacto. Novas tecnologias, como a Extração Direta de Lítio (DLE), prometem filtrar o lítio da salmoura sem a necessidade das piscinas de evaporação, reduzindo drasticamente o consumo de água e o tempo de processamento.
No Brasil, o Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais desponta como uma nova fronteira do “lítio verde”, com reservas em rocha dura cuja extração segue regras ambientais rigorosas, monitoradas pela Agência Nacional de Mineração (ANM). O impacto econômico dessas novas fronteiras minerais é acompanhado por dados do IBGE.
| Característica | Bateria de Lítio-Íon | Bateria de Chumbo-Ácido (Tradicional) |
| Densidade de Energia | Alta (mais energia em menos peso). | Baixa (pesada e volumosa). |
| Vida Útil | Longa (muitos ciclos de recarga). | Curta. |
| Uso Principal | Carros elétricos, eletrônicos. | Carros a combustão (partida), no-breaks. |

