A antiga Estrada da Morte, na Bolívia, ainda desperta curiosidade de quem se interessa por viagens diferentes e histórias de risco nas rodovias. Oficialmente chamada de Yungas Road, ela ficou conhecida no mundo todo pelas características que tornaram o trajeto um desafio diário para motoristas durante décadas, ligando o altiplano boliviano à área de floresta úmida e combinando geografia extrema, clima instável e infraestrutura precária.
Onde fica a Estrada da Morte na Bolívia e qual é sua importância?
Localizada entre La Paz e a região de Coroico, a estrada corta um relevo extremamente acidentado, onde a cordilheira cede espaço a encostas íngremes e vales profundos. Por muitos anos, foi a principal ligação entre a capital e os Yungas, fundamental para o transporte de pessoas e produtos agrícolas.
Ao longo de décadas, caminhões, ônibus e carros dividiram um único corredor de terra, geralmente escorregadio e com espaço limitado para manobras. Essa combinação de uso intenso e estrutura limitada ajudou a consolidar sua fama como uma das estradas mais perigosas do planeta.

O que torna a Estrada da Morte considerada tão perigosa?
A antiga Estrada da Morte reúne praticamente todos os elementos de risco em uma rodovia de montanha, com trechos estreitos esculpidos na rocha e penhascos que podem ultrapassar centenas de metros de altura. Em muitos pontos, não há guard-rails ou muretas, aumentando a gravidade de qualquer erro de cálculo.
Além disso, a rota acompanha uma forte mudança de altitude, saindo de La Paz, acima dos 3.500 metros, em direção a áreas mais baixas e úmidas. Neblina frequente, chuva, lama e deslizamentos reduzem a visibilidade, tornam o piso escorregadio e explicam o histórico de inúmeros acidentes fatais.
Por que a Estrada da Morte virou atração turística de aventura?
Com a construção de uma nova rodovia asfaltada, o fluxo de veículos pesados diminuiu no antigo traçado, abrindo espaço para o turismo de aventura. Hoje, o trecho histórico é explorado principalmente por praticantes de ciclismo de montanha em roteiros organizados.
Operadoras locais oferecem passeios guiados de bicicleta, com veículos de apoio, equipamentos de proteção e guias experientes. Para muitos viajantes, pedalar pela Estrada da Morte na Bolívia é uma experiência controlada de adrenalina, embora o relevo e as curvas exijam atenção constante.
Com mais de 101 mil visualizações, o vídeo do canal O Mundo Por Onde Passamos mostra como é a experiência de andar por essa estrada:
Quais fatores explicam a fama de estrada mais perigosa do mundo?
O título de rodovia mais perigosa do mundo não é oficial, mas foi difundido por reportagens, documentários e relatos de viajantes. Para entender essa percepção, alguns critérios costumam ser analisados ao comparar a Estrada da Morte com outras rodovias de risco.
Entre os principais pontos que ajudam a explicar essa reputação internacional, destacam-se:
- Infraestrutura: largura da pista, tipo de pavimento, guarda-corpos e sinalização disponível.
- Condições climáticas: neblina, chuvas intensas, deslizamentos e variação brusca de altitude.
- Volume de tráfego: presença histórica de caminhões e ônibus em mão dupla em faixa estreita.
- Histórico de acidentes: registros frequentes de quedas em penhascos e colisões frontais.
- Uso atual da estrada: transição de corredor logístico diário para rota turística monitorada.
Como a nova rodovia mudou a realidade dos Yungas?
A abertura da rodovia moderna entre La Paz e os Yungas representou uma virada para moradores e transportadores, com pistas mais largas, trechos asfaltados e melhor estrutura de segurança. Isso reduziu atrasos, facilitou o escoamento de produtos agrícolas e diminuiu a exposição a riscos extremos.
Hoje, a nova rodovia funciona como corredor mais seguro, enquanto a antiga Estrada da Morte permanece como símbolo histórico e rota turística desafiadora. A convivência desses dois caminhos mostra como investimentos em infraestrutura podem transformar uma rota de alto risco em um patrimônio de memória e aventura controlada.

