A mineração de diamantes na Sibéria revela uma das maiores cicatrizes feitas pelo homem na Terra: a Mina Mir. Localizada na Rússia, esta operação colossal enfrenta climas extremos para extrair as pedras preciosas mais valiosas do mercado global.
Onde fica e como surgiu a cidade de Mirny?

A cidade de Mirny foi construída no meio do nada, no leste da Sibéria, exclusivamente para abrigar os trabalhadores da mina. O local é conhecido pelo seu clima severo, onde as temperaturas podem despencar para impressionantes -50°C durante o inverno.
A sobrevivência da cidade depende inteiramente da extração mineral operada pela gigante Alrosa. Mesmo em condições tão hostis, milhares de pessoas vivem e trabalham na região, movidas pela economia bilionária gerada pela busca incessante pelos diamantes.
Quais as dimensões e a profundidade da Mina Mir?
A Mina Mir é um buraco tão vasto que possui cerca de 1,2 km de diâmetro e mais de 500 metros de profundidade. Ela é tão profunda que o espaço aéreo acima dela foi fechado para helicópteros, devido às correntes de ar descendentes que o buraco cria.
Para que você compreenda a transição tecnológica da extração, preparamos uma comparação entre as fases de operação da mina:
| Fase de Operação | Método de Extração | Situação Atual |
| Fase 1 (1957-2001) | Mineração a céu aberto (Open Pit) | Desativada devido à profundidade e riscos |
| Fase 2 (Atual) | Mineração subterrânea (Underground) | Ativa com túneis a 1.000 metros de profundidade |
| Fase 3 (Processamento) | Usinas de trituração e separação | Automatizada com raios-X e banhos químicos |
Como é feita a extração do kimberlito no subsolo?
A mineração de diamantes ocorre na rocha chamada kimberlito, uma formação vulcânica que transporta as gemas das profundezas da Terra para a superfície. Atualmente, a extração é feita em túneis profundos, onde a temperatura é curiosamente mais agradável que na superfície.
Para mergulhar nas profundezas de uma das maiores minas feitas pelo homem, selecionamos o conteúdo do canal Free Doc Bites. No vídeo a seguir, o documentário detalha visualmente o interior da mina Mir na Sibéria, enfrentando temperaturas de -50 graus para mostrar o processo de extração e classificação de diamantes que valem milhões de dólares:
Máquinas perfuradoras gigantes trituram as paredes de rocha em um ambiente poeirento e controlado. Todo o material extraído é transportado para usinas na superfície, onde passará por processos mecânicos para isolar os diamantes sem danificar sua estrutura natural.
Qual a tecnologia usada na separação das pedras?
Como o diamante é a substância mais dura da natureza, as rochas de kimberlito são trituradas em pedaços pequenos que não afetam a integridade das gemas. O uso de máquinas de raio-X é fundamental, pois o diamante brilha sob essa radiação, permitindo sua detecção automática.
Para ilustrar o rigor e a escala desta indústria, listamos os dados técnicos da operação russa:
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Profundidade Total: Túneis que alcançam 1.000 metros abaixo do solo.
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Produção: A Alrosa responde por cerca de 25% da oferta mundial de diamantes.
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Triagem: Feita majoritariamente por mulheres em salas de segurança máxima.
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Segurança: Monitoramento constante para evitar qualquer extravio de material bruto.
Como funciona a triagem e a segurança das gemas?
Após a extração, os diamantes brutos vão para uma sala de triagem onde são classificados manualmente por tamanho, peso (quilates) e pureza. Em uma única mesa de trabalho, podem estar expostos mais de US$ 5 milhões em pedras recém-saídas da terra.
Segundo dados do IBGE sobre o comércio exterior brasileiro, o setor mineral é estratégico para qualquer nação. Na Rússia, as funcionárias desenvolvem uma “imunidade” ao valor das gemas, tratando-as apenas como objetos de trabalho, garantindo que o fluxo global de joias continue ininterrupto.

