Imagine o estrondo do que teria sido a maior cachoeira do sistema solar despencando de uma altura quatro vezes superior ao Salto Ángel. Há mais de 3 bilhões de anos, essa força da natureza moldou a superfície de Marte, criando cicatrizes geológicas em um cânion colossal que a ciência hoje consegue ler como um livro aberto.
Como os cientistas identificaram a maior cachoeira do sistema solar em um planeta seco?
A reconstrução desse passado aquático foi possível graças aos “olhos” de sondas orbitais, como a Mars Reconnaissance Orbiter (NASA) e a Mars Express (ESA). Operando na órbita marciana, esses equipamentos enviam dados topográficos detalhados que permitem aos geólogos “viajar no tempo”.
Utilizando câmeras de alta resolução, as missões mapearam o Echus Chasma, um cânion impressionante com 10 km de largura e 100 km de extensão. As marcas de erosão nas rochas indicam que águas de inundações catastróficas desceram das terras altas, mergulhando em penhascos verticais para formar o que os modelos sugerem ter sido a queda d’água mais alta já documentada pela astronomia.
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Qual a real magnitude da maior cachoeira do sistema solar frente à Terra?
Para entender a magnitude do que aconteceu em Marte, é preciso colocar os números lado a lado com as referências terrestres. O evento hidrológico marciano, em termos de altura e volume, superaria qualquer fenômeno natural que conhecemos hoje.
| Característica | Cachoeira de Marte (Echus Chasma) | Salto Ángel (Terra) |
|---|---|---|
| Altura da Queda | 4.000 metros (estimada) | 979 metros |
| Largura do Cânion | 10 quilômetros | Variável (estreito) |
| Contexto | Inundação catastrófica regional | Fluxo constante de rio |
Essa tabela evidencia que essa hipótese de maior cachoeira do sistema solar não foi apenas uma queda d’água comum, mas um evento de energia hidráulica extrema capaz de escavar a crosta do planeta em profundidades abissais.
O que provocou a extinção da maior cachoeira do sistema solar?
O fluxo violento que alimentou essa cascata não durou para sempre. A partir de cerca de 3,7 bilhões de anos atrás, Marte começou a perder atmosfera e água, iniciando sua transição para o deserto gelado que vemos hoje. A água líquida que corria com fúria congelou ou evaporou, restando apenas o registro fóssil da erosão nas paredes do cânion.
Hoje, grande parte dessa água antiga está aprisionada nas calotas polares ou no subsolo, deixando o Echus Chasma como um monumento silencioso de uma era vibrante.

Por que a região é um alvo prioritário na busca por vida?
Além da região da cachoeira, dados orbitais (especialmente do instrumento CRISM) revelaram depósitos com mais de 400 metros de espessura na antiga bacia de Eridania. Esses sedimentos são interpretados como vestígios de fontes hidrotermais, ambientes onde água quente e rica em minerais brota do fundo.
- Janela Temporal: O mar de Eridania existiu na mesma época em que a vida estava surgindo na Terra.
- Energia Química: As fontes hidrotermais fornecem calor e nutrientes, essenciais para microrganismos primitivos.
- Preservação: Marte preservou muitas dessas “pistas” melhor do que a Terra, que recicla a crosta com a tectônica de placas.
Muitos astrobiólogos consideram que, se houve vida em Marte, ambientes como esses seriam fortes candidatos a berços dessa vida, muito antes da seca que extinguiu a possível maior cachoeira do sistema solar.
Como as simulações científicas reconstroem a paisagem marciana?
Recriar mentalmente uma queda d’água de 4 quilômetros exige ajuda visual. A série “The Planets”, produzida com rigor científico, utilizou os dados de topografia das missões espaciais para simular essa paisagem.
O canal BBC Earth Science, uma autoridade em documentários naturais com milhões de seguidores, publicou uma reconstrução impressionante que nos transporta para a beira desse abismo marciano:
Explorar a história geológica revelada pela Mars Express e MRO nos lembra que olhar para Marte não é apenas estudar rochas, mas investigar um passado onde grandes lagos e rios transformaram a paisagem, sugerindo que não estamos tão sozinhos na história da água no cosmos.

