O setor de terras raras em Minas Gerais vive um momento de transição estratégica com a busca de US$ 1 bilhão em investimentos pela mineradora Terra Brasil. O projeto, localizado no Alto Paranaíba, foca na extração de minerais críticos como subproduto da indústria de fertilizantes.
Qual é o estágio atual do projeto de terras raras em Minas Gerais?
Atualmente, o projeto da Terra Brasil encontra-se em fase de captação de recursos e estruturação industrial para escalonar a produção. Embora existam protocolos de intenção com investidores dos EUA e da União Europeia, o aporte total de US$ 1 bilhão ainda é uma meta para viabilizar a operação plena.
Diferente de projetos vizinhos em Poços de Caldas, que já operam plantas piloto, o empreendimento em Patos de Minas foca na integração produtiva. A expectativa é que, com a consolidação dos investimentos, o estado amplie sua participação no mercado global de elementos como neodímio e praseodímio.

Por que o modelo de negócio da Terra Brasil é considerado inovador?
O grande diferencial deste projeto é o aproveitamento de jazidas de fosfato para extrair terras raras em Minas Gerais como um subproduto valioso. Esse método reduz drasticamente os custos operacionais e o impacto ambiental, permitindo uma mineração com foco em resíduo zero e economia circular.
Ao associar a produção de minerais críticos à de fertilizantes, a empresa garante uma receita diversificada e maior resiliência financeira. Para que você compreenda como o Brasil tenta se diferenciar dos métodos tradicionais de extração, preparamos uma comparação técnica baseada na maturidade e escala do setor:
| Critério de Mercado | Cenário do Brasil (2026) | Cenário da China (Líder Global) |
| Market Share | Menos de 2% da produção mundial | Entre 70% e 90% do mercado global |
| Estágio Industrial | Plantas piloto e início de escala | Cadeia completa (Extração a Ímãs) |
| Modelo de Extração | Foco em subprodutos e sustentabilidade | Extração direta em larga escala |
Como o Brasil se posiciona frente ao domínio chinês no setor?
Apesar de possuir a segunda maior reserva do mundo, o Brasil ainda é um player iniciante na produção industrial, tendo entregue apenas volumes simbólicos em 2024. A estratégia nacional, monitorada pela Agência Nacional de Mineração (ANM), foca em atrair tecnologia de refino para agregar valor ao minério bruto.
A quebra do monopólio da China é vista como um objetivo de longo prazo, exigindo não apenas a extração, mas a fabricação local de ímãs de terras raras. O interesse estrangeiro no Brasil cresce justamente pela necessidade global de diversificar as fontes de suprimento para as indústrias de alta tecnologia.
Para desvendar os mistérios dos minerais estratégicos e sua presença em território nacional, selecionamos o conteúdo do canal Manual do Mundo, que já conta com mais de 18 milhões de inscritos. No vídeo a seguir, Iberê Thenório explica o que são as terras raras, por que são fundamentais para a tecnologia atual e mostra a radioatividade presente nas areias monazíticas brasileiras:
Quais são os principais desafios regulatórios e financeiros para 2026?
O cenário atual exige cautela, pois o leilão de novas áreas estratégicas foi postergado pela ANM no início de 2026, impactando o cronograma de novos projetos. Além disso, a captação do bilhão de dólares necessário pela Terra Brasil depende da estabilidade econômica e de licenças ambientais complexas.
Para entender a base geológica e o potencial que sustenta esses planos ambiciosos, apresentamos os indicadores oficiais fornecidos pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) e dados regionais:
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Produção Histórica: O Brasil produziu apenas 20 toneladas em 2024, evidenciando o estágio inicial.
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Potencial de Reservas: O país detém mais de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras.
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Localização: Foco nas cidades de Patos de Minas e Presidente Olegário no Alto Paranaíba.
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População Local: Patos de Minas possui cerca de 160 mil habitantes, segundo o IBGE.
Qual o impacto esperado para a economia regional do Alto Paranaíba?
Se os investimentos forem confirmados, a região de Patos de Minas poderá se tornar um hub tecnológico para a transição energética brasileira. A geração de empregos qualificados e o aumento da arrecadação de royalties minerais (CFEM) são as principais promessas para os municípios envolvidos.
O sucesso do Vale das Terras Raras depende da capacidade do país em transformar potencial geológico em realidade industrial competitiva. Para os moradores e investidores, 2026 será o ano decisivo para provar se o Brasil pode, de fato, se tornar uma alternativa viável à hegemonia asiática.

