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Com o processamento de 500 toneladas de rocha para cada quilo de urânio, a ciência cria o plutônio através da transmutação atômica dentro de reatores

Ryan Cardoso Por Ryan Cardoso
02/04/2026
Em Curiosidades, ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Saber como o plutônio é criado é mergulhar nos segredos da física nuclear e da engenharia de alta segurança. Este metal, que não existe livre na natureza, é forjado artificialmente através da transmutação de átomos de urânio dentro de reatores nucleares.

Qual a origem do urânio usado na criação do plutônio?

O início de como o plutônio é criado depende da mineração de rochas de uraninite. É necessário processar mais de 500 toneladas de rocha para obter apenas 1 kg de Urânio-238 puro, que é purificado e prensado em pequenas pastilhas pretas de dióxido de urânio.

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Essas pastilhas são a matéria-prima básica para o processo nuclear. Elas possuem uma densidade altíssima e são montadas em hastes metálicas que formarão o combustível do reator, iniciando uma jornada de transformação atômica sem precedentes na natureza.

Com o processamento de 500 toneladas de rocha para cada quilo de urânio, a ciência cria o plutônio através da transmutação atômica dentro de reatores
(Imagem ilustrativa)Criação artificial de plutônio através da transmutação de urânio e do processo químico em reatores nucleares

Como ocorre a transmutação nuclear dentro do reator?

Dentro do núcleo do reator, as hastes de urânio são bombardeadas intensamente por nêutrons em um ambiente de água ultrapura. Esse bombardeio causa uma alteração no núcleo dos átomos de Urânio-238, convertendo-os lentamente em átomos de Plutônio-239.

Para que você compreenda as diferenças fundamentais entre esses elementos radioativos, preparamos uma comparação técnica baseada em suas propriedades:

Elemento Químico Origem Uso Principal Nível de Perigo
Urânio-238 Natural (Mineração) Combustível de Reatores Moderado (Estável)
Plutônio-239 Artificial (Reator) Energia e Defesa Altíssimo (Letal)
Urânio-235 Natural (Enriquecido) Fissão Nuclear Alto

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Por que as piscinas de resfriamento são etapas vitais?

Ao saírem do reator, as hastes estão incandescentes e emitem níveis de radiação fatais para qualquer ser vivo. Elas são submersas em piscinas profundas de concreto armado por meses, onde a água atua como escudo contra a radiação e resfria o material.

Esse período de “decaimento radioativo” é essencial para estabilizar o plutônio recém-formado. Somente após essa fase de resfriamento é que o material pode ser transportado para as unidades de processamento químico sob protocolos de segurança máxima e blindagem de chumbo.

Para explorar os limites da ciência e da segurança industrial, destacamos o canal Explico Pra Você. O vídeo detalha o impressionante e rigoroso processo de fabricação do plutônio, revelando como esse metal, considerado um dos mais perigosos do mundo, é manipulado em instalações de segurança máxima:

Como o processo PUREX isola o plutônio purificado?

O isolamento definitivo ocorre através do processo PUREX, onde as hastes são dissolvidas em ácido nítrico fervente. Solventes químicos são utilizados para separar o plutônio dos restos de urânio e dos resíduos tóxicos resultantes da fissão nuclear.

A purificação exige tecnologia de ponta para manipular substâncias que pegariam fogo ao simples contato com o oxigênio. Para auxiliar sua compreensão, listamos os produtos finais gerados após essa complexa extração química:

  • Plutônio Líquido: Purificado e denso, de cor amarelada.

  • Urânio Recuperado: Que pode ser reutilizado em novos ciclos.

  • Lixo Atômico: Resíduos de alta atividade que exigem armazenamento geológico.

  • Pastilhas de Óxido: O formato sólido final para uso civil ou militar.

Como o Brasil regula o uso de materiais nucleares?

A gestão de materiais radioativos em território nacional é de responsabilidade exclusiva da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear). O país utiliza tecnologia nuclear para fins pacíficos, como a geração de energia em Angra e a produção de radiofármacos no IPEN.

O controle rigoroso garante que o processo de criação e manipulação desses elementos siga tratados internacionais de não proliferação. Entender a ciência por trás desses metais é reconhecer a complexidade da matriz energética mundial e os desafios da segurança nuclear global.

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