A fabricação da gelatina é um exemplo fascinante de eficiência industrial, transformando subprodutos animais em um dos ingredientes mais versáteis do mundo. Esse processo complexo converte tecidos rígidos em uma proteína pura e solúvel, essencial tanto para a culinária quanto para a medicina.
De onde vem a matéria-prima para a fabricação da gelatina?
Ao contrário do que muitos pensam, a gelatina não é sintética; ela é obtida a partir do colágeno presente na pele, ossos e cartilagens de bovinos e suínos. Esses subprodutos são recolhidos em matadouros e transportados sob rigoroso controle térmico para evitar qualquer deterioração antes do processamento.

O Brasil possui um dos maiores rebanhos comerciais do mundo, o que torna o país um grande produtor dessa matéria-prima. O volume de abate e a disponibilidade desses subprodutos são dados econômicos importantes, monitorados periodicamente pelo IBGE para medir a atividade pecuária.
Como o colágeno é extraído dos tecidos animais?
O processo de extração envolve quebrar as ligações do colágeno através de banhos químicos específicos para cada tipo de material. Peles de porco passam por um tratamento ácido (Tipo A) rápido, enquanto ossos bovinos ficam imersos em soluções alcalinas de cal (Tipo B) por semanas.
Após esse tratamento químico, o material é cozido em água em diferentes temperaturas, variando de 50ºC a 90ºC. A primeira extração, feita em temperaturas mais baixas, resulta em uma gelatina mais transparente e com maior poder de gelificação, sendo a de melhor qualidade.
Etapas do processo industrial:
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Lavagem e corte das peles e ossos.
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Tratamento químico (ácido ou alcalino).
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Extração térmica em água quente.
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Filtragem, evaporação e secagem.
O que acontece durante a purificação e secagem?
O líquido extraído passa por filtros de alta precisão e carvão ativado para remover qualquer cor, cheiro ou impureza sólida. Em seguida, a água é evaporada até que o produto se transforme em um xarope viscoso e concentrado, pronto para a solidificação.
Para desvendar a origem e o processamento de uma das sobremesas mais populares das casas brasileiras, destacamos o conteúdo do canal Tudo Tech HD. No vídeo a seguir, os especialistas detalham visualmente como a gelatina é feita, desde a extração do colágeno de matérias-primas bovinas e suínas até a transformação em pó ou folhas utilizadas na culinária e na indústria farmacêutica:
Para a secagem final, esse xarope é resfriado e transformado em “macarrão” ou folhas finas, que secam rapidamente em túneis de vento. O produto seco é então moído até virar o pó fino que conhecemos, que pode ser misturado com açúcar e corantes para uso doméstico.
A gelatina serve apenas para fazer sobremesas?
Não, a versatilidade da gelatina vai muito além da cozinha, sendo vital para a indústria farmacêutica na produção de cápsulas de remédios. Além disso, por ser rica em colágeno, ela auxilia no fortalecimento de unhas, cabelos e articulações, sendo um suplemento popular.
A segurança desse ingrediente é fundamental, já que ele é consumido diretamente e usado em medicamentos. No Brasil, a regulação de aditivos alimentares e produtos de origem animal segue normas estritas da ANVISA para garantir a saúde do consumidor.
Benefícios e usos principais:
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Culinária: Sobremesas, balas e espessantes.
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Farmacêutica: Cápsulas duras e moles para remédios.
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Cosmética: Cremes e tratamentos de colágeno.
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Saúde: Fortalecimento de ossos e articulações.
| Tipo de Processo | Matéria-Prima Principal | Método Químico | Tempo de Tratamento |
| Tipo A | Peles de suínos | Ácido | Rápido (até 48 horas) |
| Tipo B | Ossos e peles bovinas | Alcalino (Cal) | Lento (semanas/meses) |

