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Com 93 anos de obras e 110 km de lama no trecho norte, a rodovia BR-156 é a construção mais antiga em andamento no Brasil e isola o Amapá

Ryan Cardoso Por Ryan Cardoso
18/01/2026
Em ECONOMIA, ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Quando a primeira pá de terra foi movida na BR-156, em 1932, Brasília não existia e o homem ainda sonhava em ir à Lua. Quase um século depois, esta rodovia no Amapá continua incompleta, um recorde negativo que a transforma em um monumento ao descaso.

Por que a BR-156 é um mapa da vergonha?

A BR-156 é a espinha dorsal do Amapá, projetada para cortar o estado de ponta a ponta em 823 km, ligando Laranjal do Jari, no sul, a Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. A viagem que deveria ser uma rota estratégica para o comércio é, na verdade, uma odisseia de lama e isolamento.

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(Imagem ilustrativa)Situação da rodovia BR-156 que completa 93 anos em obras e mantém trechos isolados pela lama

O gargalo principal está no trecho norte, onde cerca de 110 km ainda são de terra batida. Durante o “inverno amazônico” (período de chuvas), a estrada se transforma em atoleiros intransitáveis, isolando comunidades e paralisando a economia local por semanas a fio.

Fatos que aconteceram depois do início da BR-156:

  • A criação da cidade de Brasília.

  • A chegada do homem à Lua.

  • A invenção da internet e dos smartphones.

  • A construção e queda do Muro de Berlim.

Por que, após 93 anos, a obra ainda não terminou?

A história da BR-156 é um ciclo vicioso de promessas eleitorais e contratos que começam e param. Bilhões de reais já foram investidos, muitas vezes em paliativos como a “manutenção da estrada de terra”, que o inverno amazônico desfaz a cada ano.

Para conhecer um projeto vital para a integração regional no Brasil, selecionamos o conteúdo do canal do Ministério da Integração Desenvolvimento Regional. No vídeo, especialistas detalham visualmente as obras na BR-156, que prometem acabar com o isolamento do Amapá e conectar o estado de forma definitiva ao restante do país:

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pela rodovia federal, enfrenta desafios logísticos e burocráticos, mas a falta de uma solução definitiva ao longo de décadas evidencia uma falha crônica de planejamento e prioridade política para a região.

Leia também: Capaz de erguer 72 toneladas de uma só vez, o titã de 2.300 cavalos com pneus de 4 metros é a maior pá carregadeira do mundo

Qual o potencial desperdiçado com a fronteira fantasma?

No Oiapoque, uma moderna ponte binacional conecta o Brasil à Guiana Francesa e, consequentemente, à União Europeia. No entanto, ela é uma “ponte para lugar nenhum”, pois a BR-156 impede que caminhões de carga cheguem até ela de forma segura e competitiva.

O potencial de integração econômica e comercial é totalmente desperdiçado. A precariedade da estrada encarece o frete, danifica veículos e torna o custo de vida no norte do Amapá um dos mais altos do Brasil.

Consequências diretas do abandono:

  • Isolamento de municípios durante o período de chuvas.

  • Encarecimento de alimentos e combustíveis.

  • Prejuízo para a cadeia produtiva local.

  • Inviabilização do corredor comercial com a Europa.

Qual o impacto real no dia a dia do amapaense?

Para os moradores, o impacto vai além da economia. É a violação do direito de ir e vir, a dificuldade de acesso a serviços de saúde e a sensação de abandono. O desenvolvimento do estado, cujos dados socioeconômicos são monitorados pelo IBGE Cidades, fica refém da lama.

A BR-156 não é apenas uma estrada ruim; é um símbolo do descaso federal com a Região Norte e um legado de atraso que já dura quase um século.

Promessa da BR-156 Realidade Atual
Integração Nacional Isolamento e dependência de balsas.
Comércio com a Europa Ponte moderna subutilizada.
Desenvolvimento Custo de vida elevado e logística precária.

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