O projeto SWAIS2C cravou um recorde de peso ao furar a camada mais grossa de gelo da Antártida Ocidental para resgatar rochas e amostras raras. Essa equipe internacional de cientistas retirou o maior núcleo de sedimentos já registrado na história para prever os riscos do clima global.
O que é e como funciona o projeto SWAIS2C?
O foco principal da missão é calcular a sensibilidade da camada de gelo da Antártida Ocidental frente ao aquecimento global direto. Os cientistas querem medir o estrago caso a temperatura média suba 2°C acima dos padrões pré-industriais. Essa previsão ajuda a afinar os modelos mundiais do nível do mar com dados precisos.
Para chegar na terra firme, a equipe acampou na isolada Crary Ice Rise e perfurou o assoalho congelado duro. Eles usaram uma broca térmica de água quente combinada com um sistema rotativo pesado. Todo o esquema logístico dessa operação de risco foi detalhado na página oficial da missão internacional.

Quais são os números oficiais dessa perfuração extrema?
Abaixo estão os dados cravados pelos pesquisadores na plataforma de extração profunda:
| Categoria da Operação | Marca Atingida |
|---|---|
| Espessura de gelo perfurada | 523 metros |
| Comprimento do núcleo extraído | 228 metros |
| Idade máxima dos registros | 23 milhões de anos |
O alvo inicial era buscar apenas 200 metros de lama e pedra preservados no fundo do oceano gelado. No final das contas, o time entregou um cilindro maciço superando as expectativas e apagou totalmente o recorde anterior, que era de míseros dez metros de comprimento.
Quais foram os maiores desafios da expedição polar?
As tentativas antigas deram errado por causa de falhas técnicas nas máquinas pesadas de base no meio do nada. A região isolada fica a mais de 700 km do porto seguro mais próximo, a conhecida Scott Base. O frio forçou a equipe a realizar turnos estressantes de 24 horas ininterruptas.
Os principais obstáculos práticos superados pelo time de geólogos e engenheiros envolveram os seguintes pontos:
- Montagem das tendas de lona reforçada em uma região com ventanias agressivas e constantes.
- Derretimento frenético da neve local para alimentar a broca térmica de água sem parar.
- Manuseio braçal de mais de 1.300 metros de tubos maciços de aço na plataforma central.
O que o núcleo de sedimentos revela sobre o passado?
As camadas de terra e pedra mostram que a Antártida já passou por fases de oceano totalmente aberto sem as barreiras de gelo grossas. Os microfósseis marinhos achados na base do tubo contam o histórico natural desde o chamado Mioceno inicial. Todo o material bruto passou por testes de raio-X na própria tenda de campanha militar montada na neve.
Esses traços provam que a fundação da plataforma flutuante sofre bastante com a entrada agressiva de correntes de água quente. Você consegue analisar as imagens dos tubos imensos de rocha diretamente no portal logístico do governo da Nova Zelândia. A análise final das amostras vai ocorrer nos laboratórios de alta tecnologia espalhados pela Europa.

Qual é o risco do derretimento total dessa camada de gelo?
A maior dor de cabeça da geologia moderna é a perda veloz de massa que os satélites de mapeamento marcam todos os dias. Se toda a bacia da Antártida Ocidental derreter de vez, o nível global da água pode subir entre 4 e 5 metros. Esse volume absurdo afundaria o litoral do globo de forma muito violenta em pouco tempo.
Os pedaços da crosta terrestre resgatados agora vão alimentar os computadores dos centros de pesquisa com informações sólidas e inquestionáveis. Eles vão conseguir antecipar com mais firmeza o que o mundo vai enfrentar na próxima década com o aquecimento das águas. É uma cartada certeira da ciência para garantir a proteção costeira das futuras gerações urbanas.

