Uma pequena cidade no leste de Mato Grosso do Sul está prestes a vivenciar uma revolução econômica sem precedentes. Com pouco mais de 8.700 habitantes, o município de Inocência foi o local escolhido para receber a maior fábrica de celulose do mundo, fruto de um aporte bilionário que promete redefinir a infraestrutura local.
O que é o Projeto Sucuriú?
A iniciativa é liderada pela multinacional chilena Arauco, gigante do setor florestal, que desenhou um plano ambicioso para sua entrada na produção de celulose no Brasil. Batizado de Projeto Sucuriú, o complexo industrial representa um investimento de US$ 4,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 24,7 bilhões na cotação atual.
Conforme confirmado pelo Governo de Mato Grosso do Sul após aprovação do conselho da empresa, a planta será a maior linha única de produção de celulose do planeta. A magnitude da obra coloca a região no centro das atenções do mercado global de commodities.

Como a economia local será impactada?
O impacto demográfico e econômico será imediato. Durante a fase de construção, a estimativa é que sejam criados 14 mil empregos diretos e indiretos. Esse número supera com folga a população total atual da cidade, gerando uma demanda urgente por serviços e infraestrutura.
Após o início das operações, previsto para o final de 2027, o cenário de empregabilidade se manterá robusto. Cerca de 6 mil empregos permanentes devem ser mantidos, garantindo renda e desenvolvimento a longo prazo para a população sul-mato-grossense.
Quais são os números técnicos da operação?
A fábrica ocupará uma área colossal de 3.500 hectares e terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose ao ano. A produção tem destino certo: o mercado externo.
Para visualizar a dimensão técnica desse empreendimento, confira os dados principais na tabela abaixo:
| Indicador | Detalhe do Projeto | Objetivo |
|---|---|---|
| Capacidade anual | 3,5 milhões de toneladas | Liderança mundial no setor |
| Destino da carga | 95% a 98% exportação | Atender China, Europa e EUA |
| Energia gerada | 400 megawatts | Autossuficiência total |
| Excedente energético | 200 megawatts | Abastecer rede nacional |

A fábrica será sustentável?
A eficiência energética é um dos pilares centrais do projeto. A usina funcionará queimando biomassa e reaproveitando resíduos do processo industrial, eliminando a necessidade de comprar energia externa.
Segundo dados técnicos divulgados pelo Projeto Sucuriú, a planta vai gerar 400 megawatts de energia limpa. Como a operação consome apenas metade disso, o excedente de 200 MW será injetado no sistema elétrico brasileiro, quantidade suficiente para abastecer uma cidade de 800 mil habitantes.
Por que a escolha dessa região?
A decisão de instalar o complexo em Inocência segue uma lógica de integração logística e florestal. A proximidade com as áreas de plantio reduz custos e otimiza o transporte da madeira até a indústria.
De acordo com estudos sobre dinâmica regional na Revista de Economia e Sociologia Rural, grandes projetos agroindustriais tendem a criar polos de desenvolvimento que extrapolam os limites da fábrica, fomentando cadeias de fornecedores e serviços em todo o entorno.
Com esse movimento, o Brasil consolida sua posição estratégica. A nova fábrica da Arauco não apenas exportará matéria-prima, mas servirá como âncora para transformar o perfil socioeconômico do leste do Mato Grosso do Sul nas próximas décadas.

