A painita é um daqueles minerais que parecem ter saído de uma história pouco divulgada da geologia. Durante boa parte do século XX, essa pedra foi citada em publicações científicas como o mineral mais raro do mundo, conhecida apenas por especialistas e por um grupo muito restrito de colecionadores, permanecendo quase invisível fora dos laboratórios e vitrines especializadas em minerais raros.
O que é a painita e quais são suas principais características?
A painita é um borato mineral de coloração entre o marrom-avermelhado e o vermelho-alaranjado, às vezes com reflexos que lembram rubis ou granadas. Sua combinação incomum de elementos, como zircônio e vanádio, e sua estrutura cristalina específica a tornam distinta de outras gemas avermelhadas.
Entre as propriedades que chamam a atenção estão a dureza relativamente alta, suficiente para uso cuidadoso em joalheria, e a raridade geológica, com poucos depósitos conhecidos. Em joias, aparece quase sempre em peças únicas ou séries muito limitadas, voltadas a colecionadores e entusiastas de gemas exóticas.

Por que a painita foi considerada o mineral mais raro do mundo?
Durante décadas, o número de exemplares conhecidos de painita cabia literalmente nas mãos, o que levou muitos autores a classificá-la como o mineral mais raro do planeta. Antes de técnicas modernas de análise, alguns cristais eram facilmente confundidos com outros minerais vermelhos, mantendo o total oficial extremamente baixo.
Mesmo após novas descobertas a partir dos anos 2000, a quantidade de material em qualidade gemológica permanece restrita. Assim, enquanto diamantes, rubis e esmeraldas dominavam o imaginário popular, a painita seguia quase como um “segredo” entre museus, laboratórios e colecionadores especializados.
Como a painita foi descoberta e onde ela é encontrada?
A história da painita começa em Mianmar (antigo Burma), região já famosa por rubis de alta qualidade. Na década de 1950, o negociante britânico Arthur C. D. Pain adquiriu cristais suspeitos, que após análise revelaram uma composição inédita, dando origem ao novo mineral que recebeu seu nome.
Por muitos anos, quase não surgiram novos exemplares além daqueles distribuídos entre museus e instituições científicas. Com o avanço da prospecção no século XXI, novos depósitos foram identificados principalmente em Mianmar, consolidando o país como a principal fonte mundial desse mineral raro.
Com mais de 4 mil curtidas, o vídeo do perfil Davi Madu (@davimadu_geo) conta a história desse mineral:
@davimadu_geo A impressionante painita! 🤯 #pedraspreciosas #esmeraldas #diamantes #curioso
Como funciona o mercado e o valor da painita?
No mercado de colecionadores, a painita é tratada como item de nicho, com preços altos em exemplares transparentes e bem lapidados. A oferta é limitada, especialmente para pedras em qualidade de joalheria, e cada amostra costuma ser acompanhada de documentação detalhada de origem.
Alguns fatores influenciam diretamente o valor de uma pedra de painita e ajudam a explicar por que certas peças alcançam cifras expressivas:
- Tamanho do cristal ou da pedra lapidada.
- Transparência e quantidade de inclusões internas.
- Cor, variando de tons mais intensos a tons acastanhados.
- Origem documentada e histórico de procedência da peça.
Por que a painita continua desconhecida para a maior parte do público?
Mesmo em 2026, a painita ainda não faz parte do vocabulário comum sobre pedras preciosas, em grande parte pela baixa disponibilidade em joalherias tradicionais. A forte presença de gemas clássicas no imaginário coletivo também dificulta que minerais ultrarraros ganhem espaço fora de nichos especializados.
Assim, a painita permanece em um lugar particular entre raridade extrema, valor de colecionador e interesse científico. Sua trajetória mostra como um mineral pode permanecer quase invisível por décadas e, ainda assim, ser fundamental para compreender a diversidade de materiais formados no interior da Terra.

