No interior de Santa Catarina, a cidade de Pomerode preserva o maior acervo de edificações em técnica Enxaimel fora da Alemanha. Fundada oficialmente em 1959, mas com raízes que remontam a 1861, a localidade mantém viva a engenharia ancestral de imigrantes que buscavam progresso em terras brasileiras.
Como funciona a engenharia das casas construídas sem parafusos
A técnica conhecida como Enxaimel baseia-se em uma estrutura de madeiras encaixadas milimetricamente, utilizando apenas pinos de madeira para garantir a sustentação, sem o uso de parafusos ou pregos. Esse método permite que a casa seja inteiramente desmontada e transportada para outro local caso a família decida se mudar.
Cada viga possui uma numeração entalhada que serve como um guia para a remontagem, funcionando como um gigantesco quebra-cabeça estrutural. O preenchimento entre os vãos de madeira pode ser feito com tijolos ou pedras, mas é o esqueleto de madeira que garante a flexibilidade e a longevidade das construções que superam um século.

Qual é o segredo da conservação das tradições em Pomerode
A preservação histórica é incentivada por roteiros culturais e museus que resgatam o cotidiano dos colonos alemães, como o Memorial Carl Weege e a Casa do Imigrante. Esses locais exibem móveis originais, fogões antigos e maquinários que demonstram como a vida era organizada antes da eletricidade.
Além da arquitetura, a cidade celebra eventos que reforçam a herança cultural, como a Osterfest, famosa por abrigar o maior ovo de Páscoa do mundo, registrado no Guinness Book. Abaixo, destacamos alguns pontos fundamentais que compõem o ecossistema histórico e industrial da região:
- A fábrica Nugali, onde é possível conhecer o processo de fabricação de chocolates premiados por cerca de R$ 50.
- O Museu do Automóvel, que reúne clássicos americanos do pós-guerra, como o famoso Impala.
- A Rota do Enxaimel, que concentra casas originais mantidas por gerações de descendentes alemães.
- O Museu da Schmidt, que narra a história da porcelana brasileira iniciada em São Paulo e consolidada no sul.

Como o milho movimenta o antigo maquinário comunitário
No Memorial Carl Weege, uma máquina de moer milho chamada atafona demonstra a eficiência da engenharia mecânica de décadas atrás. Movida por um sistema robusto, ela era capaz de produzir oito sacas de 50 kg por dia, atendendo às necessidades de três comunidades diferentes da região.
Esse funcionamento coletivo era vital para a economia local, garantindo o suprimento de farinha para as famílias de agricultores humildes que vieram da Pomerânia. Para entender melhor este fato, o canal QDestino produziu um conteúdo onde o autor detalha os pontos principais deste roteiro histórico.
Compreender a tecnologia e a coragem desses pioneiros nos ajuda a valorizar o patrimônio histórico brasileiro e a complexidade da nossa formação cultural. O conhecimento sobre essas técnicas de construção e convivência comunitária oferece lições valiosas sobre sustentabilidade e preservação.

