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A ameaça invisível que pode fazer um dos queijos mais amados do mundo desaparecer das prateleiras

Ryan Cardoso Por Ryan Cardoso
01/01/2026
Em ECONOMIA, Gastronomia, ÚLTIMAS NOTÍCIAS

O queijo Brie e Camembert são ícones da gastronomia mundial, mas uma crise silenciosa ameaça sua existência. Quase toda a produção global depende de uma única cepa de mofo branco que, segundo cientistas, está à beira da extinção genética.

Por que o queijo Brie e Camembert estão em risco de extinção?

O risco vem da falta de diversidade genética. Quase toda a produção mundial usa uma única cepa do mofo Penicillium camemberti, que tem sido clonada por mais de um século para garantir a aparência e o sabor padronizados que os consumidores esperam.

O fungo essencial para a produção do queijo Brie, que está ameaçado de extinção

Essa reprodução assexuada impede a evolução e torna o mofo extremamente vulnerável a doenças e mutações. Cientistas franceses alertam que a cepa está degenerando e produzindo cada vez menos esporos, um caminho que pode levar ao seu desaparecimento, assim como aconteceu com variedades de banana no passado.

Fatores de risco para o mofo:

  • Dependência de uma única cepa de mofo.

  • Falta de diversidade genética devido à clonagem.

  • Degeneração e menor produção de esporos.

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Como um único mofo ‘albino’ dominou o mundo?

Antigamente, esses queijos eram feitos com mofos selvagens e tinham cascas de cores variadas, como cinza, laranja e até azul. O sabor era muito mais intenso e rústico, refletindo a biodiversidade local da França, o berço desses queijos.

Para aprofundar a tua visão sobre a biodiversidade na gastronomia, selecionamos o conteúdo do canal Business Insider, que explora crises globais de forma detalhada. No vídeo a seguir, os especialistas detalham visualmente por que o mofo usado na produção de queijos como Brie e Camembert está sob ameaça e o que os cientistas estão a fazer para evitar o desaparecimento destes clássicos franceses:

No final do século XIX, uma mutação “albina” rara do mofo foi isolada. Seu visual branco e aveludado e sabor mais suave agradaram em cheio ao mercado, e essa única cepa foi clonada e distribuída globalmente até se tornar o padrão que conhecemos hoje.

Leia também: Na Índia, a luta de famílias para manter viva uma tradição de 500 anos: a produção de um licor de caju

Existem alternativas para salvar esses queijos?

Sim, a solução pode estar em voltar à natureza. Cientistas e produtores visionários estão pesquisando mofos “selvagens”, como o ancestral Penicillium biforme, que possui maior diversidade genética e, portanto, é muito mais robusto.

O grande desafio é encontrar cepas que sejam seguras para o consumo e que não produzam toxinas. Além disso, há o obstáculo cultural: convencer os consumidores a aceitarem um Camembert que talvez não seja perfeitamente branco, mas que seja sustentável a longo prazo.

Possíveis soluções para a crise:

  • Pesquisa e identificação de mofos selvagens seguros.

  • Reintrodução da diversidade genética na produção.

  • Educação do consumidor para novas aparências e sabores.

Qual a diferença entre um mofo ‘domesticado’ e um selvagem?

O mofo “domesticado” (P. camemberti) é previsível e esteticamente agradável, mas geneticamente frágil. A segurança de qualquer microrganismo em alimentos é uma prioridade, seguindo normas como as da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil, que regula o uso de culturas em alimentos.

Já os mofos selvagens são geneticamente diversos e resistentes, mas imprevisíveis em sabor e cor. A identidade de um queijo é protegida por regras rígidas, como as do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para produtos de origem, o que torna a introdução de novas cepas um processo complexo.

Característica Mofo “Domesticado” (P. camemberti) Mofo Selvagem (P. biforme)
Diversidade Genética Nula (clone). Alta.
Resistência Baixa, vulnerável a doenças. Alta, mais adaptável.
Aparência/Sabor Previsível (branco e suave). Imprevisível (colorido e intenso).

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