O queijo Brie e Camembert são ícones da gastronomia mundial, mas uma crise silenciosa ameaça sua existência. Quase toda a produção global depende de uma única cepa de mofo branco que, segundo cientistas, está à beira da extinção genética.
Por que o queijo Brie e Camembert estão em risco de extinção?
O risco vem da falta de diversidade genética. Quase toda a produção mundial usa uma única cepa do mofo Penicillium camemberti, que tem sido clonada por mais de um século para garantir a aparência e o sabor padronizados que os consumidores esperam.

Essa reprodução assexuada impede a evolução e torna o mofo extremamente vulnerável a doenças e mutações. Cientistas franceses alertam que a cepa está degenerando e produzindo cada vez menos esporos, um caminho que pode levar ao seu desaparecimento, assim como aconteceu com variedades de banana no passado.
Fatores de risco para o mofo:
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Dependência de uma única cepa de mofo.
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Falta de diversidade genética devido à clonagem.
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Degeneração e menor produção de esporos.
Como um único mofo ‘albino’ dominou o mundo?
Antigamente, esses queijos eram feitos com mofos selvagens e tinham cascas de cores variadas, como cinza, laranja e até azul. O sabor era muito mais intenso e rústico, refletindo a biodiversidade local da França, o berço desses queijos.
Para aprofundar a tua visão sobre a biodiversidade na gastronomia, selecionamos o conteúdo do canal Business Insider, que explora crises globais de forma detalhada. No vídeo a seguir, os especialistas detalham visualmente por que o mofo usado na produção de queijos como Brie e Camembert está sob ameaça e o que os cientistas estão a fazer para evitar o desaparecimento destes clássicos franceses:
No final do século XIX, uma mutação “albina” rara do mofo foi isolada. Seu visual branco e aveludado e sabor mais suave agradaram em cheio ao mercado, e essa única cepa foi clonada e distribuída globalmente até se tornar o padrão que conhecemos hoje.
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Existem alternativas para salvar esses queijos?
Sim, a solução pode estar em voltar à natureza. Cientistas e produtores visionários estão pesquisando mofos “selvagens”, como o ancestral Penicillium biforme, que possui maior diversidade genética e, portanto, é muito mais robusto.
O grande desafio é encontrar cepas que sejam seguras para o consumo e que não produzam toxinas. Além disso, há o obstáculo cultural: convencer os consumidores a aceitarem um Camembert que talvez não seja perfeitamente branco, mas que seja sustentável a longo prazo.
Possíveis soluções para a crise:
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Pesquisa e identificação de mofos selvagens seguros.
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Reintrodução da diversidade genética na produção.
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Educação do consumidor para novas aparências e sabores.
Qual a diferença entre um mofo ‘domesticado’ e um selvagem?
O mofo “domesticado” (P. camemberti) é previsível e esteticamente agradável, mas geneticamente frágil. A segurança de qualquer microrganismo em alimentos é uma prioridade, seguindo normas como as da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil, que regula o uso de culturas em alimentos.
Já os mofos selvagens são geneticamente diversos e resistentes, mas imprevisíveis em sabor e cor. A identidade de um queijo é protegida por regras rígidas, como as do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para produtos de origem, o que torna a introdução de novas cepas um processo complexo.
| Característica | Mofo “Domesticado” (P. camemberti) | Mofo Selvagem (P. biforme) |
| Diversidade Genética | Nula (clone). | Alta. |
| Resistência | Baixa, vulnerável a doenças. | Alta, mais adaptável. |
| Aparência/Sabor | Previsível (branco e suave). | Imprevisível (colorido e intenso). |

