O oceano subterrâneo do Brasil, também chamado de Sistema Aquífero Grande Amazônia, guarda mais de 162 mil quilômetros cúbicos de água doce. Essa reserva gigante tem potencial teórico para suprir a demanda de todo o planeta por cerca de 250 anos.
O que forma o oceano subterrâneo do Brasil?
O Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA) reúne reservatórios imensos sob as bacias do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó. A parcela mais famosa dessa rede é o Aquífero Alter do Chão, que ocupa cerca de 437.500 km² e atinge espessuras de até 1.266 metros.
Pesquisas recentes do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) ajudaram a consolidar os dados hidrogeológicos do aquífero. Com essa reavaliação científica contínua, o volume estimado de água saltou de 42.830 km³ para expressivos 162.520 km³ na última década.

Como essa reserva se compara a outros aquíferos?
Durante muito tempo, o Aquífero Guarani reinou absoluto como a principal fonte subterrânea da América do Sul. Porém, os números atuais mostram que a bacia amazônica abriga uma quantidade de água doce muito superior.
Analise as diferenças de volume entre as duas maiores reservas brasileiras.
| Característica | Sistema Grande Amazônia (SAGA) | Aquífero Guarani |
|---|---|---|
| Volume total estimado | 162.520 km³ | 37.000 km³ |
| Volume focado (Alter do Chão) | 86.400 km³ | – |
| Localização principal | Norte do Brasil | Sul e Sudeste do Brasil |
Um artigo da Embrapa analisa o cenário global e confirma que o SAGA desponta entre os maiores do mundo. O volume do Alter do Chão sozinho já supera o dobro da capacidade total do Guarani.
O Aquífero Alter do Chão pode abastecer o mundo?
A ideia de que essa água mataria a sede do planeta por 250 anos funciona apenas como uma metáfora jornalística. Esse cálculo rápido cruza o volume total estimado com o consumo global atual, mas não reflete a realidade de uma extração segura.
Projetar o abastecimento mundial ignora as barreiras técnicas e o fato de que a extração agressiva destruiria o ecossistema local. Na prática, a bacia atua como um manancial estratégico regional, suprindo cerca de 40% da demanda da cidade de Manaus.
No vídeo a seguir, o canal com mais de 8 mil inscritos, Geografossauro, fala um pouco sobre o assunto:
Quais são os principais desafios de preservação?
Apesar de parecer inesgotável, a qualidade dessa água sofre riscos reais devido à ocupação desordenada e ao saneamento precário na região norte. Existe também uma grande carência de monitoramento contínuo, pois faltam poços de observação de longo prazo.
Os especialistas apontam três obstáculos centrais para a gestão desse recurso.
- Incerteza metodológica: Diferentes estudos indicam volumes variados dependendo dos critérios de área, espessura e porosidade avaliados pelos cientistas.
- Risco de contaminação: Resíduos urbanos sem tratamento adequado acabam poluindo as áreas de recarga das águas rasas.
- Falta de governança: O sistema cruza fronteiras com vizinhos como a Bolívia e Peru, exigindo regras conjuntas de proteção.

Como garantir o futuro dessas águas subterrâneas?
O foco atual das universidades e dos especialistas em hidrologia é evitar a idealização de uma reserva infinita. Proteger o SAGA contra a poluição urbana é o caminho mais realista para garantir a segurança hídrica da Amazônia.
Com uma baixa densidade populacional e uma extração moderada, o sistema tem tudo para continuar fornecendo água de alta qualidade. O desafio não é exportar esse recurso para fora, mas administrar a fonte com inteligência e sustentabilidade no nosso território.

