Poucas viagens ferroviárias no mundo têm uma reputação tão curiosa quanto o Trem da Morte. Apesar do nome assustador, esse trajeto se tornou uma experiência clássica entre mochileiros que exploram a América do Sul, conectando a fronteira do Brasil com a Bolívia por cerca de 600 quilômetros de paisagens pouco vistas pelo turismo convencional.
Por que esse trem tem um nome tão sombrio?
O apelido surgiu no século passado, durante a construção da ferrovia que atravessa o leste boliviano. Epidemias de malária e febre amarela dizimaram milhares de trabalhadores da linha férrea, deixando um legado trágico que persiste no nome até hoje.
Na prática, a viagem atual não tem nenhuma relação com perigo real. O Trem da Morte é hoje um transporte regional importante e uma experiência turística famosa entre viajantes independentes.

Como é a viagem de 16 horas pela Bolívia?
O trajeto começa em Puerto Quijarro, cidade boliviana logo após a fronteira com Corumbá (MS), e segue até Santa Cruz de la Sierra, atravessando regiões isoladas da Chiquitania e áreas próximas ao Pantanal boliviano.
Durante o percurso, os passageiros encontram paisagens e paradas que transformam a viagem em uma expedição ferroviária autêntica:
- Cerca de 600 km cruzando regiões pouco urbanizadas
- Paradas em cidades como Roboré, San José e Aguas Calientes
- Paisagens de savanas, florestas e áreas de fronteira natural
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O Trem da Morte ainda funciona hoje?
Sim. O serviço foi retomado no início de 2026 após interrupção causada pela pandemia, operado pela empresa Ferroviaria Oriental com um modelo chamado ferrobús, capaz de transportar cerca de 42 passageiros por viagem.
A reativação tem dois objetivos principais: fortalecer o turismo regional e melhorar a conexão entre cidades isoladas da Bolívia.
Por que o trem virou ícone entre mochileiros?
A rota conecta destinos populares de backpackers que atravessam a América do Sul rumo ao Peru ou ao deserto do Atacama, tornando-se parte clássica desses roteiros continentais.
Os principais atrativos para viajantes independentes são passagens relativamente baratas para longas distâncias, experiência ferroviária autêntica fora do turismo convencional e contato direto com cidades pequenas e a cultura local da fronteira.

Vale a pena embarcar nessa aventura ferroviária?
Para quem busca viagens fora do comum, o Trem da Morte oferece algo difícil de encontrar em outros lugares. A viagem mistura história ferroviária, paisagens naturais pouco exploradas e imersão real na cultura da fronteira entre Brasil e Bolívia.
Apesar das 16 horas de duração, muitos viajantes consideram essa uma das aventuras ferroviárias mais autênticas de toda a América do Sul.


