O início do ano costuma ser marcado por despesas obrigatórias, como IPTU, IPVA, matrícula e material escolar, mas também representa um momento estratégico para reorganizar o planejamento financeiro. Esse foi o ponto de partida do debate no Papo de Dinheiro, apresentado por Felipe Nascimento, que recebeu o economista Thiago Calestine, sócio da Dom Investimentos, para discutir os investimentos para 2026.
Segundo Calestine, o começo do ano é especialmente relevante porque permite ao investidor organizar o fluxo de caixa, identificar quanto da renda estará disponível para aplicações e, principalmente, estruturar o portfólio considerando um possível ciclo de queda dos juros ao longo de 2026.
Investimentos para 2026: planejamento e cenário de juros
O economista destacou que o investidor brasileiro parte de uma condição privilegiada em comparação a outros países: uma taxa básica de juros elevada. Com a Selic em patamar alto no início do ano, a renda fixa oferece retornos expressivos mesmo em estratégias conservadoras.
“O investidor começa o ano aplicando a uma taxa próxima de 15% ao ano. Se o cenário de cortes se confirmar, esse mesmo portfólio pode terminar o ano com taxas mais baixas. Por isso, o momento de montar a carteira é agora”, explicou.
Na avaliação de Calestine, deixar todo o capital concentrado em um único produto pode fazer com que o investidor perca eficiência ao longo do ciclo de juros.
A diversificação dentro da renda fixa e a correta definição de prazos tornam-se essenciais.
Perfil de risco: o ponto de partida da carteira
Antes de escolher qualquer ativo, o economista ressaltou a importância de o investidor entender o próprio perfil de risco. Para quem está começando, a recomendação é assumir uma postura conservadora.
“Não há problema em começar conservador. No Brasil, o investidor conservador consegue retornos elevados justamente por causa do nível da taxa de juros”, afirmou.
De forma geral, os perfis se dividem em conservador, moderado e arrojado. A partir dessa definição, é possível escolher os produtos adequados, evitando exposição a volatilidade excessiva logo no início da jornada de investimentos.
Reserva de emergência e liquidez
Outro ponto central da conversa foi a necessidade de construir uma reserva de emergência antes de buscar retornos mais elevados. Essa parcela do patrimônio deve estar aplicada em ativos de alta liquidez e baixo risco.
O Tesouro Selic foi citado como um dos instrumentos mais adequados para essa finalidade, por oferecer liquidez diária e acompanhar a taxa básica de juros.
“É um produto acessível, com aplicação inicial baixa e que cumpre bem o papel de proteger o investidor em momentos de imprevisto”, explicou Calestine.
Investimentos para 2026: risco de mercado e risco de crédito
Durante o programa, o economista também diferenciou dois tipos de risco presentes nas carteiras: o risco de mercado e o risco de crédito.
O risco de mercado está associado à volatilidade de preços, comum em ações e outros ativos negociados em bolsa. Já o risco de crédito envolve a possibilidade de inadimplência do emissor, presente em produtos como CDBs, debêntures, CRIs e CRAs.
“O risco de crédito costuma ser silencioso. Muitas vezes, quando o problema aparece, já é tarde para o investidor reagir”, alertou.
Por isso, a análise do emissor e das garantias é considerada fundamental, especialmente em ativos que não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Alocação entre renda fixa e renda variável
Para ilustrar o conceito de equilíbrio entre risco e retorno, Calestine apresentou um exemplo prático: uma carteira com 90% alocada em renda fixa e 10% em renda variável.
Nesse cenário, mesmo uma queda expressiva da bolsa teria impacto limitado no patrimônio total, enquanto a parcela em renda fixa ajudaria a compensar eventuais perdas.
“A carteira ideal é aquela que permite ao investidor dormir tranquilo”, resumiu.
Segundo ele, não correr nenhum risco também pode ser um risco no longo prazo, especialmente quando o investidor deixa de aproveitar oportunidades de diversificação e ganho de eficiência.
A importância da orientação profissional
O economista também destacou que, além da escolha dos ativos, a qualidade da orientação profissional é determinante para o sucesso do investidor iniciante. Uma carteira desalinhada ao perfil de risco pode gerar frustrações e afastar o investidor do mercado.
“Acertar na pessoa que orienta o investimento é quase tão importante quanto acertar nos produtos”, afirmou.
Ao final do programa, Felipe Nascimento ressaltou que compreender conceitos como risco, liquidez e diversificação é fundamental para transformar a relação do investidor com o dinheiro. A construção de uma carteira eficiente não depende de fórmulas complexas, mas de planejamento, disciplina e alinhamento com os objetivos pessoais.













