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MONEY REPORT

Do café à alfaiataria: consumo premium ganha espaço no Brasil

A busca por produtos de maior qualidade, experiências diferenciadas e serviços personalizados tem aberto espaço para o consumo premium em diferentes segmentos. No Money Report TV, da BM&C News, Ricardo Madureira, CEO da Café Orfeu, Cristiano Melles, fundador da rede Pobre Juan, e o consultor de imagem Alexandre Taleb discutiram como esse movimento aparece no mercado de cafés, carnes, vinhos e moda masculina.

Embora atuem em setores diferentes, os participantes apontaram uma mudança semelhante no comportamento do consumidor: cresce o interesse não apenas pelo produto final, mas também por sua origem, processo de produção, qualidade e pela experiência associada ao consumo.

Consumo premium amplia espaço para cafés especiais

No mercado de café, Madureira afirmou que o Brasil, apesar de ocupar posição relevante na produção mundial, ainda apresenta espaço para expansão do consumo de cafés especiais e para uma maior compreensão das diferenças entre grãos, métodos de preparo e tipos de torra.

“O café, como você falou, ele é a bebida mais consumida do mundo depois da água, né?”, afirmou.

Segundo ele, 40% da produção mundial de café vem do Brasil e o produto está presente em 98% dos lares brasileiros. O executivo avaliou, porém, que o consumidor começa a olhar para a bebida de uma maneira mais ampla, percebendo diferenças relacionadas a variedades, blends, terroirs e formas de preparo.

A comparação feita durante o programa foi com o caminho percorrido pelo vinho. Madureira explicou que um mesmo grão pode gerar experiências distintas dependendo da torra e do método utilizado, como filtro de papel, prensa francesa ou cafeteira italiana. O café também passou a aparecer em bebidas frias, cold brew e diferentes tipos de drinks.

O consumidor, segundo o executivo, também demonstra maior interesse pela cadeia de produção, buscando saber de onde vem o café e como a empresa atua em questões ligadas às pessoas e ao meio ambiente. Esse comportamento ajuda a ampliar o mercado de produtos que se diferenciam pela origem e pelo processo produtivo.

Qualidade e rastreabilidade chegam ao mercado de carnes

No segmento de carnes, Cristiano afirmou que a valorização da qualidade também passa por certificação, genética, alimentação e rastreabilidade do rebanho.

Ele citou raças britânicas como Black Angus e Red Angus e explicou que a qualidade final depende de uma cadeia que acompanha desde a criação do animal até o produto levado à mesa. Segundo o empresário, diferentes mercados também desenvolveram formas próprias de preparar e consumir carnes, com variações entre países e regiões.

A discussão incluiu ainda o marmoreio, os métodos de cocção e as diferenças entre o consumo de carnes no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos. A avaliação apresentada é de que características do produto influenciam diretamente a melhor forma de preparo.

Esse movimento também aparece no consumo de vinho dentro dos restaurantes. Merz relatou aumento na procura e maior interesse dos clientes por conhecer diferentes variedades e possibilidades de harmonização.

O empresário afirmou ainda perceber crescimento no consumo de vinho branco, inclusive em combinações com carnes, cordeiros e peixes.

Imagem masculina também entra na lógica da personalização

No mercado de moda e consultoria de imagem, Taleb relacionou apresentação pessoal a comportamento e ambiente profissional. Segundo ele, uma boa imagem não depende necessariamente de peças de alto valor.

“Uma pessoa bem vestida não é uma pessoa que usa roupas caras e sim as roupas certas”, afirmou.

Taleb disse que trabalha com empresas e palestras voltadas à relação entre roupa, etiqueta, postura e imagem profissional. Na avaliação do consultor, a forma como uma pessoa se apresenta também pode influenciar a percepção do cliente e a relação comercial.

O consultor também apontou que o público masculino brasileiro ainda apresenta comportamento mais conservador em relação ao vestuário, enquanto mercados como o italiano incorporam uma variedade maior de cores, cortes e acessórios.

Ao mesmo tempo, ele identificou uma retomada da alfaiataria entre consumidores mais jovens. Taleb afirmou que 90% de seu próprio guarda-roupa é produzido sob medida e destacou que a personalização não significa, necessariamente, pagar mais.

“Você não precisa pagar mais caro para se vestir bem”, disse.

Especialização cria novas atividades dentro da cadeia

O avanço do consumo premium também pode gerar novas funções e especializações dentro das cadeias produtivas.

Madureira citou o crescimento da profissão de barista como um exemplo desse movimento. Segundo ele, a maior preocupação do consumidor com a qualidade da bebida cria demanda por profissionais treinados, tanto na produção quanto na preparação final do café.

O executivo avaliou que o desenvolvimento dos cafés especiais produz um ciclo que envolve qualificação de trabalhadores no campo, torrefação, distribuição e atendimento ao consumidor. Cursos voltados à formação de baristas e treinamentos dentro das próprias empresas são parte desse processo.

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