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Franquias escaláveis: o que Pet de Todos e Boatlux fazem diferente

Veja como Pet de Todos, com 18 clínicas, e Boatlux, com 4.000 cotistas, estruturam recorrência, tecnologia e suporte para escalar franquias em 2026.

Escalar uma rede de franquias em mercados de alta demanda exige muito mais do que vender novas unidades. Nos bastidores de modelos como Pet de Todos e Boatlux, detalhados no programa Leaders Connection direto da ABF Expo 2026, aparecem três pilares centrais: receita recorrente, ecossistemas integrados e suporte intenso ao franqueado.

No especial do Leaders Connection gravado na ABF Expo 2026, Cássio Guieiro, da Pet de Todos, e Bárbara Carvalho, da Boatlux, abriram a operação de dois negócios em segmentos distintos, mas com a mesma ambição: escalar franquias em mercados de alta demanda sem perder margem nem controle.

Segundo Cássio, a Pet de Todos chegou à feira com 18 clínicas veterinárias em funcionamento e mais unidades em montagem, enquanto Bárbara cita mais de 4.000 cotistas ativos em embarcações administradas pela Boatlux, em modelo de multipropriedade náutica. Todos os números são declarações dos executivos no programa e não foram checados em fontes externas independentes.

Como transformar um negócio tradicional em franquia escalável?

Tanto Pet de Todos quanto Boatlux começaram como operações próprias, para só depois virarem franquia. O movimento comum é testar o modelo exaustivamente antes de abrir para terceiros.

No caso da Boatlux, Bárbara relata que a empresa operou por cerca de 7 a 8 anos apenas com unidades próprias de compartilhamento náutico (em regiões como Cabo Frio e Angra), ajustando contrato de multipropriedade, relação com marinas e rotina operacional, até que um cotista insistiu em se tornar franqueado. A franquia nasceu daí.

Na Pet de Todos, a transição veio da experiência prévia de Cássio como franqueado e diretor do Cartão de Todos. Ele afirma ter usado o know-how de saúde humana com assinatura para criar um modelo de saúde pet acessível, com clínica, pet shop, banho e tosa e farmácia dentro da mesma unidade.

Em ambos os casos, a lógica é parecida:

1. Validar o modelo em operação própria antes de franquear.
2. Documentar processos, contratos e rotinas até que sejam replicáveis.
3. Só então abrir a rede para investidores-franqueados.

O que faz um modelo de franquia gerar caixa todo mês?

Os dois negócios trabalham com recorrência como eixo central:

– Pet de Todos: Cássio explica que o cliente paga uma mensalidade para acessar preços reduzidos em serviços e produtos. Ele cita dois exemplos de planos (valores declarados, sujeitos a checagem em material oficial da empresa):
– Plano para 1 pet: R$ 29,90 por mês.
– Um plano para até 4 pets, com valor citado de forma truncada na transcrição, mas descrito como mais vantajoso por animal.

Para assinantes, consultas com clínico geral seriam gratuitas, consultas com especialistas teriam preço “praticamente pela metade do mercado”, e um banho tamanho P custaria R$ 19,90 em tabela nacional, segundo o fundador.

– Boatlux: o modelo é baseado em cotas de embarcações. Em vez de comprar uma lancha de R$ 1 milhão sozinho, o cliente pode adquirir uma cota, por exemplo de R$ 250 mil em um grupo de quatro pessoas, de acordo com o exemplo dado por Bárbara. Ela diz que hoje existem cotas que vão de R$ 15 mil a R$ 1 milhão, variando conforme o tipo de embarcação.

Em ambos, a lógica é semelhante:

– O cliente abre mão da posse “total” em troca de acesso contínuo com menor desembolso mensal.
– A franquia passa a operar com base em assinaturas e contratos de longa duração, não apenas em vendas pontuais.

Como organizar o ecossistema para escalar sem perder controle?

Os dois modelos são construídos como ecossistemas integrados, em vez de negócios de um único produto.

Na Pet de Todos, cada clínica reúne em cerca de 350 m² (medida aproximada citada por Cássio):

– Consultas, exames, cirurgias e internação.
– Banho e tosa.
– Pet shop e farmácia.
– Área interna de vendas e telemarketing para planos.

Na prática, o franqueado investe na estrutura física, monta a equipe e gerencia a unidade local, mas todos os cadastros e prontuários circulam em um sistema único, o que permite atender um mesmo pet em qualquer clínica da rede, com histórico disponível.

Na Boatlux, o ecossistema conecta:

– Cotistas e investidores.
– Estaleiros, fabricantes e concessionárias.
– Marinas, marinheiros e prestadores de serviço.

A franqueadora fica com o backoffice pesado – sistemas, cobrança de cotistas, contratos, tecnologia – enquanto o franqueado atua como “executivo local”, focado em:

– Prospeção e venda de novas cotas.
– Relacionamento com clientes e coordenação de uso das embarcações.

A tabela abaixo resume o papel da franqueadora e do franqueado em cada caso, segundo as falas no programa:

RedeFranqueadora (centro)Franqueado (ponta)
Pet de TodosDesenvolve sistema, padrão de clínica, tabela de serviços; integra base com Cartão de TodosInveste na clínica, monta equipe médica e comercial, vende planos e opera o dia a dia
BoatluxCria contratos, sistemas, app, backoffice financeiro e jurídicoVende cotas, cuida da operação local, relacionamento com cotistas e marinas

Que tecnologias realmente ajudam a escalar franquias assim?

A tecnologia aparece em três camadas principais nas duas redes, conforme descrito no Leaders Connection:

1. Gestão e prontuário
– Pet de Todos: uso de prontuário eletrônico nacional para cada animal. Cássio afirma que o histórico do pet pode ser acessado em qualquer clínica da rede.
– Boatlux: sistema próprio para gestão de reservas, embarcações e comunicação com cotistas.

2. Automatização de atendimento
– Bárbara cita o uso crescente de IA para automatizar rotinas como segunda via de fatura e pedidos de uso de barcos em outras regiões. A ideia é que um cliente com cota em uma base possa usar embarcações similares em outra, com o processo todo mediado por fluxo automatizado.

3. Identificação e segurança
– Cássio menciona um projeto de identificação “focinhal” de pets, que usaria o desenho do focinho como uma espécie de biometria animal, reduzindo risco de trocas em banho e tosa. Ele descreve a tecnologia como alternativa a chips implantáveis, considerada menos invasiva.

Nesses modelos, tecnologia não é um acessório de marketing, mas o que torna possível operar muitos ativos físicos (clínicas, barcos) com padrão consistente e custo de gestão mais baixo.

Onde estão os riscos e as frustrações para o franqueado?

Os dois modelos também trazem pontos menos visíveis, mas decisivos para quem avalia investir.

1. Complexidade operacional
– Na saúde pet, o franqueado lida com equipe clínica, produtos sensíveis (medicamentos, rações), normas de prontuário e uma base emocionalmente envolvida com o pet. Erros de atendimento ou organização geram desgaste rápido.
– No compartilhamento náutico, o franqueado precisa conciliar agendas, estatutos de cada embarcação e expectativas de cotistas que dividem um mesmo ativo caro.

2. Dependência de formação contínua
Bárbara relata que a Boatlux estruturou:
– Treinamentos iniciais.
– Plataforma de cursos online com módulos comercial, operacional e financeiro.
– Workshops mensais com franqueados, sempre com temas práticos (como lidar com inadimplência ou conflitos entre cotistas).

Sem esse tipo de rotina, a probabilidade de execução desigual entre unidades aumenta.

3. Limites da recorrência
– O fato de haver assinaturas ou cotas não garante ocupação plena nem margem. É preciso que o franqueado consiga converter a base potencial em uso real: mais banhos, mais compras, mais reservas de barco.

4. Expectativa versus realidade
Modelos apresentados como “negócio que trabalha enquanto você dorme” ou “sem inadimplência” em peças publicitárias, como as que aparecem no mesmo programa para a Lavanderia 60 Minutos, podem induzir visão simplificada. A conversa com Pet de Todos e Boatlux mostra que, na prática, há muita disciplina de gestão por trás da recorrência.

Quais passos seguir antes de tentar escalar a própria franquia?

Com base nas experiências relatadas por Cássio e Bárbara no Leaders Connection, um roteiro mínimo para quem quer franquear seu negócio de alta demanda incluiria:

1. Provar o modelo em operação própria
Operar por alguns anos, em mais de uma unidade, até que os principais problemas estejam mapeados e os números façam sentido sem “malabarismo” do fundador.

2. Desenhar o ecossistema, não só o ponto de venda
Pensar o negócio como rede de serviços integrados: clínica + assinatura + loja, ou barco + cota + gestão + marina, por exemplo.

3. Construir processos e tecnologia replicáveis
Do contrato ao atendimento, tudo precisa caber em manuais, sistemas e treinamentos que outro empreendedor consiga executar.

4. Planejar suporte contínuo ao franqueado
Treinamento inicial não basta. A rotina descrita pela Boatlux – EAD vitalício, workshops mensais e convenções anuais – indica o nível de suporte necessário para manter padrão em rede que cresce.

5. Testar o alinhamento de propósito
Nos dois casos, propósito aparece como fator de atração: democratizar saúde pet ou acesso à náutica. Esse propósito precisa ser comunicado e praticado na ponta, pelo franqueado, para sustentar a marca no longo prazo.

Para quem já é franqueador, revisar esses cinco pontos a partir de exemplos concretos como Pet de Todos e Boatlux ajuda a calibrar o quanto o modelo realmente está pronto para crescer sem que a qualidade despenque a cada nova unidade.

Assista ao vídeo clicando aqui.

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