A transformação digital na indústria deixou de ser um projeto restrito à área de TI e passou a ocupar o centro da estratégia das empresas. Essa foi a principal mensagem do programa Conexão Segura, apresentado por Renato Batista, da Netglobe, com participação de Gustavo Vieira, diretor global de TI da CMPC e ex-executivo da Vale.
Na entrevista, o executivo explicou que o setor industrial saiu de processos analógicos para operações conectadas, com sensores, integração de dados e uso crescente de inteligência artificial. Segundo ele, a tecnologia só se sustenta quando gera resultado mensurável.
“A tecnologia veio para mudar a forma como os negócios são executados”, afirmou.
Transformação digital na indústria: quando a tecnologia vira negócio
Para Vieira, a transformação acontece de fato quando deixa de ser um projeto corporativo e passa a ser entendida como transformação do próprio negócio.
Ele relembrou a evolução desde os anos 1990, quando plantas industriais dependiam de equipes numerosas para monitoramento, até o cenário atual, com sistemas computadorizados e decisões orientadas por dados. Nesse contexto, o ponto de inflexão ocorre quando a discussão passa a ser financeira e operacional.
“Quando um projeto de transformação digital mostra impacto direto no EBIT, a conversa deixa de ser tecnológica e passa a ser de negócio”, disse.
O executivo destacou ainda que o maior desafio não é a tecnologia, mas a adaptação das pessoas. A mudança cultural, o treinamento e a gestão da transição são essenciais para que a inovação gere valor.
Sem adesão das equipes operacionais, afirmou, não há ganho real de eficiência.
Dados e IA na tomada de decisão
Outro ponto central é o uso dos dados. Após anos focadas em coletar e armazenar informações, as empresas agora precisam definir responsabilidade, qualidade e governança das bases para apoiar decisões operacionais e estratégicas.
Sobre inteligência artificial, Vieira afirmou que a ferramenta amplia análises e melhora processos, mas não substitui decisões críticas.
“A inteligência artificial não é mágica. Sempre haverá uma decisão humana no final”, explicou.
Ele também destacou aplicações ligadas à inovação e sustentabilidade, como monitoramento de florestas, antecipação de falhas e desenvolvimento de novos produtos.
No campo da segurança digital, o executivo defendeu que proteção cibernética não deve ser vista como obstáculo, mas como fator de eficiência operacional.
“Quanto mais protegido você está, mais rápido consegue avançar”, disse.
Segundo ele, muitas invasões ocorrem por falhas humanas, principalmente vazamento de credenciais.
Ao encerrar, Vieira afirmou que a tecnologia precisa ser tratada como geradora de valor estratégico dentro das companhias.
“A tecnologia vem para ajudar. Se não está ajudando, não faz sentido usar. O importante é repensar processos e usar tecnologia para melhorar o negócio no longo prazo.”













