Candidata do Democracia Cristã também propõe industrialização de minerais críticos, revisão de gastos públicos, manutenção da autonomia do Banco Central e prioridade ao combate ao feminicídio
A candidata à Presidência da República Clariana Barão, do Democracia Cristã, defendeu a redução da Selic para um patamar próximo de 7% ao ano, o fim das apostas esportivas legalizadas no país e mudanças na estrutura do Supremo Tribunal Federal. As propostas foram apresentadas durante episódio no BM&C Talks.
Advogada há 15 anos e especialista em gestão pública e direito administrativo, Clariana se apresentou como novata na política e afirmou que sua atuação anterior esteve concentrada em causas sociais, principalmente relacionadas a mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade.
Na área econômica, a candidata vinculou sua estratégia à contenção da dívida pública, à atração de investimentos estrangeiros e à ampliação da industrialização no Brasil. Entre os setores mencionados está o de minerais críticos e terras raras, que ela considera uma oportunidade para elevar o valor agregado da produção brasileira.
O que Clariana Barão propõe para a economia?
Um dos principais pontos apresentados pela candidata é reduzir a dependência brasileira da exportação de matérias-primas sem processamento.
Clariana afirmou que pretende buscar capital estrangeiro, inclusive dos Estados Unidos e da China, para trazer unidades industriais ao Brasil e fazer com que etapas de beneficiamento e transformação de minerais ocorram no próprio país.
“Aqui nós vamos minerar, beneficiar, industrializar”, afirmou durante a entrevista.
Segundo ela, a estratégia permitiria ampliar postos de trabalho qualificados, gerar renda, arrecadação tributária e melhorar a capacidade brasileira de atrair investimentos.
A candidata também defendeu uma revisão dos incentivos fiscais. Na avaliação apresentada durante o programa, benefícios tributários precisam ser concedidos somente quando houver retorno econômico capaz de justificar a perda de arrecadação.
Ao tratar do controle das contas públicas, Clariana disse que pretende reduzir despesas e revisar a estrutura do Estado, mas evitou antecipar quais ministérios eventualmente seriam extintos. Para ela, uma definição desse tipo dependeria de uma avaliação detalhada da máquina pública depois da posse.
Entre os gastos mencionados como possíveis alvos de redução estão despesas com publicidade e benefícios adicionais no funcionalismo.
Selic deveria cair para 7%, diz candidata
Questionada sobre juros e inflação, Clariana afirmou considerar 7% ao ano um patamar desejável para a taxa Selic.
Ela ponderou, entretanto, que a queda dos juros não poderia ocorrer apenas por decisão política do governo ou do Banco Central. Na visão da candidata, seria necessário primeiro reduzir o risco fiscal e estabilizar o crescimento da dívida pública.
“Para cair a Selic, a gente tem que principalmente estabilizar a dívida pública”, afirmou.
A candidata disse que pretende priorizar, em um primeiro momento, a implementação da reforma tributária já aprovada e observar seus efeitos antes de promover alterações mais profundas no sistema fiscal.
Clariana também afirmou que não considera este o momento para revogar a reforma. Segundo ela, mudanças podem ser discutidas caso a implementação revele impactos negativos relevantes sobre setores econômicos, empresas ou empregos.
Clariana manteria a autonomia do Banco Central?
Durante a sabatina, a candidata afirmou que sua posição sobre a autonomia do Banco Central passou por uma mudança.
Clariana contou que inicialmente considerava mais adequado que a autoridade monetária estivesse subordinada diretamente às diretrizes do governo eleito. Depois de avaliar o tema, disse enxergar benefícios na independência institucional do BC, principalmente como instrumento para limitar decisões de caráter eleitoral.
Segundo ela, a autonomia do Banco Central “pode ser um caminho, sim, a ser construído”.
A declaração veio depois de a candidata defender que mudanças na Selic precisam ter sustentação econômica e não apenas redução nominal da taxa.
O que Clariana Barão faria com as bets?
Um dos posicionamentos mais definidos da entrevista foi em relação às apostas esportivas e jogos online.
Clariana afirmou que seu objetivo final seria tornar as bets ilegais novamente no Brasil. Como a atividade atualmente possui autorização legal, ela reconheceu que uma mudança dependeria de articulação com o Congresso Nacional.
Como primeira medida, entretanto, afirmou que tentaria proibir a publicidade das plataformas de apostas.
“A nossa proposta, objetivo final nosso, é torná-las ilegais novamente”, declarou.
A candidata relacionou as apostas ao aumento do endividamento das famílias e defendeu também políticas voltadas ao tratamento de pessoas com dependência em jogos.
Clariana se posicionou ainda contra a legalização de cassinos físicos no Brasil.
Em outro momento, também declarou ser contrária à chamada taxa das blusinhas, argumentando que a cobrança sobre compras internacionais de menor valor afeta principalmente consumidores de renda mais baixa.
Qual é a proposta para minerais críticos e terras raras?
A industrialização de minerais apareceu como um dos principais elementos da agenda econômica apresentada.
Clariana argumentou que o Brasil possui reservas relevantes de terras raras e outros minerais críticos, mas ainda exporta grande parte desses recursos com baixo nível de processamento.
Sua proposta seria utilizar parcerias internacionais para desenvolver uma cadeia industrial dentro do país.
Segundo a candidata, a entrada de indústrias ligadas ao beneficiamento poderia criar empregos mais qualificados e elevar a participação brasileira em etapas de maior valor agregado das cadeias globais.
A tese conecta política industrial, comércio exterior e atração de capital estrangeiro.
O que a candidata propõe para o STF?
Na área institucional, Clariana defendeu mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal.
A candidata afirmou que pretende apoiar a criação de mandatos para ministros, em substituição ao atual modelo de permanência até a aposentadoria compulsória. Também se declarou favorável a limitações às decisões monocráticas.
“Sou contra esse cargo vitalício. Eu trabalharia com mandatos”, afirmou.
Clariana também defendeu regras de ética mais específicas para magistrados, inclusive relacionadas à atuação profissional de parentes de ministros quando houver interesses ligados a processos analisados pelos tribunais. As declarações ocorreram durante discussão sobre o caso Banco Master e os questionamentos envolvendo integrantes do STF.
A candidata afirmou ainda que, caso tenha oportunidade de indicar ministros ao Supremo, pretende priorizar mulheres. Segundo ela, uma de suas propostas seria utilizar as próximas indicações para ampliar a presença feminina nos tribunais superiores.
Qual seria a estratégia contra o crime organizado?
Na segurança pública, Clariana defendeu que o combate às organizações criminosas comece pelo rastreamento financeiro.
“Primeira medida do crime organizado é uma só: rastrear o dinheiro”, declarou.
Segundo a candidata, ferramentas de inteligência financeira deveriam ser utilizadas para identificar fluxos de recursos e reduzir a capacidade econômica das organizações criminosas. Para ela, bloquear as fontes de financiamento seria uma das maneiras mais eficientes de atingir a estrutura das facções.
Combate ao feminicídio seria prioridade do primeiro ano
Apesar da ênfase dedicada à economia durante a sabatina, Clariana afirmou que seu compromisso central para o primeiro ano de governo seria reduzir significativamente o feminicídio.
A candidata propõe criar centros integrados para atender mulheres vítimas de violência doméstica, reunindo em um mesmo local serviços policiais, perícia, Defensoria Pública, assistência social e encaminhamento para casas de acolhimento.
A ideia, segundo ela, é evitar que a vítima tenha de percorrer diferentes órgãos depois de registrar uma denúncia. O projeto também incluiria programas de qualificação profissional, com atenção a atividades ligadas à tecnologia.
Clariana também apresentou educação integral, formação tecnológica e prevenção em saúde como componentes de seu plano de governo.
Ao ser questionada sobre qual promessa poderia ser cobrada diretamente pelos eleitores, foi novamente ao tema da violência contra as mulheres.
“O meu compromisso concreto é uma redução significativa do feminicídio no Brasil”, afirmou.
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