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BM&C BUSINESS

Log CP vê maior demanda da história e aposta em expansão fora de São Paulo

A expansão do comércio eletrônico, as mudanças provocadas pela reforma tributária e a busca das empresas por operações mais eficientes estão redesenhando o mercado logístico brasileiro. Na avaliação de Rafael Saliba, CFO da Log CP, o setor vive um dos momentos mais favoráveis de sua história, impulsionado por uma demanda estrutural que deve continuar nos próximos anos. “Hoje estamos no maior pico de demanda da história da companhia. Temos uma perspectiva muito positiva não só para este ano, mas para os próximos dois ou três anos”, disse Saliba em entrevista ao programa Business, da BM&C News.

Dois fatores explicam esse cenário: a migração das empresas para galpões logísticos mais modernos e o avanço contínuo do comércio eletrônico.

Por que os galpões Classe A ganharam protagonismo?

De acordo com o CFO, empresas que operavam em galpões Classe B e C passaram a buscar estruturas mais eficientes, capazes de reduzir custos operacionais e aumentar a produtividade logística.

Esse movimento, conhecido como flight to quality, ganhou força após a pandemia e continua acelerando a demanda por empreendimentos de padrão mais elevado: “Os ocupantes de galpões Classe B e C passaram a migrar para galpões Classe A em busca de maior eficiência logística, menor custo de ocupação e maior produtividade”.

Segundo Saliba, setores como farmacêutico, varejo e comércio eletrônico dependem cada vez mais desse padrão de infraestrutura.

E-commerce continua sendo o principal motor da demanda

Embora o crescimento do comércio eletrônico tenha acelerado durante a pandemia, o executivo afirma que o mercado brasileiro ainda possui espaço relevante para expansão.

Na avaliação da companhia, a penetração do e-commerce permanece abaixo da observada em economias mais maduras.

“Mesmo depois da aceleração da pandemia, a penetração do e-commerce no Brasil ainda está muito abaixo da de países desenvolvidos.”

Além disso, novas categorias passaram a ganhar espaço nas plataformas digitais.

“O setor farmacêutico, por exemplo, começou a entrar com mais força nas grandes plataformas. São novos vetores de crescimento.”

Esse movimento ajuda a explicar a elevada taxa de ocupação da companhia.

Hoje, segundo Saliba, praticamente toda a nova demanda vem de grandes operadores de comércio eletrônico.

Reforma tributária muda a lógica da distribuição

Outro tema destacado pelo CFO foi o impacto da reforma tributária sobre a localização dos centros de distribuição.

Historicamente, muitas empresas concentravam operações em regiões favorecidas por incentivos fiscais.

Com a mudança para a tributação no destino, a eficiência logística tende a ganhar peso sobre os benefícios fiscais.

“O custo logístico passa a ser mais importante do que o ganho tributário. Todos passam a querer estar próximos dos centros de consumo.”

Segundo ele, já existem estudos mostrando que aproximadamente 20% das empresas avaliam alterar a localização de seus centros de distribuição em função da nova lógica tributária.

Esse movimento beneficia cidades próximas aos grandes polos consumidores.

Nordeste ganha espaço na estratégia da companhia

Enquanto São Paulo enfrenta escassez de terrenos e forte concorrência por novas áreas, a Log direciona boa parte de sua expansão para o Nordeste.

Segundo Saliba, entre 35% e 40% do plano Log 2 Milhões está concentrado na região.

“Temos projetos em todas as capitais do Nordeste e, em várias delas, já estamos no segundo, terceiro ou quarto empreendimento.”

Plano Log 2 Milhões já está praticamente contratado

A Log pretende entregar 2 milhões de metros quadrados de área bruta locável até 2028. “Hoje temos 97% do plano garantido, seja em construção ou com o landbank já assegurado”, afirma o CFO.

A estratégia busca antecipar terrenos e desenvolver ativos próximos aos principais centros consumidores do país.

Log CP vê maior demanda da história e aposta em expansão fora de São Paulo