A redução da diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais reforça um cenário de forte polarização política no país. A avaliação é de Bruno Rizzi, sócio da Fatto Inteligência Política, que analisou os dados mais recentes do Datafolha em entrevista à BM&C News.
Segundo Rizzi, os levantamentos indicam que a disputa presidencial tende a se organizar novamente em torno de dois polos políticos bem definidos, com baixa migração de eleitores entre os campos.
“O fenômeno que a gente observa é o da calcificação da polarização. Ou seja, além de polarizar, essa polarização fica fixa, estagnada em seus respectivos polos”, afirmou.
A pesquisa citada aponta que a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro nas simulações de segundo turno aparece dentro da margem de erro, o que indica um cenário competitivo.
Consolidação do campo anti-Lula
Na avaliação do analista, a aproximação nas pesquisas também está relacionada ao processo de consolidação de Flávio Bolsonaro como um nome competitivo dentro do campo de oposição ao atual governo.
Rizzi destaca que o capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda exerce forte influência sobre parte do eleitorado e tende a ser transferido para o candidato que represente esse grupo político.
“Quem tem votos é Jair Bolsonaro. Ao passar esse bastão para seu filho Flávio, carregando o sobrenome e a popularidade, era esperado que ele chegasse a essa disputa”, disse.
Segundo ele, à medida que Flávio se posiciona como principal candidato anti-Lula, parte relevante desse eleitorado tende a se concentrar em sua candidatura.
FLávio Bolsonaro e Lula: eleição pode repetir disputa apertada
Para o analista da Fatto Inteligência Política, a tendência é que a eleição presidencial seja marcada por um grau elevado de competitividade, semelhante ou até superior ao observado em 2022.
Rizzi afirma que os dados mais recentes apontam para a formação de um piso e de um teto eleitorais relativamente claros para os dois campos políticos.
Novos levantamentos, como a próxima pesquisa Genial/Quaest, devem ajudar a consolidar essa leitura do cenário eleitoral.
Rejeição elevada amplia incerteza
Outro elemento relevante apontado na análise é o nível de rejeição dos dois nomes nas pesquisas.
De acordo com os dados mencionados do Datafolha, Lula registra cerca de 46% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 45%, o que configura um empate técnico nesse indicador.
Na avaliação de Rizzi, esse cenário impede que qualquer candidato apareça com vantagem confortável na disputa.
“Por isso que a eleição está longe de estar definida”, afirmou.
Popularidade do governo é fator central
O analista também destacou que o desempenho eleitoral de um presidente que busca reeleição costuma estar diretamente ligado ao nível de aprovação do governo.
Segundo ele, existe um patamar considerado relevante pelos estrategistas políticos.
“O número mágico para a reeleição de um incumbente fica em torno de 41%”, explicou.
Quanto maior a distância desse nível em termos de rejeição, mais complexa tende a ser a disputa para quem ocupa o cargo.
Economia e percepção de bem-estar pesam na decisão do eleitor
Na avaliação de Rizzi, fatores estruturais ligados à economia continuam sendo determinantes para o comportamento do eleitorado.
Indicadores como renda, emprego e poder de compra costumam exercer influência direta na avaliação do governo e nas decisões de voto.
Ele citou como exemplo a proposta de ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, medida que ainda não teria sido incorporada de forma clara pelo eleitorado como uma ação do governo.
Segundo o analista, essa percepção econômica costuma ser um dos principais elementos capazes de alterar o humor do eleitor.
Questões políticas também entram no debate
Além dos fatores estruturais, Rizzi também apontou que elementos conjunturais têm pressionado o ambiente político no início do ano.
Entre eles estão episódios recentes no cenário político e debates que vêm sendo explorados pela oposição.
Um dos exemplos mencionados foi o caso envolvendo o Banco Master. Embora não haja ligação direta com o presidente Lula, o episódio tem sido utilizado no debate político para associar o tema à narrativa de corrupção.
Segundo o analista, pesquisas recentes mostram que a corrupção voltou a aparecer entre as preocupações recorrentes do eleitorado, o que pode influenciar a percepção pública sobre o governo.
Cenário eleitoral ainda pode mudar
Apesar da aproximação nas pesquisas, Rizzi ressalta que o quadro eleitoral permanece aberto e sujeito a mudanças ao longo do tempo.
Em cenários de forte polarização e rejeição elevada, pequenas variações no ambiente econômico ou político podem produzir impactos relevantes na disputa.
Por isso, a tendência é que novas pesquisas e a evolução do cenário político ao longo dos próximos meses ajudem a definir com mais clareza os contornos da corrida eleitoral.












