O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou nesta sexta-feira (2) que seu partido avalia recorrer à Justiça para tentar adiar em uma semana o primeiro turno das Eleições 2026, marcado para este domingo (4).
A declaração foi feita após o cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na noite de quinta-feira (1º). Cury participou nesta sexta de uma manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Integrantes do Avante compareceram ao ato vestidos de preto e fizeram um minuto de silêncio.
O candidato relacionou a possibilidade de pedir o adiamento à sequência de decisões judiciais que alterou as condições do debate nas horas que antecederam sua realização. Cury classificou o cenário como de “insegurança jurídica” e também criticou o protagonismo assumido pelo Judiciário durante a campanha.
Por que Augusto Cury fala em adiar as eleições?
O movimento do Avante ocorre a apenas dois dias da votação.
A avaliação sobre um eventual pedido de adiamento surgiu depois que o último debate presidencial previsto antes do primeiro turno foi cancelado. Até o momento, trata-se de uma possibilidade estudada pelo partido, e não de uma mudança no calendário eleitoral.
O primeiro turno continua previsto para domingo, 4 de outubro.
Cury também informou que buscaria uma audiência com o presidente do STF, Edson Fachin. Em documento divulgado por sua campanha, o candidato criticou decisões recentes do STF e do Tribunal Superior Eleitoral relacionadas ao processo eleitoral e defendeu a preservação da liberdade de expressão durante a disputa.
O que aconteceu com o debate da Globo?
O encontro presidencial acabou cancelado depois de duas decisões judiciais tomadas poucas horas antes do horário previsto para o programa.
A primeira veio do TSE. A ministra Estela Aranha determinou que a emissora não poderia manter no cenário um púlpito identificado com o nome do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia informado que não compareceria ao debate.
A decisão também impediu os demais participantes de dirigirem perguntas a Lula durante as rodadas do programa. A medida foi tomada após pedido da coligação do presidente.
Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que Renan Santos (Missão) fosse incluído no debate. A decisão alterou entendimentos anteriores que haviam negado ao candidato o direito de participar do encontro.
Por que Renan Santos foi incluído?
A controvérsia envolveu as regras utilizadas pela emissora para selecionar os participantes.
A legislação eleitoral estabelece critérios de representação parlamentar para participação obrigatória em debates. O regulamento do programa, no entanto, previa a possibilidade de substituição de participantes em determinadas situações.
Gilmar Mendes considerou que Renan preenchia um critério previsto pelo próprio regulamento da Globo para ocupar uma vaga em caso de desistência, levando em conta sua posição na pesquisa Quaest mencionada no processo.
A determinação ocorreu depois de decisões anteriores do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e da ministra Cármen Lúcia que não haviam garantido a participação de Renan.
Como Flávio Bolsonaro entrou no impasse?
Depois das decisões judiciais, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que não participaria mais do debate. Lula já havia comunicado anteriormente sua ausência.
Com as mudanças nas regras e a desistência de Flávio, a Globo decidiu cancelar o programa. A emissora afirmou que as determinações recebidas na noite de quinta-feira interferiram nas condições previamente estabelecidas para a realização do encontro e mencionou insegurança jurídica para justificar o cancelamento.
Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema estavam entre os candidatos que participariam do debate e posteriormente criticaram seu cancelamento.
As eleições podem ser adiadas?
Até o momento, não houve mudança no calendário eleitoral. A declaração de Cury indica apenas que o Avante estuda apresentar uma medida judicial para tentar postergar a votação em uma semana.
Qualquer alteração dependeria de uma decisão das autoridades eleitorais competentes. Portanto, o primeiro turno permanece marcado para 4 de outubro de 2026.
