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PETRÓLEO E ENERGIA

Petróleo se aproxima de US$ 100 após ataques na Arábia Saudita

Brent chegou a US$ 99,46 nesta terça-feira em meio à escalada no Oriente Médio; avanço amplia atenção para combustíveis, Petrobras e inflação

O preço do petróleo voltou a se aproximar da marca de US$ 100 por barril nesta terça-feira (8), depois de novos ataques contra instalações de energia na Arábia Saudita ampliarem as preocupações com o abastecimento global.

O Brent, referência internacional, chegou a US$ 99,46 por barril, maior cotação desde 24 de julho. O WTI, negociado nos Estados Unidos, alcançou US$ 94,73, maior nível desde 8 de junho.

O movimento ocorreu após ataques realizados pelos houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, contra cidades e instalações no sul da Arábia Saudita. O Ministério da Energia saudita confirmou que instalações e equipamentos ligados ao setor energético foram atingidos durante a manhã desta terça.

O episódio adiciona uma nova fonte de incerteza a um mercado que já vinha sendo pressionado pelo conflito envolvendo Estados Unidos e Irã e pelos riscos à navegação e ao transporte de petróleo no Oriente Médio.

O que aconteceu na Arábia Saudita?

Os ataques atingiram áreas de Abha, Khamis Mushait, Jazan e Najran, no sul do território saudita. Autoridades locais informaram que dezenas de pessoas ficaram feridas, incluindo mulheres e crianças. A coalizão liderada pela Arábia Saudita informou 73 feridos.

Instalações vinculadas à infraestrutura energética também foram atingidas. Algumas operações sofreram interrupções temporárias, embora até o momento não exista uma estimativa consolidada de perda permanente de capacidade de produção de petróleo.

A ausência de um número definitivo para a redução da oferta ajuda a explicar por que o Brent se aproximou dos US$ 100, mas ainda não sustentou negociações acima desse patamar.

O mercado passa a observar principalmente a capacidade saudita de manter a produção e os embarques, além da possibilidade de novos ataques contra a infraestrutura regional.

Por que a Arábia Saudita mexe tanto com o petróleo?

A Arábia Saudita ocupa uma posição central no mercado internacional de energia e possui infraestrutura relevante para produção, processamento e exportação de petróleo.

Por isso, ataques contra instalações do país normalmente elevam o chamado prêmio geopolítico embutido nas cotações. Mesmo quando a produção efetiva não sofre uma redução prolongada, a possibilidade de interrupções futuras leva investidores e compradores a considerar um cenário de menor disponibilidade de oferta.

O risco atual é ampliado porque os ataques ocorrem em um contexto de tensão crescente envolvendo outras rotas de fornecimento no Oriente Médio.

O Estreito de Ormuz continua no centro das preocupações. A região é uma passagem estratégica para o comércio internacional de petróleo, e as tensões recentes já vêm afetando a percepção de risco sobre transporte marítimo e cadeias globais de energia.

Por que o petróleo ainda não passou dos US$ 100?

Mesmo diante do aumento da tensão, há fatores que limitam a alta.

Parte dos fluxos de petróleo do Oriente Médio continua chegando ao mercado, produtores vêm utilizando rotas alternativas e a produção de países fora da Opep ajuda a adicionar oferta global. A demanda chinesa e a existência de estoques também funcionam como contrapesos ao risco geopolítico.

Isso significa que o preço não depende apenas das notícias sobre o conflito. O mercado tenta calcular quanto petróleo efetivamente deixará de ser produzido ou transportado.

Se os ataques resultarem apenas em interrupções curtas, a pressão pode perder força. Uma redução prolongada da produção ou novos problemas em rotas de exportação, por outro lado, poderiam levar o Brent a testar novamente e eventualmente superar os US$ 100.

O que a alta do petróleo significa para o Brasil?

Para o Brasil, o primeiro canal de transmissão ocorre pelo mercado de combustíveis.

A Petrobras não utiliza um mecanismo de reajuste automático vinculado à cotação diária do petróleo. A estratégia comercial da companhia considera referências do mercado nacional e internacional, o custo das alternativas disponíveis aos clientes e o valor das diferentes opções de produção, importação e exportação.

A companhia afirma ainda que busca evitar o repasse imediato de oscilações conjunturais de curto prazo do mercado internacional e do câmbio.

Isso significa que uma alta pontual do Brent não necessariamente resulta em aumento imediato da gasolina ou do diesel nas refinarias.

O risco cresce caso o petróleo permaneça em níveis elevados durante um período mais longo, especialmente se o movimento vier acompanhado de valorização do dólar. Nesse cenário, o custo das alternativas de importação aumenta e a diferença entre os preços domésticos e internacionais pode ganhar relevância.

Quanto custam gasolina e diesel atualmente?

Nos dados recentes utilizados pela Petrobras com base em informações da ANP, a gasolina tinha preço médio nacional de R$ 6,53 por litro no período de 23 a 29 de agosto.

Desse valor, a parcela correspondente à Petrobras era estimada em R$ 1,78 por litro. O restante incluía etanol anidro, tributos e margens de distribuição e revenda.

No diesel S-10, o preço médio informado para o mesmo período era de R$ 6,88 por litro, com parcela da Petrobras de aproximadamente R$ 2,83.

A ANP já disponibilizou também os levantamentos referentes à semana de 30 de agosto a 5 de setembro, mantendo o acompanhamento semanal dos preços praticados nos postos brasileiros.

A alta do petróleo pode pressionar a inflação?

Pode, principalmente se o choque durar.

Combustíveis têm impacto direto sobre os gastos das famílias e também afetam custos de transporte, logística e produção. Por isso, uma alta persistente do petróleo pode se espalhar para outros preços da economia.

A transmissão, porém, não é automática nem integral. O preço final pago pelo consumidor brasileiro inclui, além da parcela relacionada ao produtor, tributos, biocombustíveis e margens de distribuição e revenda.

Para o mercado financeiro, o ponto central passa a ser a duração do choque. Um avanço temporário provocado por notícias geopolíticas tem efeito diferente de uma situação em que parte relevante da oferta mundial permanece comprometida durante semanas ou meses.

Por enquanto, a aproximação do Brent de US$ 100 volta a colocar petróleo, combustíveis e inflação entre os principais riscos acompanhados pelos investidores, enquanto o mercado aguarda informações sobre os danos às instalações sauditas e os próximos movimentos no Oriente Médio.

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Vista aérea de uma refinaria de petróleo, com torres de processamento, tubulações e estruturas industriais.
Petróleo (Foto: Canva)