A recente escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela reacendeu temores de um possível choque nos preços do petróleo. No entanto, a avaliação de analistas é de que, ao menos no curto prazo, o episódio não altera de forma relevante o equilíbrio do mercado global da commodity.
“O principal fator que limita qualquer reação mais forte é a baixa capacidade operacional da Venezuela. Embora o país detenha cerca de 17% das reservas globais de petróleo, sua produção atual é reduzida após anos de sucateamento da PDVSA, o que faz com que a participação venezuelana no fluxo comercial internacional seja inferior a 1%“, analisa Pedro Galdi, analista de investimentos da AGF.
Além disso, o mercado segue operando em um ambiente de excesso de oferta global, o que impede altas mais consistentes. No fim de semana, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sinalizou manutenção dos níveis de produção no primeiro trimestre, reforçando a leitura de estabilidade.
Excesso de oferta mantém petróleo estável apesar do ruído geopolítico
Nesse contexto, o petróleo Brent permanece próximo de US$ 60 o barril, patamar que tende a se manter enquanto não houver rupturas relevantes na oferta global. Para Galdi, riscos mais significativos para os preços continuam concentrados no Oriente Médio, região estruturalmente sensível a choques geopolíticos.
No Brasil, o impacto prático sobre a Petrobras também é considerado limitado.
“O cenário não muda os fundamentos da companhia no curto prazo. O preço do petróleo continua mais ligado à dinâmica global de oferta e demanda do que à situação venezuelana”, afirma o analista.
Para investidores, a principal lição é separar o ruído geopolítico dos fundamentos do mercado.
“Manchetes geram volatilidade, mas o que move o petróleo é produção e fluxo. Esses fatores seguem praticamente inalterados”, conclui Galdi.












