A Petrobras foi informada nesta quarta-feira (4) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de que poderá retomar a perfuração de um poço exploratório na Margem Equatorial, na Bacia da Foz do Amazonas, desde que cumpra um conjunto de novas exigências técnicas e operacionais estabelecidas pelo órgão regulador.
Os trabalhos haviam sido paralisados no dia 6 de janeiro, após o registro de vazamento de fluido de perfuração durante a operação no poço Morpho, localizado no bloco exploratório FZA-M-059.
Segundo a Petrobras, o material vazado era um fluido de perfuração utilizado para limpar e lubrificar a broca durante o processo, além de auxiliar no controle da pressão do poço e na estabilidade das paredes. A estatal afirmou, à época, que o produto atende aos limites de toxicidade previstos na legislação ambiental, é biodegradável e não oferece riscos ao meio ambiente nem às pessoas.
Mesmo assim, o episódio gerou manifestações de preocupação por parte de organizações indígenas e ambientalistas, dada a sensibilidade ambiental da região da Margem Equatorial.
Petrobras Margem Equatorial e as exigências da ANP
De acordo com a decisão da ANP, a retomada das atividades da Petrobras na Margem Equatorial está condicionada à substituição de todos os selos das juntas do riser de perfuração, o tubo de grande diâmetro que conecta o poço no fundo do mar à sonda de perfuração flutuante na superfície.
O riser funciona como uma extensão temporária do poço, permitindo a descida da broca e da coluna de perfuração até o fundo do mar e o retorno da lama de perfuração à sonda, garantindo o controle e a segurança da operação.
Além da substituição dos selos, a Petrobras deverá apresentar evidências da troca em até cinco dias após a instalação da última junta, acompanhadas de uma análise técnica que comprove a adequação do procedimento.
A ANP também determinou a revisão do Plano de Manutenção Preventiva da sonda, com redução do intervalo de coleta de dados dos registradores de vibração submarina durante os primeiros 60 dias após a retomada da perfuração.
Outra exigência envolve o uso de juntas de riser reservas, que só poderão ser empregadas após o envio dos respectivos certificados de conformidade, comprovando que passaram por inspeção e eventuais reparos de acordo com as normas técnicas aplicáveis.
A agência informou ainda que realiza, desde a última segunda-feira (2), uma auditoria no sistema de gestão de segurança operacional da sonda utilizada no projeto.
Posição da Petrobras
Ao comunicar o vazamento ocorrido na Margem Equatorial, em janeiro, a Petrobras afirmou que “adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes”. Segundo a estatal, a perda de fluido ocorreu em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço Morpho.
A companhia reiterou que não houve comprometimento da integridade da sonda nem do poço, que permaneceram em condições seguras de operação.
“A ocorrência não oferece riscos à segurança da perfuração”, informou a empresa em nota divulgada à época.
Procurada para comentar a decisão mais recente da ANP, a estatal não havia se manifestado até o fechamento desta matéria.












