As petroleiras sobem com a guerra no Irã nesta segunda (02) e figuram entre as principais altas da Bolsa brasileira. O movimento acompanha a valorização do petróleo no mercado internacional após os ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no fim de semana.
O barril do tipo Brent chegou a superar US$ 82 na abertura dos mercados asiáticos. Mesmo após alguma acomodação ao longo da manhã, a commodity permanece em patamar elevado e sustenta a alta do setor de energia na B3.
Entre os destaques do pregão, a Prio lidera os ganhos do Ibovespa. As ações preferenciais e ordinárias da Petrobras também operam em forte valorização, enquanto Brava Energia e PetroRecôncavo avançam acompanhando o movimento global da commodity.
Petroleiras sobem com guerra no Irã
Segundo Marco Saravalle, CIO da MSX Invest | Krivo, a reação imediata das ações tem relação direta com a estrutura operacional das empresas petrolíferas.
“As empresas do setor de petróleo têm uma alavancagem operacional muito grande. O volume dessas companhias é praticamente dado. Então tudo que o preço do petróleo subir automaticamente se transforma em geração líquida de caixa”, explica.
O executivo destaca que, diferentemente de uma indústria tradicional, a companhia não precisa aumentar custos para produzir mais quando o preço sobe. A produção já está programada e definida pelos investimentos realizados anteriormente.
“Ela já sabe quando vai produzir, independente do preço do petróleo. Diferente de uma fábrica, não existe um custo adicional relevante. Por isso a alta do petróleo vira diretamente resultado”, afirma Saravalle.
Petrobras pode dobrar rentabilidade
De acordo com Saravalle, a valorização do barril pode alterar significativamente a rentabilidade das petroleiras. No caso da Petrobras, o fluxo de caixa livre ao acionista poderia praticamente dobrar.
“A Petrobras poderia sair de cerca de 6% de free cash flow yield para algo próximo de 13%. É praticamente dobrar a rentabilidade para o acionista”, diz.
O efeito é ainda mais sensível em empresas menores.
“Para algumas companhias, especialmente as menores, elas deixam de ser deficitárias e passam a ser altamente geradoras de caixa”, acrescenta.
Preço atual supera projeções da estatal
O planejamento estratégico da Petrobras considera um preço médio do Brent próximo de US$ 63 para 2026. A sensibilidade ao preço da commodity é elevada.
“A cada US$ 10 a mais no petróleo, a própria Petrobras calcula que gera cerca de US$ 5 bilhões adicionais de caixa”, afirma o gestor.
Com o barril se aproximando de US$ 80, o mercado já começa a revisar projeções de lucro e dividendos.
“Provavelmente vamos ter que revisar para cima as projeções e, consequentemente, até os dividendos da Petrobras”, avalia.
Petroleiras sobem com guerra no Irã: Conflito prolongado sustenta preços
Embora o câmbio tenha algum impacto negativo quando o real se valoriza, o especialista ressalta que o preço do petróleo é muito mais determinante para o setor.
“As companhias são muito mais sensíveis ao preço do petróleo do que ao câmbio. O efeito do petróleo compensa com folga o efeito cambial”, explica.
Para o mercado, o principal fator agora é a duração do conflito no Oriente Médio. A preocupação envolve possíveis ataques a instalações energéticas ou interrupções logísticas na região.
“Pode durar um bom tempo e manter o petróleo pressionado, seja por ataques, por dificuldades de transporte ou até fechamento de rotas que representam cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás”, conclui.












