Segundo a última divulgação da FGV, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) de janeiro de 2026 registrou forte alta de 0,65% na sua média, tendo variação positiva em todas as capitais.


“Apesar da forte desaceleração observada na taxa de variação em 12 meses dos preços de aluguel residencial, esse movimento se deve a um forte efeito-base – a janela de 12 meses passou a comparar o nível atual com um período anterior em que os reajustes estavam mais elevados – a exemplo de janeiro de 2025 que registrou alta mensal de 3,7%. Ainda assim, a desaceleração do acumulado em 12 meses não implica, por si só, queda do aluguel ou pausa do movimento de preços. Inclusive, os aluguéis podem seguir registrando aumentos mensais, porém em ritmo compatível com uma normalização do ciclo após um período de maior volatilidade registrada entre 2023 e 2024.” informou a FGV IBRE.
A corrida dos aluguéis residenciais começou o ano em ritmos diferentes nas principais capitais do país, com algumas cidades acelerando e outras finalmente pisando no freio. No Rio de Janeiro, os preços ganharam força, com a taxa interanual saltando de 6,16% em dezembro para 7,45% em janeiro. São Paulo seguiu a mesma tendência, saindo de 5,52% para 6,15% no período, sinalizando que o custo de morar de aluguel continua subindo e pressionando o bolso dos inquilinos.
Em Belo Horizonte, apesar de os valores ainda estarem em patamar elevado, o mercado deu uma leve respirada: a taxa acumulada em 12 meses passou de 10,71% para 10,05%, indicando uma desaceleração moderada no ritmo de alta. Já Porto Alegre foi o grande destaque entre as capitais analisadas — mas pelo lado da queda na pressão — registrando a maior desaceleração, com o índice recuando de 12,64% em dezembro para 8,65% em janeiro de 2025. O movimento sugere um começo de ano mais equilibrado para quem busca aluguel na capital gaúcha, enquanto outras cidades ainda enfrentam reajustes mais intensos.
IVAR e a alta no aluguel: sua funcionalidade e importância
O IVAR é calculado a partir de dados reais de contratos de aluguel residencial nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Esses dados são coletados diretamente com empresas do setor imobiliário, oferecendo um retrato mais fiel dos valores efetivamente pagos pelos inquilinos. Ou seja, o índice não se baseia em anúncios ou estimativas, mas em contratos reais firmados no mercado.
Ele pode ser um grande aliado na profissionalização do setor imobiliário, ajudando tanto administradoras quanto proprietários a tomar decisões que reduzam judicializações. Mas, sem visibilidade, muitos profissionais continuam se guiando por referências como o IGP-M, que seriam, digamos assim, desatualizadas para a classe residencial. A falta de informação sobre o IVAR acaba sendo um obstáculo para a modernização e eficiência do mercado de locação no país.
Além disso, enquanto muitos profissionais do setor imobiliário continuam utilizando índices desatualizados ou mais voltados ao setor comercial, como o próprio IGP-M, o IVAR traz um olhar mais ajustado à realidade das locações residenciais. Com ele, administradoras e proprietários podem tomar decisões mais estratégicas e até mesmo evitar judicializações relacionadas a reajustes abusivos ou mal embasados.
*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.












