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Opinião: o déficit que move o mundo

Redação BM&C News Por Redação BM&C News
30/04/2025
Em OPINIÃO

*Por Bruno Corano

Enquanto boa parte dos países se esforça para equilibrar suas contas externas, os Estados Unidos seguem acumulando déficits em série. O que, em qualquer outra economia, seria o prenúncio de uma crise cambial, nos EUA é parte de uma engrenagem global que sustenta o dólar como a principal moeda de reserva do planeta.

A origem do déficit como estrutura sistêmica

Desde o colapso do sistema de Bretton Woods em 1971 — quando Richard Nixon encerrou a conversibilidade do dólar em ouro — os EUA passaram a operar com um regime de câmbio flexível, abrindo espaço para déficits comerciais persistentes. O padrão-ouro deu lugar ao padrão-dólar, e a moeda americana se consolidou como o lastro do comércio global.

Durante os anos 1970 e 1980, os déficits em conta corrente começaram a se acumular. Embora os EUA ainda fossem credores líquidos até o começo dos anos 1980, a trajetória se reverteu de forma estrutural. Em 1989, o país se tornou devedor líquido frente ao resto do mundo, e desde então, esse passivo externo não parou de crescer.

Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, o passivo externo líquido americano ultrapassa hoje US$ 10 trilhões.

Déficit? Para os EUA, significa entrada de capitais

Os dólares que saem dos EUA na forma de pagamentos por importações não desaparecem — eles retornam como investimentos. Investidores estrangeiros, empresas multinacionais, fundos soberanos e bancos centrais reinvestem esses recursos em ativos denominados em dólar: Treasuries, ações de Big Techs, imóveis de alto padrão e startups.

Esse ciclo de saída de dólares via balança comercial e retorno via conta financeira garante aos EUA um acesso quase irrestrito ao financiamento internacional. O país importa bens e serviços e, em troca, exporta segurança financeira.

O privilégio exorbitante: termo que explica tudo

O conceito foi cunhado pelo ministro francês Valéry Giscard d’Estaing, nos anos 1960, ao criticar o poder desproporcional dos EUA no sistema monetário internacional. O termo “privilégio exorbitante” descreve a capacidade americana de financiar déficits externos continuamente, sem sofrer as consequências típicas — como desvalorização cambial, perda de reservas ou fuga de capitais.

Outros países, para manter estabilidade cambial, precisam gerar superávits ou captar recursos em moedas fortes. Os EUA, por sua vez, imprimem a moeda que todos querem deter.

O mercado financeiro mais profundo e líquido do mundo

A atratividade do dólar está ancorada na profundidade e sofisticação do sistema financeiro americano:

  • O mercado de Treasuries é o maior e mais líquido do planeta.
  • As bolsas americanas abrigam as maiores empresas globais em capitalização e inovação.
  • O sistema jurídico americano oferece segurança institucional e previsibilidade para investidores estrangeiros.

Isso tudo transforma ativos denominados em dólar no porto seguro preferido do mundo — especialmente em tempos de crise.

EUA e China: Codependência Estratégica

A relação comercial entre EUA e China é a ilustração mais nítida dessa engrenagem. A China exporta volumes imensos para os americanos, acumula reservas em dólares e as reinveste nos próprios EUA. Mesmo em meio à guerra comercial iniciada em 2018, os fluxos comerciais e financeiros nunca cessaram totalmente.

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Embora o yuan ganhe relevância regional, sua internacionalização é limitada pelo controle estatal e pela ausência de um sistema jurídico transparente.

Tentativas de quebrar o domínio do dólar

Diversas iniciativas surgiram ao longo das últimas décadas para desafiar o dólar:

  • BRICS tentam criar alternativas financeiras, como um sistema de pagamento independente de SWIFT.
  • União Europeia tentou impulsionar o euro como moeda de reserva — mas a fragmentação política limita seu alcance.
  • Criptomoedas prometeram descentralização, mas ainda estão longe de oferecer estabilidade para operações globais.

Enquanto isso, o dólar segue dominante: cerca de 60% das reservas cambiais globais estão alocadas em ativos americanos (FMI, 2024).

Dados históricos reforçam a hegemonia

  • Em 1944, no Acordo de Bretton Woods, o dólar foi adotado como principal moeda de conversão internacional, consolidando o papel dos EUA na reconstrução do pós-guerra.
  • Durante a crise de 2008, mesmo sendo o epicentro da turbulência, os EUA viram a demanda por Treasuries subir — sinal da confiança estrutural no dólar.
  • Na pandemia de 2020, os EUA puderam emitir trilhões em pacotes de estímulo sem provocar fuga de capitais ou desvalorização cambial.

O déficit como peça de engrenagem global

Economistas como Krugman e Obstfeld lembram: déficits em conta corrente significam consumo do presente em troca de obrigações futuras. A diferença é que, no caso americano, esse “adiantamento” é tolerado — e até desejado — pelo resto do mundo. Sem o déficit americano, não haveria oferta suficiente de dólares para sustentar o comércio e as reservas internacionais.

E se o mundo quiser abandonar o dólar?

Boa sorte. Enquanto não houver outra moeda com a mesma liquidez, volume de ativos, estabilidade política e profundidade financeira, o dólar continuará sendo a engrenagem central do sistema.

O euro sofre com falta de união fiscal. O yuan, com controle político. As criptos, com volatilidade. Não basta existir uma alternativa: é preciso que o mundo confie nela — e essa confiança ainda está distante.

O cartão de crédito da hegemonia

O déficit comercial americano não é uma anomalia a ser corrigida — é parte essencial do modelo que sustenta a ordem financeira global. Enquanto o dólar for visto como sinônimo de estabilidade, os EUA continuarão a importar mais do que exportam — e financiar esse padrão com ativos que todos querem comprar.

É como se o país fosse o único do mundo autorizado a emitir o cartão de crédito e ainda recebesse cashback por usá-lo. Todos conhecem as regras do jogo. E, por enquanto, todos continuam jogando.

  • Instagram: @brunocorano
  • Contato: [email protected]
*Bruno Corano é empresário, investidor, economista formado pela UPENN,
sócio controlador da Corano Capital NYC, maior gestora privada brasileira nos EUA.

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