Uma linha de monotrilho, de apenas 7,7 quilômetros, demorou 14 anos para ser concluída na cidade de São Paulo, passando neste período pela mão de cinco governadores de estado (três eleitos e dois vices que assumiram o Palácio dos Bandeirantes): Geraldo Alckmin, Márcio França, João Doria, Rodrigo Garcia e Tarcísio de Freitas. A obra andou apenas sob a supervisão de Tarcísio e reflete a inércia à qual a burocracia é submetida diante de entraves de diversas naturezas.
O trecho, batizado como Linha 17-Ouro do metrô de São Paulo, custou R$ 9 bilhões aos cofres públicos e enfrentou rescisões contratuais sucessivas. Neste meio-tempo, consórcios como CRM e CR Monotrilho atrasaram a obra e foram desqualificados; a Bombardier (fornecedor original de trens) faliu, até ser substituída pela chinesa BYD; disputas judiciais por desapropriações na Avenida Washington Luís também provocaram atrasos; a Operação Lava Jato afetou empreiteiras envolvidas paralisou o processo; a pandemia de Covid-19 agravou problemas logísticos, com importação de trens atrasada e estruturas deterioradas por abandono; por fim, sucessivas fiscalizações do TCU também provocaram paralisações.
O governador Tarcísio retomou o ritmo em 2023 e a operação parcial começa nesta quinta-feira. A nova linha vai beneficiar a população de bairros como Brooklin e Morumbi, além de provocar um alívio no trânsito da região. A linha 17-Ouro é um exemplo de como a burocracia pode engolir a administração pública e arrastar processos por anos a fio.
Os problemas enfrentados pela obra, é preciso reconhecer, não foram pequenos. Mas um administrador do setor privado com expediente poderia ter resolvido tudo em pelo menos metade do tempo. Na máquina pública, no entanto, não há responsáveis diretos sobre os fracassos administrativos: sempre há alguém para culpar, especialmente aqueles que estão fora da estrutura estatal.
A lentidão brasileira contrasta com a capacidade de execução vista em países que tratam infraestrutura como prioridade estratégica. A China ergueu, em menos de quatro anos, a ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau, com 55 quilômetros de extensão, túneis submersos e ilhas artificiais. Os Estados Unidos reconstruíram em apenas 13 meses o viaduto I-35W, em Minneapolis, após o colapso que matou 13 pessoas, mobilizando governo, empresas e fiscalização de forma coordenada. Esses exemplos mostram que obras complexas podem avançar com rapidez quando há clareza de comando, metas objetivas e clareza na prestação de contas. No Brasil, a máquina pública segue presa a rituais que se acumulam como camadas de poeira sobre qualquer iniciativa, transformando projetos simples em maratonas intermináveis. Enquanto persistir essa cultura de dispersão e ausência de transparência, cada quilômetro de infraestrutura continuará custando anos de espera e cifras incompatíveis com o benefício entregue à população.













