A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada ontem apresenta um alento para os eleitores de direita, que se mostraram preocupados com o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. O senador supera numericamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma situação de empate técnico, nas simulações de segundo turno (46,3% contra 46,2%). O estudo também revela que a popularidade do presidente não vai bem. A aprovação de Lula caiu de 48,7% para 46,6%, enquanto a desaprovação subiu de 50,7% para 51,5%.
O levantamento também aponta que Lula e Flávio lideram o índice de rejeição, com 48,2% e 46,4%, respectivamente. Esse dado indica um teto eleitoral apertado, o que ajuda a explicar a dificuldade de ambos em abrir vantagem nas simulações de segundo turno. Já o governador Tarcísio de Freitas, que se retirou da disputa, apresenta rejeição menor, de 35,5%. Ele seria uma espécie de carta na manga para o eleitorado de direita caso o cenário nacional se altere diante de alguma eventualidade.
Os números indicam que estamos novamente diante de um duelo de rejeições. O índice do presidente, no entanto, é maior, resultado de um desgaste natural para quem está em seu terceiro mandato e cujo discurso parece não estar sintonizado com os novos tempos. Essa taxa de desaprovação restringe o potencial de crescimento de Lula, enquanto Flávio se beneficia da consolidação do eleitorado de direita, que migra de forma relativamente orgânica entre nomes do mesmo campo.
Em todos os cenários pesquisados, Lula praticamente repete no segundo turno os resultados da simulação da etapa inicial do pleito. Em um deles, ele teria 45,1% dos votos no primeiro turno, contra 39,5% de Flávio (Romeu Zema aparece com 3,9%, Ratinho Jr. com 3,8% e Renan Santos com 3,2%). Do primeiro para o segundo turno, porém, Lula ganha apenas 1,1 ponto percentual, enquanto o avanço de Flávio é de quase sete pontos percentuais.
Ao compararmos os resultados, parece claro que o teto de Lula ficou mais baixo do que o do senador. Mas isso não quer dizer que esse cenário vá continuar até outubro. O PT prepara uma ofensiva eleitoral forte, com ênfase em projetos sociais (o fim da jornada 6×1 e o transporte público gratuito), além de começar a bater no principal nome da oposição, coisa que não ocorreu até agora.
Mesmo assim, qual seria o verdadeiro apelo desta abordagem junto ao eleitorado? Existe forte possibilidade de que Lula já tenha sensibilizado todo o público potencial que gosta de um discurso de assistencialismo e direitos trabalhistas. Caso isso seja verdade, todo o esforço de campanha poderia ter pouco efeito prático, já que não haveria muita aderência (para usar um termo que os marqueteiros gostam) entre suas ideias e o público-alvo.
Diante desse cenário, Flávio Bolsonaro chega a esta fase da disputa em posição competitiva. Ainda assim, o senador não tem caminho livre. Para sustentar o avanço registrado nesta última pesquisa, precisará administrar com cuidado seu protagonismo e, sobretudo, conter eventuais deslizes de aliados que possam ampliar a taxa de rejeição. Em um ambiente tão polarizado e com margens tão estreitas, qualquer movimento descoordenado pode repercutir de forma desproporcional. O estudo sugere que há espaço para Flávio se consolidar, mas também deixa claro que a disputa seguirá sensível a erros, ruídos e à disciplina estratégica de cada candidato até a reta final.
Aluizio Falcão Filho é jornalista, articulista e publisher do portal Money Report. Foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide
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