Um artigo publicado ontem no UOL merece atenção especial. O texto, assinado pelo economista Felipe Bailez e pelo administrador Luis Fakhouri, mostra dados importantes sobre a influência do WhatsApp nas eleições brasileiras. Os autores afirmam que esta ferramenta já funciona como um dos principais espaços de disputa política para a eleição presidencial de 2026.
Segundo essa análise, monitoramentos de milhares de grupos públicos revelam que o debate eleitoral domina as conversas e que a direita tem conseguido maior volume e engajamento, especialmente em torno do nome de Flávio Bolsonaro. A coluna também menciona que mensagens sobre o governo federal circulam majoritariamente em tom crítico nesses grupos, enquanto conteúdos favoráveis ao senador ganham tração impulsionados por pesquisas recentes, eventos de rua e críticas à gestão atual.
Bailez e Fakhouri argumentam: “Nos últimos sete dias, considerando apenas as mensagens com posicionamento explícito, é possível entender a força de Flávio: entre as que mencionam Lula e expressam algum julgamento, 80,6% são críticas ao presidente e apenas 19,4% são de apoio declarado. Já nas mensagens sobre Flávio Bolsonaro, 54,5% são menções favoráveis, contra 45,5% de tom crítico, uma diferença que reflete tanto o entusiasmo da base bolsonarista como também as principais resistências que o senador precisa superar”.
O WhatsApp, de fato, consolidou-se como um instrumento crucial para a comunicação política no Brasil, especialmente desde 2018, quando se tornou um dos principais meios de circulação de mensagens, coordenação de militância e mobilização territorial. Trata-se de um aplicativo usado diariamente por nove em cada dez brasileiros e alcança 93% da população conectada, o que o coloca no centro das estratégias eleitorais por sua combinação de baixo custo, capilaridade e alta taxa de leitura de mensagens.
Nas eleições de 2022, grupos políticos utilizaram o serviço de mensagens digitais para organizar ações, disseminar conteúdos e tentar influenciar a opinião pública. Para 2026, o WhatsApp continuará sendo uma ferramenta estratégica, especialmente para candidaturas com pouco orçamento que dependem de redes locais — igrejas, escolas e associações de bairro — para ampliar alcance.
O cenário deste ano também traz novos desafios: a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa, que já alcançam milhões de brasileiros, cria riscos adicionais de manipulação e produção de conteúdos enganosos. Mas a IA pode exercer influência diferente da proporcionada por tecnologias anteriores. A combinação entre mensageria privada e Inteligência Artificial amplia o potencial de circulação de conteúdos difíceis de rastrear, tornando o combate à desinformação ainda mais complexo.
Mesmo com essas transformações, o WhatsApp deve manter — e possivelmente ampliar — sua relevância nas eleições de 2026. A comunicação direta, especialmente por áudio e status, deve crescer, enquanto grupos continuarão sendo espaços de mobilização intensa. A expectativa é a de que o aplicativo seja particularmente decisivo no segundo turno, quando a disputa vai se afunilar e a capacidade de engajar bases locais se tornará vital. Por ora, Flavio Bolsonaro largou na frente nesta seara. Conseguirá manter a dianteira até o final?
*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho, é jornalista, articulista e publisher do portal Money Report. Foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide
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