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Aluizio Falcão Filho

Gabrielli: a saída, como sempre, é sobretaxar os mais ricos

Em um vídeo que circula bastante nas redes sociais, o ex-presidente americano Ronald Reagan aparece citando uma frase de outro republicano, Abraham Lincoln: “Você não fortalece o pobre enfraquecendo os ricos”. Este pensamento é a base de uma proposta econômica dos liberais: reduzir impostos de empresas e de empresários para que uma parte do capital seja utilizada em investimentos produtivos. Com isso, é possível criar empregos e produzir mais riqueza para o país.

No que depender do PT, no entanto, isso jamais será implementado no Brasil. Em uma entrevista publicada pela “Folha de S. Paulo”, Sérgio Gabrielli, coordenador-geral do programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, disse que sua equipe discute elevar novamente o imposto de renda dos “super-ricos” em caso de vitória, além de outras mudanças regulatórias que entraram em vigor ainda em 2026.

Não é à toa que o programa de governo de Lula, divulgado no início de agosto, fale em “colocar o pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda”. É por essas e por outras que ao menos 179 empresas de capital brasileiro operam hoje no Paraguai sob o chamado regime de maquila, das quais 47 iniciaram atividades nos últimos cinco anos.

Através deste regime, as companhias transferem etapas específicas de sua produção para o país vizinho, como montagem, corte, costura ou embalagem. Dessa maneira, pagam apenas 10% de imposto sobre o lucro líquido dessas operações. A comparação com o Brasil é cruel: 34% somando IRPJ e CSLL, sem considerar tributos sobre consumo e encargos previdenciários. Se os empresários forem taxados ainda mais, teremos seguramente uma nova onda de empresas transferindo boa parte de seus ativos para terras paraguaias.

Não apenas o Paraguai, mas o Uruguai também está atraindo brasileiros com a promessa de menor carga tributária. Isso ocorreu em outros países, com a Itália, por exemplo, abrigando muitos multimilionários britânicos após uma elevação de impostos por parte do governo trabalhista.

O capital é ágil e não é refém de fronteiras. Por isso, tributar os mais ricos pode ser um tiro no pé. Mas vejamos o que acontece quando se reduz impostos que incidem sobre lucros das empresas.

A reforma tributária americana de 2017, que reduziu a alíquota federal de 35% para 21% é um caso significativo. Um estudo publicado no Journal of Corporate Finance comparou empresas americanas com empresas canadenses no período entre 2010 e 2019. O resultado mostrou que o investimento das empresas americanas cresceu de forma relativa após o corte de impostos, com destaque para companhias intensivas em capital e para aquelas que enfrentavam restrições financeiras antes da reforma. A estimativa é a de que cada redução de 1% no custo efetivo de novos bens de capital, o investimento cresce em cerca de 3%. Esses números indicam que, quando a desoneração reduz diretamente o custo de adquirir maquinário e equipamentos, o efeito sobre o investimento produtivo aparece com clareza.

A insistência do PT em taxar cada vez mais os super-ricos revela o esgotamento de uma fórmula que nunca produziu, em lugar nenhum do mundo, a igualdade social prometida. França, Reino Unido e tantos outros países que apostaram nessa receita viram fortunas migrarem para nações mais amigáveis, sem que a arrecadação extra se traduzisse em bem-estar duradouro para os mais pobres.

O Brasil corre o risco de repetir esse roteiro, expulsando capital produtivo justamente no momento em que mais precisa dele para gerar emprego e renda. Gabrielli e o PT insistem em sobretaxar quem produz porque essa é a única gramática econômica que conhecem, mesmo com o mundo inteiro mostrando as consequências desse caminho. A pergunta que não quer calar é: até quando o eleitor brasileiro vai aceitar pagar essa conta?

*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho, é jornalista, articulista e publisher do portal Money Report. Foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide

*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

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