A ida de Ronaldo Caiado para o PSD e as últimas pesquisas que mostraram alguma musculatura na candidatura de Flávio Bolsonaro revigoraram o pragmatismo do Centrão. Os centristas já não mais lamentam a desistência do governador Tarcísio de Freitas em relação à corrida presidencial e se debruçam sobre as alternativas que estão na mesa: o próprio Flávio, Caiado, Ratinho Jr., Romeu Zema e Eduardo Leite. Mas o empresariado, de maneira geral, ainda não superou a saída de Tarcísio do rol de candidatos presidenciais – e ainda sonha com sua candidatura.
Se o governador paulista voltar ao jogo, será bem recebido pelo Centrão. Mas os políticos mais calejados preferem trabalhar com as peças que ficaram no tabuleiro, contrastando com o inconformismo dos empresários. No entanto, mesmo entre a chamada Faria Lima, já existem aqueles que – mesmo com a rejeição em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro – já admitem votar em Flávio ainda no primeiro turno.
Uma dúvida, no entanto, assola o mercado financeiro e os empresários: o senador será tão moderado quanto vem apregoando? Há muito tempo para que Flávio mostre sua personalidade ao eleitorado e consiga reduzir a rejeição que ainda segura sua performance nas pesquisas.
Tomemos como exemplo a última enquete do instituto Paraná Pesquisas. O senador subiu um pouco mais que cinco pontos percentuais em relação ao estudo feito em dezembro, chegando a 33,1 contra 39,8% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (na primeira etapa das eleições). Nas simulações de segundo turno, porém, os dois estão em empate técnico: 44,8% contra 42,2%. Isso estaria ocorrendo em um cenário no qual a rejeição ao nome de Flávio ainda estaria muito alta. Portanto, há chances de o senador crescer ainda mais se o seu trabalho de comunicação for bem-feito.
Flávio tenta ocupar esse espaço com uma estratégia dupla: suavizar a imagem associada ao bolsonarismo raiz e, ao mesmo tempo, preservar a identidade política que o conecta ao eleitorado fiel do ex‑presidente. É um equilíbrio delicado, que exige disciplina e consistência, duas qualidades que o mercado observa com lupa.
O empresariado, por outro lado, vive um dilema. Reconhece que Tarcísio seria o nome mais confortável, mas também percebe que a política não costuma oferecer cenários ideais. A depender do ritmo de crescimento de Flávio nas próximas pesquisas e da sua habilidade em reduzir rejeição, parte significativa do mercado pode migrar de vez para sua candidatura — não por entusiasmo, mas por pragmatismo.
O fato é que, com a saída de Tarcísio, abriu‑se um vácuo que ainda não foi preenchido de maneira definitiva. Flávio Bolsonaro tenta ocupá‑lo, Caiado e Ratinho Jr. observam, e o Centrão calibra seus movimentos com a frieza habitual. Já o empresariado, especialmente o que orbitava em torno do governador paulista, ainda parece preso a um cenário que não existe mais.
E é justamente aí que reside o risco. O relógio eleitoral está correndo, e as chances de Tarcísio reconsiderar sua decisão são mínimas. A política, entretanto, não costuma esperar por hesitações. Se o mercado quiser realmente influenciar o tabuleiro, precisará esquecer o passado recente e adotar uma postura mais pragmática, lidando com os nomes que estão postos. A disputa já começou e quem demorar a aceitar isso corre o risco de ficar apenas assistindo ao jogo, em vez de participar dele. Isso ocorreu em 2018, quando o mercado esperou um crescimento das candidaturas de centro que nunca houve. Será que a história vai se repetir em 2026?
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