A aprovação de Donald Trump caiu para 32% entre adultos nos Estados Unidos na pesquisa Reuters/Ipsos realizada de 17 a 20 de setembro de 2026, enquanto 66% desaprovam o desempenho do presidente. Segundo a Ipsos, é o menor nível registrado em seus levantamentos sobre os dois mandatos de Trump.
A pesquisa Reuters/Ipsos ouviu 1.277 adultos entre 17 e 20 de setembro de 2026 e tem margem de erro de 2,8 pontos percentuais. Na rodada anterior, a aprovação era de 35%, o que reforça o movimento recente de desgaste captado pelo instituto.
O que mostrou a pesquisa Reuters/Ipsos de setembro de 2026?
De acordo com o levantamento conduzido pela Ipsos em parceria com a Reuters, 32% dos adultos americanos aprovam o desempenho de Donald Trump como presidente, enquanto 66% desaprovam.
A Ipsos classifica esse resultado como o menor índice de aprovação registrado em seus levantamentos sobre os dois mandatos de Trump. A pesquisa faz parte da série recorrente de sondagens de opinião divulgadas pelo instituto em seu painel de principais pesquisas nos EUA e nos relatórios específicos da pesquisa Reuters/Ipsos de setembro de 2026.
Pelos parâmetros estatísticos informados, os resultados estão sujeitos a uma variação de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos, padrão das sondagens nacionais conduzidas pelo instituto.
### Principais números da pesquisa
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Aprovação geral de Trump entre adultos | 32% |
| Desaprovação geral | 66% |
| Tamanho da amostra | 1.277 |
| Margem de erro | 2,8 p.p. |
| Aprovação na rodada anterior | 35% |
| Aprovação na condução do custo de vida | 17% |
| Desaprovação na condução do custo de vida | 74% |
| Aprovação na condução da situação com o Irã | 24% |
| Apoio entre republicanos (rodada anterior) | 82% |
| Apoio entre republicanos (pesquisa de 17 a 20/09/2026) | 73% |
Como a aprovação de Trump mudou em relação à rodada anterior?
Na comparação direta com a pesquisa anterior da mesma série Reuters/Ipsos, a aprovação geral de Trump recuou de 35% para 32%.
Entre eleitores republicanos, a queda também é nítida: o apoio ao presidente foi de 82% para 73%. O próprio instituto destacou esse movimento em release oficial intitulado “Republicans’ rating of Trump on the cost of living declines”, associando a piora da avaliação ao tema do custo de vida.
A combinação de recuo no público geral e perda de terreno na base republicana é um ponto de atenção relevante do ponto de vista político e de governabilidade, sobretudo em um ano marcado por debates sobre inflação, juros e poder de compra.
Por que o custo de vida pesa tanto na avaliação do governo?
O custo de vida aparece como o principal foco de desgaste do presidente na pesquisa. Apenas 17% dos entrevistados aprovam a condução do tema por Trump, enquanto 74% desaprovam.
Esse recorte mostra que, mesmo entre eleitores que podem concordar com a administração em outras frentes, a percepção sobre preços no dia a dia e renda disponível passou a exercer um peso desproporcional na avaliação do governo.
Para agentes de mercado, o dado reforça que a percepção do eleitor americano está ancorada em variáveis como inflação de bens essenciais, aluguel, serviços e sensibilidade a juros mais altos. Em contextos assim, políticas econômicas vistas como incapazes de aliviar o orçamento das famílias tendem a pressionar a popularidade presidencial independentemente de outros indicadores macroeconômicos.
A Ipsos já vinha registrando a centralidade do tema em materiais como “Cost of living remains top of mind for voters heading into the 2026 midterms”, disponível em seu site oficial, o que ajuda a conectar a pesquisa recente a um movimento mais amplo de preocupação dos eleitores.
O que os números revelam sobre Irã e apoio entre republicanos?
Além de medir a aprovação geral, o levantamento também perguntou sobre temas específicos. Na condução da situação com o Irã, 24% dos entrevistados aprovam o desempenho de Trump.
Embora esse percentual seja superior ao registrado para custo de vida, ele segue bem abaixo da avaliação típica que presidentes costumam buscar em temas de política externa. Um resultado nessa faixa indica que a política para o Irã não compensa, do ponto de vista de imagem, as perdas sofridas em economia doméstica.
Entre republicanos, o recuo de apoio geral de 82% para 73% indica que o desconforto com custo de vida e agenda econômica não está restrito a opositores. Quando a base partidária passa a avaliar de forma mais crítica o governo, o espaço de manobra para medidas impopulares em economia, comércio ou política externa tende a diminuir.
Esse tipo de movimento é acompanhado de perto por analistas porque pode afetar negociações com o Congresso, prioridades orçamentárias e o apetite do governo para reformas estruturais que tenham custo político de curto prazo.
O que a pesquisa sinaliza para a economia e para investidores em 2026?
Para quem acompanha os Estados Unidos pela ótica econômica e de investimentos, alguns pontos da pesquisa se destacam:
1. Pressão por respostas ao custo de vida
Com 74% de reprovação na gestão do custo de vida, a tendência é que o governo seja pressionado a adotar medidas com apelo direto ao consumidor, com potencial impacto em política fiscal, subsídios ou regulação de setores sensíveis a preços.
2. Menor espaço político para apertos adicionais
Em ambiente de desaprovação elevada, decisões que encareçam crédito ou contenham estímulos podem enfrentar resistência maior, tanto no debate público quanto dentro do próprio partido.
3. Risco de mudanças de rota em política externa
A aprovação de 24% na condução da situação com o Irã mostra que a política externa não funciona, neste momento, como contrapeso positivo na imagem do governo. Isso abre espaço para ajustes de discurso ou de estratégia, com eventuais reflexos em comércio, energia e defesa.
4. Volatilidade adicional em ano de decisões estratégicas
Pesquisas como essa entram no radar de casas de análise porque ajudam a calibrar a probabilidade de mudanças de curso em políticas pró-mercado, alterações regulatórias e revisões de prioridades em investimentos públicos.
Na prática, o investidor que acompanha ativos ligados à economia americana passa a lidar com um ambiente em que opinião pública, inflação percebida e custo de vida ganham ainda mais peso na leitura de risco político.
O que não muda, mesmo com a queda na aprovação?
Apesar da forte desaprovação captada na pesquisa, alguns elementos tendem a permanecer no curto prazo:
– A série de levantamentos Reuters/Ipsos continua sendo uma referência para monitorar a trajetória da popularidade presidencial, permitindo acompanhar se a aprovação de 32% se consolida ou é revertida nas próximas rodadas.
– A centralidade do custo de vida no debate permanece; a pesquisa confirma, mas não inaugura, esse movimento.
– A base republicana ainda mostra apoio majoritário a Trump, mesmo após a queda de 82% para 73%, o que preserva capacidade relevante de articulação política.
Para o leitor que acompanha os desdobramentos econômicos nos Estados Unidos, a orientação prática é acompanhar a combinação entre novas pesquisas de opinião, indicadores oficiais de inflação e decisões de política econômica. Essa convergência tende a definir se a aprovação em 32% será um ponto fora da curva ou o início de um novo patamar de popularidade para o governo Trump em 2026.
