Agenda de 28 de setembro a 2 de outubro terá dados de inflação e atividade, decisão de juros na Austrália, PMIs da China e Europa e atenção aos juros longos nos Estados Unidos
A última semana de setembro e de encerramento do terceiro trimestre começa com uma agenda econômica carregada e potencial para aumentar a volatilidade nos mercados. Entre os principais destaques estão o PCE e o payroll nos Estados Unidos, dados de atividade na China e na Europa, produção industrial no Brasil, decisão de juros na Austrália e a reta final antes do primeiro turno das eleições brasileiras.
No Brasil, a agenda doméstica começa nesta segunda-feira (28) com dados do setor externo e a balança comercial semanal. Na terça-feira (29), o mercado acompanha o IGP-M, a PNAD Contínua, o Caged e o resultado primário do Governo Central. Os dados serão importantes para medir inflação, mercado de trabalho e situação fiscal em um momento de maior sensibilidade dos ativos locais.
Na quarta-feira (30), serão divulgados o resultado primário consolidado, o Índice de Preços ao Produtor e o fluxo cambial semanal. Na quinta-feira (1º), sai o IPC-S, da Fundação Getulio Vargas. Na sexta-feira (2), os investidores acompanham o IPC-Fipe e os dados de produção industrial.
A inflação segue no radar. O IPCA-15 de setembro subiu 0,70%, acumulando alta de 4,47% em 12 meses, acima dos 4,24% registrados no período anterior. O dado reforçou a atenção do mercado à trajetória dos preços e aos efeitos sobre juros, câmbio e expectativas para a política monetária.
Nos Estados Unidos, a semana será decisiva para a leitura sobre juros. Na terça-feira (29), será divulgado o relatório Jolts, que mostra a abertura de vagas. Na quarta-feira (30), saem o PCE de agosto, medida de inflação acompanhada de perto pelo Federal Reserve, e a leitura final do PIB do segundo trimestre.
Na sexta-feira (2), o principal evento será o payroll de setembro, com dados sobre criação de vagas, taxa de desemprego e salários. O relatório será observado em conjunto com o PCE para avaliar se a economia americana segue aquecida e se a inflação ainda exige juros elevados por mais tempo.
Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre Market, da BM&C News, destaca o peso da agenda americana. “Para os Estados Unidos, será uma semana cheia, principalmente por conta desses três dados, três indicadores”, afirma, em referência ao PIB, ao PCE e ao payroll.
Os juros americanos também seguem no centro das atenções. O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos atingiu 5,20%, maior nível desde junho de 2007. O T-bond de 30 anos chegou a 5,49%, em patamar não visto desde 2004. A alta dos juros longos aumenta a pressão sobre bolsas, câmbio e ativos de países emergentes.
Na Europa, o Reino Unido divulga o PIB do segundo trimestre. Na Alemanha, o destaque será a taxa de desemprego de setembro, na quarta-feira. Na Zona do Euro, serão divulgados o PMI Industrial de setembro e a taxa de desemprego de agosto na quinta-feira. Na sexta-feira, o mercado acompanha o CPI de setembro, dado relevante para a leitura sobre inflação e próximos passos da política monetária europeia.
Na Ásia, a China terá uma bateria de indicadores de atividade. Serão divulgados os PMIs do NBS, incluindo indústria, serviços e composto, além dos PMIs industrial, de serviços e composto da Caixin. Os dados serão observados por seu impacto sobre commodities, comércio global e percepção sobre o crescimento da segunda maior economia do mundo.
No Japão, a terça-feira terá produção industrial e vendas no varejo. Na quarta-feira, será divulgado o PMI Industrial. Na quinta-feira, saem o CPI e a taxa de desemprego. Os dados ajudam a medir a atividade e a inflação em um país que continua no radar por causa da política monetária e do comportamento do iene.
A Austrália também entra no foco dos investidores. Na terça-feira, o Banco Central da Austrália anuncia sua decisão de política monetária. A expectativa em torno da decisão ocorre em um ambiente global ainda marcado por inflação persistente e juros elevados.
A semana terá ainda feriados em mercados relevantes. Taiwan não opera na segunda-feira. China e Hong Kong terão feriado na quinta-feira. China e Índia terão feriado na sexta-feira. A menor liquidez em parte da Ásia pode influenciar o comportamento de alguns ativos ao longo da semana.
Os mercados chegam a esta semana após desempenho misto. O Ibovespa caiu 0,95% na semana anterior, enquanto o dólar comercial avançou 0,73% ante o real. Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,28%, o S&P 500 avançou 1,22% e o Nasdaq ganhou 2,06%. O Dow Jones e o Russell 2000 chegaram a renovar mínimas de três meses antes da recuperação de sexta-feira.
Nas commodities, o petróleo teve forte queda. O Brent recuou 6,19%, enquanto o WTI caiu 3,82%. O movimento ocorre em meio à atenção dos investidores aos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio e aos possíveis impactos sobre oferta, inflação e política monetária.
Na NY/Comex, o ouro caiu 2,34% na semana, enquanto a prata recuou 3,48%. A queda dos metais preciosos ocorreu em um ambiente de juros longos elevados nos Estados Unidos, que aumenta o custo de oportunidade de ativos sem rendimento.
No mercado corporativo americano, a Micron divulga seus resultados do quarto trimestre fiscal na quarta-feira. Na quinta-feira, será a vez da Nike. As duas empresas ajudam a medir tendências distintas: tecnologia, memória e inteligência artificial de um lado; consumo e varejo global de outro.
Outro ponto de atenção no setor de tecnologia será a repercussão em torno do Muse, da Meta, ferramenta de inteligência artificial que vem chamando atenção no segmento. O tema reforça a influência da inteligência artificial sobre o comportamento das ações de tecnologia e sobre a formação de expectativas para investimentos em data centers e infraestrutura digital.
O fluxo na B3 também permanece no radar. Investidores estrangeiros retiraram R$ 688,6 milhões da Bolsa na quarta-feira (23). Apesar disso, o fluxo estrangeiro em setembro segue positivo em R$ 8,8 bilhões e, no ano, acumula entrada líquida de R$ 27,2 bilhões. Já os investidores institucionais ingressaram com R$ 232,3 milhões no mesmo dia, mas acumulam saída líquida de R$ 35,8 bilhões no ano.
No campo geopolítico, o presidente Donald Trump afirmou a repórteres no sábado que rejeitou uma oferta do Irã para abrir o Estreito de Ormuz. O tema permanece no radar por seus possíveis impactos sobre petróleo, inflação e expectativas de juros.
No Brasil, a proximidade das eleições deve manter política, cenário fiscal, juros e câmbio no centro da atenção. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, e o segundo turno, quando aplicável, em 25 de outubro. A reta final da campanha deve trazer pesquisas, debates e novas sinalizações de Brasília com potencial para influenciar os ativos locais.
A agenda também inclui os efeitos da Medida Provisória assinada na sexta-feira (25) pelo presidente Lula relacionada às apostas e jogos virtuais online no Brasil. O tema tem impacto sobre empresas, clubes, publicidade e investidores, especialmente porque 14 dos 20 clubes da Série A são patrocinados por casas de apostas.
Com payroll, PCE, PIB americano, inflação e atividade na Europa e na Ásia, decisão de juros na Austrália, fluxo estrangeiro na B3 e proximidade do primeiro turno, a semana deve ser marcada por ajustes de carteira e maior seletividade dos investidores. A virada de mês e de trimestre tende a reforçar movimentos técnicos de reposicionamento, especialmente em um ambiente de juros longos elevados e maior incerteza política.
