
A OI (OIBR3) divulgou no 2º trimestre duas entregas importantes a respeito do seu plano de transformação, que ela se intitula como “Nova Oi”, após o comunicado da conclusão da venda da operação da móvel e alienação parcial da infraestrutura de fibra, operada pela V. tal. Partindo deste pretexto, a companhia divulgou neste último trimestre (3º tri) que o segmento de mobilidade foi afetado no resultado até março de 2022 e a parte de infraestrutura até maio de 2022. Isto é importante para determinar a comparação entre períodos posteriores do resultado, devido aos impactos decorrentes das operações de desinvestimento.
O futuro está chegando: A nova Oi
O novo modelo de operação da OI na fibra, através da rede da V. tal, trouxe uma forma como nunca vista antes sobre o uso de rede neutra com escala relevante, o que poderá trazer bons frutos no futuro, com o desenvolvimento do mercado de fibra local. Quando isto acontecer, a companhia irá colher os frutos, com menor demanda de Capex (investimentos) e melhor geração operacional, capturando um crescimento da V.tal, se mantendo como um play relevante no mercado de infraestrutura de rede neutra de fibra, líder absoluta no país.
Grupamento de ações já anunciado
A Oi anunciou ao mercado o início do processo de grupamento de ações no dia 17 de outubro, na proporção de 50 ações para 1 ação. A proposta da administração será votada pelos acionistas na próxima semana, no dia 18 de novembro em AGE (Assembleia Geral Extraordinária). Caso esta proposta seja aprovada, será comunicado o prazo não inferior a 30 dias para todos os acionistas de Oi que detiver as ações ordinárias (OIBR3) e preferencial (OIBR4) para ajustarem as suas posições. Este processo de grupamento tem previsão de ser concluído até o final do ano ou início de 2023, fazendo reduzir a volatilidade que atualmente existe pelas ações.
Fibra no protagonismo: Bons resultados
O segmento de fibra acelerou no 3º trimestre, com as receitas avançando e vendas alcançando a R$ 1,05 bilhão, com presença em mais de 3,8 milhões de casas conectadas e adições líquidas estáveis em relação ao 2º trimestre, contabilizando mais de 146 mil novos clientes no 3º trimestre. Na ARPU (receita média por usuário) de fibra subiu 4,8% ano contra ano, alcançando R$ 93,50 por usuário. Na expansão da rede, que segue em modo acelerado, a V. tal pisou no acelerador e ultrapassou mais de 1,4 milhão de residências com fibra, atingindo 18,3 milhões de casas passadas. Para o futuro, a companhia espera chegar a 34 milhões de casas passadas até o final de 2024.
A maior crítica dos analistas: Consumo de caixa
O consumo de caixa alcançou um impacto de R$ 1,4 bilhão no trimestre, colocando a dívida líquida em maior patamar quando se compara com o 2º trimestre, totalizando R$ 18,3 bilhões, sendo 2 bilhões adicionais ao período anterior. Sendo assim, a depreciação cambial de R$ 403 milhões e ajuste de valor justo de R$ 265 milhões foram os catalizadores da dívida.
Os analistas criticam o consumo de caixa da companhia pela demora da virada de chave da companhia e ainda que este consumo continua em patamar considerado alto, sendo as operações financeiras relacionadas a R$ 512 milhões, a respeito do pagamento de juros semestrais de títulos e Capex de R$ 635 milhões. Portanto, a companhia fechou o 3º trimestre com R$ 3,6 bilhões em caixa e deverá receber mais R$ 1,7 bilhão no próximo ano devido à venda de seus sites de operação fixa, esperado para entrar no resultado do 1T23, além do seu negócio de TV por assinatura previsto no segundo semestre de 2023.
Muito cedo para estar otimista: Em compasso de espera
Dessa forma, apesar das perspectivas animadoras com a nova Oi, os desafios atuais com a operação móvel que correm na justiça e aliado ao consumo de caixa que surpreendeu negativamente os analistas, deixam dúvidas sobre a virada de chave e motivos para a exposição ao ativo, com cenário macro desafiador, considerando um ativo de alta volatilidade, com o grupamento de ações ainda não aprovado. O Capex de curto prazo também incomoda, já que os analistas em geral estão revisando os valores para cima, reduzindo as possibilidades de uma eventual oportunidade enxergando um valor intrínseco interessante dado ao cenário e os acontecimentos que vão decorrer ao longo de 2023. Em suma, podemos ter mais otimistas no futuro…
Os principais números da Oi no 3T22 – (OIBR3; OIBR4)
- Prejuízo Líquido: R$ 3,064 milhões (ante prejuízo de R$ 4,814 bilhões no 3T21);
- Receita Líquida: R$ 2,770 bilhões (-38,7% vs. 3T21);
- EBITDA de Rotina: R$ 168 milhões (-88,5% vs. 3T21).

