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O rali não acabou: Ibovespa renova máximas com fluxo estrangeiro

Por volta das 12h30, o principal índice da B3 atingiu 177.741,56 pontos, renovando a máxima histórica intraday

Maurílio Goeldner Por Maurílio Goeldner
22/01/2026
Em MERCADOS

O Ibovespa voltou a registrar um pregão de forte valorização nesta quinta-feira (22/01/2026), ampliando o movimento de alta iniciado na véspera, em meio a um cenário de maior apetite ao risco no mercado global e fluxo intenso de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira.

Por volta das 12h30, o principal índice da B3 atingiu 177.741,56 pontos, renovando a máxima histórica intraday. No fechamento, o índice encerrou aos 175.775,02 pontos, com alta de 2,30%.

O movimento ocorre em um contexto de recuperação sincronizada dos mercados internacionais, com as bolsas globais reagindo positivamente a sinais de distensão no ambiente político e comercial.

Fluxo estrangeiro e geopolítica sustentam alta

Na avaliação de Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, o desempenho do Ibovespa reflete uma combinação de fatores externos e domésticos.

“O Ibovespa acompanha o segundo dia de alta, muito apoiado pela entrada de capital estrangeiro na nossa Bolsa e por uma maior tomada de risco do investidor internacional, após falas mais brandas de Donald Trump sobre a Groenlândia e a União Europeia, que trouxeram um fôlego maior para o mercado brasileiro. As bolsas lá fora acompanham essa alta com um alívio nas tensões geopolíticas”, afirma.

Segundo o especialista, o cenário global de juros também favorece os ativos de risco.

“Com o mundo todo praticamente na tendência de queda de juros, isso favorece os ativos de risco e as bolsas vão mais para cima. Acredito que a Bolsa brasileira tende a ter um 2026 próspero.”

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Dólar em queda e alívio na curva de juros

Além do avanço do Ibovespa, o dia também foi marcado por queda do dólar, em meio ao alívio internacional e dados econômicos mais fracos nos Estados Unidos.

“O dólar cai hoje com alívio internacional após falas brandas de Donald Trump em Davos. Outro fator que fez o dólar ir para baixo foi o resultado do PCE americano um pouco mais fraco do que o mercado esperava, e isso respinga forte no Brasil, pois abre espaço para queda de juros nos Estados Unidos e, consequentemente, margem para afrouxamento monetário no Brasil”, explica Josias Bento.

Segundo ele, a moeda americana atingiu os menores patamares desde dezembro, movimento que também foi influenciado pelo cenário político doméstico.

“O dólar chega hoje nos menores níveis desde dezembro após o anúncio da pré-candidatura à presidência de Flávio Bolsonaro. Essa tendência maior de ‘tudo dando certo’ faz com que os juros futuros caiam, dando alívio na curva, principalmente na mais curta de dois anos, o que se reflete diretamente nas ações.”

Bancos e educação lideram a alta

No mercado acionário, os principais motores da alta foram os setores financeiro e de educação.

“O alívio das tensões geopolíticas favorece bastante o Ibovespa hoje, além do grande fluxo de capital estrangeiro entrando no Brasil. Bancos e o setor de ensino puxaram a alta do índice”, afirma Josias.

Na avaliação do especialista, os bancos foram os preferidos do investidor internacional.

“Acredito que os bancos foram os preferidos por terem uma segurança maior dentro do índice e serem bons pagadores de dividendos.”

No setor de educação, o movimento reflete uma virada de ciclo.

“As empresas de educação, que sofrem em momentos de juros altos, estavam em fase de expansão com margens mais baixas. Agora vemos que a fase da colheita chegou, com maior rentabilidade, eficiência operacional e preservação de caixa”, conclui.

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