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Morgan Stanley projeta Ibovespa a 215 mil pontos e alerta para risco fiscal

O Morgan Stanley projetou o Ibovespa em 215 mil pontos em 2027 e classificou a eleição presidencial de 2026 como um “evento binário” para os ativos brasileiros. Ao mesmo tempo, o banco alertou que o risco fiscal do país pode estar subestimado pelos preços atuais de mercado.

A projeção para o índice representa um avanço em relação aos 174.577 pontos registrados no fechamento de terça-feira (25), quando o Ibovespa completou a quinta sessão consecutiva de alta.

O cenário traçado pelo banco, porém, está condicionado ao resultado das eleições de outubro e à evolução das contas públicas brasileiras.

Eleição de 2026 entra no cenário do Morgan Stanley

Ao definir a eleição presidencial como um evento binário, o Morgan Stanley indica que o desempenho dos ativos brasileiros pode seguir trajetórias diferentes conforme o resultado eleitoral e as perspectivas para a política econômica.

A avaliação ganha importância em um momento de alta do mercado acionário brasileiro. O Ibovespa acumula cinco pregões consecutivos de valorização, em meio às expectativas sobre uma redução da Selic e ao desempenho de empresas mais sensíveis aos juros.

A evolução das contas públicas, no entanto, continua entre os fatores acompanhados pelos investidores para avaliar as perspectivas dos juros, do câmbio e da Bolsa.

Nesse contexto, a projeção do Morgan Stanley para o Ibovespa em 2027 depende não apenas do ambiente eleitoral, mas também da trajetória fiscal brasileira.

Dívida pública reforça atenção sobre risco fiscal

O alerta sobre as contas públicas ocorre no mesmo dia em que o Tesouro Nacional tem prevista a divulgação dos dados de julho da Dívida Pública Federal e de alterações no Plano Anual de Financiamento (PAF).

O documento apresenta informações sobre a estratégia utilizada pelo governo para financiar e refinanciar a dívida pública, incluindo composição, prazos e tipos de títulos emitidos.

Projeções de mercado citadas no material apontam para uma dívida bruta equivalente a 81,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

As emissões de títulos pós-fixados, as LFTs, também estariam se aproximando do limite de 50% previsto originalmente no PAF.

Uma maior participação de títulos ligados à Selic e de vencimentos mais curtos pode aumentar a sensibilidade do custo da dívida às taxas de juros, tornando a estratégia de financiamento do Tesouro um dos pontos acompanhados pelo mercado.

Inflação e saída de estrangeiros também entram no radar

Outros indicadores ajudam a compor o cenário analisado pelos investidores.

As expectativas para a inflação de 2026 estão em 5,02% no Boletim Focus, acima da meta de 3%. Ao mesmo tempo, o fluxo de investidores estrangeiros na B3 registra saída líquida superior a R$ 21 bilhões em agosto.

O movimento recente de valorização do Ibovespa tem sido sustentado principalmente pelo investidor local.

Esse conjunto de fatores reforça a diferença entre o potencial de valorização apontado pelo banco e os riscos que ainda podem afetar a trajetória dos ativos brasileiros.

A projeção do Morgan Stanley para o Ibovespa em 2027, portanto, coloca a eleição presidencial e a situação fiscal entre as principais variáveis para o desempenho do mercado nos próximos meses.

Morgan Stanley
Foto: Jeremy Moeller/Getty Images