CPI avançou 0,8% em 12 meses, enquanto alta da energia elevou custos industriais; inflação subjacente chegou a 1%
A inflação da China acelerou em agosto, com aumento dos preços de energia e matérias-primas pressionando tanto consumidores quanto a indústria. O índice de preços ao consumidor, o CPI, avançou 0,8% na comparação anual, depois de uma alta de 0,5% em julho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (9) pelo Escritório Nacional de Estatísticas do país.
Na comparação mensal, o CPI aumentou 0,4%, revertendo a queda de 0,1% observada em julho.
Ao mesmo tempo, os preços ao produtor ganharam força. O PPI chinês subiu 3,8% em relação a agosto de 2025 e avançou 0,4% frente ao mês anterior. Em julho, o indicador havia aumentado 3,5% em 12 meses.
Os dados mostram que parte da pressão internacional sobre energia e commodities já começou a alcançar a segunda maior economia do mundo.
Energia foi responsável pela aceleração?
O Escritório Nacional de Estatísticas atribuiu parte importante do movimento às alterações nos preços internacionais.
A gasolina vendida no mercado chinês subiu 7,2% em agosto na comparação mensal, depois de cair 10,7% em julho. Apenas esse movimento adicionou aproximadamente 0,21 ponto percentual ao CPI do mês.
Os preços de artigos de ouro também subiram 7,6%, após recuo de 2,6% no mês anterior.
A inflação subjacente, que exclui os componentes mais voláteis de alimentos e energia, chegou a 1% em 12 meses, acima dos 0,9% registrados em julho.
Apesar da aceleração geral, os preços dos alimentos ainda apresentaram queda de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A carne suína ficou 11,8% mais barata em 12 meses, enquanto os vegetais frescos recuaram 2,8%. Na direção oposta, os ovos registraram alta anual de 15%.
Na comparação com julho, os vegetais frescos subiram 5,5%, movimento associado também a fatores sazonais.
O que aconteceu com os preços da indústria?
A pressão foi mais intensa no setor produtivo.
O PPI avançou 3,8% em 12 meses. Dentro do índice, os preços dos meios de produção cresceram 5%, enquanto os produtos ligados diretamente ao consumo recuaram 0,5%.
Os preços da indústria extrativa avançaram 17,8% na comparação anual. Matérias-primas subiram 6,7%, enquanto os produtos processados tiveram aumento de 3,1%.
Outro indicador relevante é o preço pago pelas próprias indústrias na compra de insumos. Esse índice avançou 5,8% em relação a agosto de 2025.
Materiais e fios de metais não ferrosos subiram 19,8%; combustíveis e energia, 9,8%; e matérias-primas químicas, 9,5%.
O quadro mostra uma pressão concentrada principalmente nos primeiros estágios das cadeias de produção.
A China voltou a enfrentar inflação elevada?
Ainda não.
Apesar da aceleração observada em agosto, a inflação ao consumidor permanece moderada. Entre janeiro e agosto, o CPI acumulou alta média de 0,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Além disso, os dados continuam mostrando diferenças importantes entre os setores. Os preços dos alimentos recuam na comparação anual e a habitação apresentou queda de 0,3%, enquanto transporte e comunicação avançaram 2,5%.
A Reuters aponta que a demanda interna chinesa continua moderada, o que limita a capacidade de empresas repassarem integralmente o aumento dos custos ao consumidor.
Isso ajuda a explicar a diferença entre um PPI de 3,8% e uma inflação ao consumidor de apenas 0,8%.
O que os números da China significam para os mercados?
A leitura de agosto apresenta duas forças simultâneas.
Por um lado, preços industriais mais altos indicam que energia e matérias-primas estão encarecendo as cadeias produtivas chinesas. Por outro, a inflação ao consumidor permanece relativamente baixa, sinalizando que a demanda doméstica ainda não acompanha na mesma intensidade a alta dos custos.
Para mercados de commodities, a situação é relevante porque a China está entre os maiores consumidores mundiais de petróleo, metais e produtos agrícolas.
A evolução da inflação chinesa também entra no cálculo sobre os próximos passos da política econômica de Pequim. Uma pressão maior sobre preços reduz parte do espaço para estímulos monetários, enquanto uma demanda interna ainda fraca mantém a necessidade de medidas de sustentação da atividade.
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