O Federal Reserve deve elevar os juros dos Estados Unidos nesta quarta-feira (16), segundo a maioria dos economistas, em uma mudança significativa de expectativa provocada pela inflação resistente e pela nova escalada dos preços do petróleo.
A projeção predominante é de uma alta de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de juros do Fed da atual faixa de 3,50% a 3,75% para 3,75% a 4,00% ao ano. Caso se confirme, será o primeiro aumento dos juros americanos desde 2023 e a primeira alta sob o comando de Kevin Warsh.
A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto, o Fomc, começa nesta terça-feira (15) e termina na quarta-feira. Além da decisão sobre os juros, o mercado buscará sinais sobre o caminho da política monetária nos próximos meses.
Por que as expectativas mudaram?
O principal motivo foi a persistência da inflação americana.
O índice de preços ao consumidor, CPI, avançou 0,4% em agosto na comparação mensal e 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% no mês, maior avanço desde abril. Os dados reforçaram a avaliação de que o processo de desaceleração da inflação ainda não ocorre no ritmo necessário para levar os preços de volta ao objetivo de 2% do Fed.
A situação ganhou um componente adicional nos últimos dias: o petróleo voltou a superar US$ 108 por barril nesta segunda-feira após ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita.
Energia mais cara pode se transmitir para gasolina, transporte e produção, criando novas pressões inflacionárias justamente quando o Fed avalia se precisa restringir ainda mais as condições financeiras.
O que Kevin Warsh já sinalizou?
Warsh aumentou o tom contra a inflação durante seu discurso no encontro de Jackson Hole, no fim de agosto.
O presidente do Fed afirmou que, caso não houvesse confiança de que a inflação subjacente estivesse caminhando claramente e com velocidade suficiente para a meta de 2%, o banco central ainda teria “mais trabalho a fazer”.
As declarações levaram investidores a elevar as apostas em uma alta já em setembro.
Warsh também tem defendido uma redução no uso de orientações antecipadas sobre o caminho futuro dos juros. Na prática, isso significa que o Fed pretende depender mais dos dados divulgados entre cada reunião e oferecer menos indicações sobre decisões futuras.
O que o mercado espera depois de setembro?
As apostas já não estão concentradas apenas na reunião desta semana.
Na pesquisa Reuters, uma parcela crescente dos economistas prevê pelo menos outra alta até março de 2027. No mercado futuro, investidores chegaram a precificar múltiplas elevações ao longo dos próximos meses.
Essa mudança também atingiu o mercado de títulos.
O rendimento dos Treasuries de dez anos chegou a 5% nesta segunda-feira, maior nível desde 2023. O movimento reflete a combinação entre inflação persistente, petróleo mais caro e expectativa de juros elevados por mais tempo.
Por que a decisão do Fed importa para o Brasil?
Juros mais altos nos Estados Unidos tornam os títulos americanos mais atraentes e podem alterar o fluxo internacional de recursos.
Para países emergentes, isso pode significar maior pressão sobre moedas, juros de longo prazo e ativos de risco. O efeito ganha relevância nesta semana porque o Banco Central brasileiro também decide a Selic na quarta-feira.
Enquanto o mercado brasileiro espera um corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75%, o cenário americano aponta na direção oposta, com possibilidade de aumento dos Fed Funds.
A diferença entre as trajetórias dos dois bancos centrais estará entre os principais fatores acompanhados pelos investidores na chamada Superquarta.
