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BCE eleva juros a 2,5% com inflação acima de 3% na zona do euro

O Banco Central Europeu (BCE) elevou nesta quinta-feira (10) sua principal taxa de referência em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de depósito de 2,25% para 2,5% ao ano. É o segundo aumento dos juros promovido pela autoridade monetária europeia em 2026.

A decisão ocorre após uma nova aceleração da inflação na zona do euro, impulsionada principalmente pela alta dos preços de energia decorrente das tensões no Oriente Médio.

A inflação do bloco superou 3% no último mês, afastando-se da meta de 2% perseguida pelo BCE e levando a autoridade monetária a voltar a apertar as condições financeiras.

Por que o BCE decidiu elevar os juros?

O aumento dos preços do petróleo e do gás natural elevou a inflação de energia e modificou as perspectivas de preços para os próximos meses.

Segundo as novas projeções apresentadas pelo BCE, a inflação deverá ficar, em média, em 3% em 2026 e 2,5% em 2027. Ambos os números permanecem acima do objetivo de médio prazo de 2%.

O banco central avalia que os riscos para a inflação estão concentrados no sentido de alta, enquanto permanecem riscos de desaceleração para a atividade econômica.

Antes da decisão desta quinta-feira, a taxa de depósito estava em 2,25%, nível mantido na reunião de julho. As taxas das operações principais de refinanciamento e da linha marginal de empréstimo estavam em 2,40% e 2,65%, respectivamente.

Energia já contaminou outros preços?

Apesar da pressão exercida pelos combustíveis e pelo gás, os indicadores de inflação subjacente ainda apresentam comportamento mais moderado.

A inflação que exclui componentes mais voláteis desacelerou no último levantamento, ao mesmo tempo em que o crescimento dos salários perdeu força. Até o momento, portanto, os custos maiores de energia ainda não produziram um repasse generalizado para todos os grupos de bens e serviços.

Esse comportamento ajuda a explicar a cautela do BCE sobre os próximos passos. A autoridade monetária não apresentou uma trajetória pré-definida para os juros e continuará avaliando os indicadores a cada reunião.

Como está a economia da zona do euro?

Além de elevar sua previsão de inflação, o BCE revisou ligeiramente para cima sua estimativa de crescimento.

A instituição passou a projetar expansão de 0,9% para a economia da zona do euro em 2026, ante estimativa anterior de 0,8%.

A atividade tem demonstrado maior resistência do que se esperava diante do aumento dos custos de energia. Ao mesmo tempo, as taxas de juros mais elevadas e a alta dos rendimentos dos títulos públicos apertam as condições financeiras para empresas e consumidores.

Os juros podem subir novamente?

Os mercados financeiros passaram a incorporar a possibilidade de novas altas dos juros europeus ao longo dos próximos meses e em 2027.

Antes mesmo da reunião desta quinta, instituições financeiras já revisavam suas projeções. O Deutsche Bank, por exemplo, passou a considerar a possibilidade de mais uma alta de 0,25 ponto percentual em dezembro caso as pressões de energia permaneçam.

A trajetória, porém, dependerá principalmente da duração do choque de energia e da capacidade de esse movimento afetar salários e outros preços.

A decisão do BCE reforça o cenário de atenção dos principais bancos centrais à inflação global em um momento de petróleo elevado e maior pressão sobre os custos de produção.

Fechada do Banco Central Europeu (BCE).
Banco Central Europeu (Foto: REUTERS)